QUEREMOS JUSTIÇA E LIBERDADE AOS INOCENTES DA QUEBRADA!

Na tarde de ontem, 26/1, no Jardim Capela, bairro da periferia do extremo sul de São Paulo, ocorreu uma manifestação das mães, familiares e amigos de Rafael, Diego, Augusto e Felipe. Segundo as famílias, os 4 jovens estão presos por crimes que não cometeram. Rafael, Diego e Augusto foram presos sob falsa alegação de envolvimento com um crime de roubo de carga. Felipe é morador de outro bairro da região e foi preso em retaliação da polícia após sua mãe se envolver em uma discussão com policiais perto de casa, segundo relato da própria, que esteve presente na manifestação, se somando ao chamado das famílias do Jardim Capela após ver uma publicação sobre o caso dos meninos em rede social.

Além das famílias e amigos, o ato contou com a presença de entidades como a Rede de Proteção contra o Genocídio, o CDHEP (Centro de Direitos Humanos e Educação Popular do Capão Redondo), o MSTS, e a presença de uma representação do mandato Quilombo Periférico (PSOL). O GOI/Palavra Operária também esteve presente, fortalecendo a unidade na luta contra o encarceramento da juventude periférica e exigindo justiça e liberdade aos inocentes.

A caminhada se iniciou em frente ao Posto de Gasolina do Jardim Capela e percorreu pela Estrada do M’Boi Mirim até o Hospital. Entoando palavras de ordem, o ato foi marcado principalmente pela presença das mulheres, que demonstraram grande disposição de luta e garra! Carregando faixas e cartazes, os gritos, apitos e palmas na batida do funk mostraram que nossas vozes não serão silenciadas. Em coro, elas diziam: “paz, justiça e liberdade”, e ainda criaram uma nova palavra de ordem para o ato “os inocentes estão presos e os culpados tão na rua. A culpa não é nossa, a luta continua.”

Foram entregues panfletos para que a população do bairro soubesse sobre o que se tratava o protesto. Vários motoboys e carros buzinaram em solidariedade à luta das famílias.

Entenda o caso a partir do relato das famílias:

“Na manhã de 11/01, estava Diego com dois amigos (Rafael e Augusto) dentro de sua casa, localizada no bairro do Jd. Aracati (Chácara Bandeirantes), ainda deitados, quando houve um assalto próximo à residência e um dos rapazes que participou do assalto invadiu o quarto onde eles estavam dormindo na casa do Diego.

A Policia Militar abordou Sheila (mãe do Diego), que não sabia da invasão do autor do assalto a sua casa. Ela autorizou a PM a entrar em sua casa, informando, inclusive, que seu filho e alguns amigos ainda estavam dormindo, pois haviam trabalhado na noite anterior entregando pizza.

Eles encontraram os jovens ainda deitados na cama e Marcos (autor do assalto) que tentava naquele momento se esconder. Assustados, e sem saber o que estava acontecendo, os jovens questionaram porque Marcos estava ali. Nesse momento, e de forma agressiva, a PM mandou que todos eles pegassem os documentos e saíssem para a garagem junto com o rapaz que tinha invadido a casa.

Todos foram levados para fazer averiguação inclusive a irmã do Diego de 17 anos, sendo ofendida com palavras absurdas pelos PMs. Os três jovens que não tinham absolutamente nada a ver com o assalto realizado na região foram conduzidos até a 100ª DP.

Sem nenhuma prova de que eles teriam qualquer participação no crime o delegado decretou a prisão preventiva deles com base apenas nos relatos dos policiais que não citaram no B.O que eles estavam em casa, alegando que os mesmos estavam na calçada com a carga, fato esse que não é verídico.”

Conversando com a dona Edilaine, mãe de Rafael, um dos jovens presos, ela relatou ao GOI/Palavra Operária que Marcos, envolvido no crime, se recusou a confessar que os jovens não tiveram envolvimento. Além disso, descobrimos que as famílias não tem nem informações sobre seus filhos, que seriam transferidos essa semana de prisão. Isso só demonstra como a justiça e o Estado capitalista age arbitrariamente com o pobre e trabalhador: retira seus direitos e ainda infringe aqueles que lhe são garantidos.  

O caso de Diego, Augusto, Rafael e Felipe se soma aos de Igo e Felipe, camaradas de luta do movimento popular (presos no Campo Limpo nas mesmas circunstâncias de falsa alegação e falso reconhecimento da vítima), Alexssandro, Kelvin, Erick e Rafael (presos no Parque do Engenho, também por um suposto envolvimento com roubo de carga) e tantos outros jovens que sofrem e enfrentam a repressão policial e a injustiça nas quebradas.

A família dos jovens, em sua busca de justiça e alegando inocência dos seus filhos, lutam agora para provar que essa prisão não tem legitimidade e que esse Estado, através do seu braço armado, comete mais uma vez a arbitrariedade de prender e culpar jovens inocentes. Enquanto para os ricos e poderosos vale a máxima da Constituição de “inocente até que se prove o contrário”, para os filhos da classe trabalhadora nas periferias o que acontece é justamente o inverso: “bandidos até que se prove o contrário”.

Nos solidarizamos aqui com as famílias e amigos em sua luta por liberdade e justiça aos inocentes. Seguiremos acompanhando e divulgando as ações do caso e nos somando na unidade construída contra esse encarceramento e genocídio da juventude pobre e periférica. Não é por que somos da quebrada que somos bandidos!

Saudamos em especial as mulheres que estiveram no ato, fazendo a Estrada do M’Boi Mirim ficar pequena para tanta disposição de luta e resistência. Vocês são um grande exemplo para nossa classe seguir enfrentando e lutando contra as mazelas do Estado burguês.

“A liberdade canta, é só ter fé e esperança.

O meus manos foi preso mas sei que eles volta

A esperança é grande pela sua vitória

Prenderam o seu corpo e não os seus pensamentos

E a saudade bate de quando você me lembro

Às vezes bate a emoção quando nois vem falar

Aqueles minutinho ali no celular

O bonde da rua espera a sua chegada

Será uma grande festa volta pra casa”

MC Nego Blue

Veja imagens e vídeos do ato abaixo.

Curta também a página criada pelas famílias para divulgar a luta, clicando aqui.

2 comentários em “QUEREMOS JUSTIÇA E LIBERDADE AOS INOCENTES DA QUEBRADA!

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