Remédio para tratamento da diabetes em falta nas farmácias de alto custo de São Paulo

por Ian Felippe e Cida

Em Março, o governo de João Dória (PSDB) havia anunciado que as farmácias de alto custo iriam ampliar o suprimento de medicamentos entregues aos pacientes que precisam de medicamentos especializados durante a pandemia.

No entanto, recebemos o relato/denúncia de que a insulina Asparte, indicado para o tratamento de diabetes mellitus, está em falta. A diabetes mellitus é uma doença caracterizada pela elevação da glicose no sangue (hiperglicemia). Pode ocorrer devido a defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas, pelas chamadas células beta. Ou seja, o medicamento é extremamente importante para as pessoas que convivem com a doença.

Na manhã de ontem, 23/7, Cida iria buscar o medicamento do próximo mês para sua filha. No entanto, recebeu uma ligação da farmácia alto custo orientando que ela não fosse até o local da retirada, alegando a falta do medicamento e que ela deveria voltar lá somente no mês que vem. Diante disto, a filha de Cida ficará com uma defasagem do medicamento até a data proposta para ela retirá-lo novamente.

Segundo o relato de Cida, recentemente houve uma mudança na organização das datas de entrega dos medicamentos, que passaram a ser feitas via aplicativo “Remédio Agora” do Governo do Estado, porém o mesmo não estaria funcionando adequadamente. Depois de cerca de 10 dias tentando agendar uma data para retirar o medicamento, ela conseguiu fazê-lo para ontem, 23/7.

Cida questionou as atendentes da farmácia alto custo se haveria outro local onde ela poderia retirar o medicamento, já que naquela unidade ele estava em falta, porém foi informada que o protocolo de entrega do medicamento da filha dela estava registrada naquela unidade e que, portanto, ela não poderia retirá-lo em outro local. Cida tentou ligar novamente na farmácia alto custo após o ocorrido, porém ninguém a atendeu. Também tentou ligar na Ouvidoria e não obteve sucesso, o que avalia que seja provavelmente pela falta de funcionários para atender a demanda do público.

Desesperada e revoltada com a situação, Cida também chegou a ligar para a Secretaria do Estado, e tampouco conseguiu resolver seu problema.

O medicamento que a filha de Cida necessita para uso regular e para tratar a diabetes só é fornecido pela farmácia de alto custo e não possui nos postos da cidade de São Paulo, nem naqueles administrados pelas Organizações Sociais.

Mesmo sendo funcionária da saúde do município de São Paulo, Cida encontrou diversas dificuldades no atendimento. Para ela, a falta de um medicamento como este é um absurdo e demonstra a irresponsabilidade dos governos com a saúde pública e os direitos dos usuários, que recorrem ao fornecimento gratuito do medicamento, ainda mais em um momento de crise econômica, que diminuiu a renda das famílias, justamente por não terem condições de arcar com os custos absurdos deste tipo de remédios.

Importante relembrar que, em Julho de 2019, o Ministério da Saúde do governo federal de Bolsonaro, ainda sob o comando de Henrique Mandetta, rompeu Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDPs) com 7 laboratórios públicos nacionais que produziam medicamentos para o SUS. Justamente os medicamentos que chegam gratuitamente à população. A medida adotada a pouco mais de um ano atrás resultou na suspensão da fabricação de 19 medicamentos  para o tratamento de câncer, diabetes e transplantados, que passaram a ser desenvolvidos por empresas privadas.

A ruptura dos contratos foi um brutal ataque aos direitos da população e usuários do SUS, e preocupou principalmente os profissionais da saúde e dos laboratórios públicos que perderam investimentos do governo.

A política de desmonte dos serviços públicos e da saúde pública promovida pelos governantes hoje está impedindo que a filha de Cida tenha acesso a um medicamento essencial para seu bem estar e sua vida. Por isso, nos solidarizamos com Cida e reproduzimos aqui sua denúncia diante deste fato que hoje afeta ela e sua família, mas que também afeta a família de milhares e milhares de trabalhadoras e trabalhadores que precisam destes medicamentos.

Exigimos uma resposta da Secretaria de Saúde de São Paulo em relação a falta de medicamentos nas farmácias alto custo e como resolver a situação de Cida e de outras famílias que possam estar enfrentando o mesmo problema!

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