Um balanço da política eleitoral do GOI e da esquerda trotsquista

Finalizando a publicação do balanço das eleições, neste artigo analisamos a tática eleitoral aplicada pelo GOI-Palavra Operária, polemizando com as táticas de outros partidos e grupos que se reivindicam trotsquistas. Leia também a parte 1 e a parte 2 do balanço, já publicados no blog.

A realidade da luta de classes evidenciada pelas eleições comprova o acerto de nossa caracterização de que a campanha para eleger Lula presidente iria mobilizar o conjunto das trabalhadoras e trabalhadores conscientes, e unificar a quase totalidade das forças do movimento operário e de massas. Análise que possibilitou o acerto de nossa tática de nos localizarmos politicamente no interior deste poderoso movimento de massas. Apesar de seus limites democrático burgueses e reformistas.

A unidade do proletariado consciente em torno à candidatura de Lula jogou definitivamente por terra todas as análises feitas por partidos como o PSTU sobre a “ruptura das massas com Lula e o PT” . Como já alertarmos há muito em nossa polêmica com a direção deste partido, devido à crise de direção revolucionária, ou seja, devido à falta de direções e organizações revolucionárias com influência de massas, o proletariado é obrigado a usar suas velhas organizações e direções para levar à frente suas lutas.

A luta para derrotar o bolsonarismo e a luta por um governo da classe trabalhadora foi tomada pelo proletariado consciente através das velhas ferramentas forjadas nesta etapa histórica: Lula, o PT, a CUT, os sindicatos e demais organizações do movimento operário e de massas, assim como através das novas ferramentas reformistas surgidas no período mais recente como o PSOL, Boulos, o MTST e os movimentos de luta dos povos e setores oprimidos.

Quando falamos em setores mais conscientes e organizados do proletariado nos referimos aos setores da nossa classe que se orientam politicamente por estas direções e organizações de classe e que através delas se colocam em ação na luta pelas tarefas colocadas pela luta de classes. Nesta relação dialética, as massas ao mesmo tempo utilizam e são utilizadas por estas direções e organizações de classe.

Ao se colocarem à margem deste movimento real da classe, o PSTU e as correntes que o seguiram no Polo Socialista e Revolucionário desperdiçaram, mais uma vez, uma grande oportunidade de construir um verdadeiro polo classista e revolucionário no interior do movimento de massas que derrotou Bolsonaro e levou Lula ao poder. Ao oferecerem ao proletariado nada mais do que sectarismo divisionista e propagandismo doutrinário, sofreram uma dura derrota política e eleitoral (*).

A política desastrosa do PSTU e do seu polo socialista só foi superada pela das organizações que defenderam o voto nulo nas eleições, como o POR e a La Marx (nos dois turnos), e o MRT, a Transição Socialista e o Grupo de Trabalhadores Revolucionários/TLTI (no 2° turno), apenas para citar algumas. Ao desconhecer as ilusões eleitoralistas e reformistas que ainda predominam no setor mais consciente do proletariado, estas organizações viraram as costas à classe que supostamente pretendem guiar para a revolução. Estes grupos, apesar de se intitularem trotsquistas, nada aprenderam com a teoria e a prática do marxismo revolucionário.

Trotsky, no Programa de Transição, afirma que, devido ao caráter atrasado dos países semicoloniais, como o Brasil, o proletariado “é obrigado a combinar a luta pelas tarefas mais elementares da independência nacional e da democracia burguesa com a luta socialista contra o imperialismo mundial.” E conclui que “Não se deve rejeitar pura e simplesmente o programa democrático: é necessário que as próprias massas ultrapassem esse programa na luta.”

O setor mais consciente do proletariado, apesar de 38 anos de experiência com a democracia burguesa, e apesar de mais de 13 anos de experiência com os governos de frente popular encabeçados por Lula e o PT, colocou, mais uma vez, as suas esperanças de transformação social nas eleições burguesas e na volta de Lula e o PT ao poder.

Poderíamos, então, repetir Trotsky, dizendo: “Não se deve rejeitar simplesmente as ilusões na democracia burguesa e no programa reformista de Lula: é necessário que as próprias massas ultrapassem estas ilusões e este programa através de sua própria luta”.

A partir desta compreensão das tarefas do proletariado, intervimos no processo eleitoral com a tática do Governo Operário e Camponês, formulada através das consignas: “Que Lula governe, sem patrões! Junto com os sindicatos e movimentos de luta da classe trabalhadora” e “Vote em Lula presidente e Lute por um Governo da Classe Trabalhadora, sem patrões!”. Paralelamente, apresentamos um Programa de Medidas Emergenciais em defesa das condições de vida e de trabalho da classe trabalhadora e do povo pobre e oprimido, sintetizado na consigna “Salário, Emprego, Direitos, Terra, Liberdade e Independência”.

Desta forma, buscamos nos localizar no interior do movimento de massas forjado pela frente popular de Lula-Alckmin, sem capitular à sua política de unidade e conciliação com a burguesia e o imperialismo.

Assim, também nos delimitamos da política das correntes que se reivindicam como revolucionárias e socialistas, principalmente da esquerda do PSOL, como a Resistência, o MES, entre outras, que se adaptaram de forma oportunista à política da Frente Ampla, chamando o voto em Lula sem nenhuma diferenciação programática, sem denunciar e exigir a ruptura da aliança com Alckmin e os patrões. Estas correntes navegaram na onda da frente popular sem bandeiras próprias com o objetivo de eleger suas candidaturas e bancadas de deputados/as estaduais e federais, no que algumas tiveram êxito.

Acesse aqui a edição especial do jornal Palavra Operária para a intervenção nas eleições e leia no blog os artigos publicados durante a Campanha Eleitoral.

(*) O PSTU e o Polo Socialista Revolucionário apresentaram a candidatura de Vera Lúcia à presidência, obtendo 25.625 votos (0,02%), o pior resultado eleitoral deste partido.

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