A DEFESA D@S TRABALHADOR@S DA SERCOM É A LUTA!

Carta do GOI às operadoras e operadores:

No dia 22 de abril o Grupo Operário Internacionalista – GOI – esteve na Sercom de Taboão da Serra, às 9 da manhã, para a distribuição de panfleto com denúncias relatadas por operadoras e operadores. Em meio a pandemia de coronavírus estavam sendo obrigad@s a trabalhar sem proteção, aglomerad@s na empresa que não garantia as mínimas condições de trabalho: máscaras, álcool em gel e home office.

O panfleto foi recebido com satisfação pelas operadoras e operadores que viram suas denúncias escritas para que, fora dos portões da Sercom, tod@s soubessem das irregularidades ali cometidas.

Durante a panfletagem novas denúncias surgiram: grávidas trabalhando, pois o médico do trabalho empurrava para os obstetras, que novamente devolviam para o médico do trabalho a responsabilidade do afastamento das gestantes que seguiam trabalhando… Portador@s de doenças crônicas, como hipertensão, asma, bronquite, diabetes, idosos, tod@s submetidos à aglomeração irresponsável da empresa.

Saíram nos portões para a pausa trabalhador@s que denunciaram a falta de álcool em gel até nas chamadas ilhas de excelência (como a Prevent Senior). A orientação de algumas chefias era de “usar água e sabão, já que não tem álcool em gel”. Operador@s denunciaram ainda que estavam sendo constrangid@s pelas chefias para não usarem suas máscaras dentro da Sercom, nas P.A.s (pontos de atendimento), para “evitar o pânico”. Outr@ denunciou que, por um áudio vazado, um dos “chefões” da empresa, em resposta ao temor da pandemia por parte d@s empregad@s, havia gritado que “não estava preocupado com a saúde e sim com os negócios!” No setor que vende milhas haviam sido demitidas três operadoras que se recusaram a trabalhar nas péssimas condições que foram impostas em outro setor. Foi feita a denúncia de quatro casos suspeitos de Covid-19, sem que a empresa tivesse o respeito de informar para quem estava trabalhando a situação d@s trabalhadores doentes.

Operador@s pensaram que éramos do sindicato. Explicamos que não e soubemos também que o sindicato não aparece lá.

Supervisor@s e coordenador@s, porém, não receberam o panfleto com a mesma satisfação. Vieram questionar sobre as denúncias. Tentaram desmentir o que estava escrito e diante da grávida de crachá fazendo pausa do trabalho sem proteção na Sercom, ficaram calad@s. Uma das supervisoras chegou a nos perguntar se queremos que a Sercom libere um notebook para a “operadora trabalhar em casa em cima de uma cama, pois muitos nem mesa tem?” Uma das chefes que se apresentou como representante da diretoria da Sercom, que correu atrás de nós terminada a panfletagem, quis saber quem somos. Perguntou a nós se daríamos emprego a tod@s @s trabalhador@s desempregados pela Sercom, caso a empresa fosse fechada pela vigilância sanitária, por causa das denúncias que fizemos através do panfleto.

Soubemos que o panfleto causou uma grande agitação, reflexão e fortalecimento d@s operador@s para exigirem seus direitos.

Já no dia seguinte 23/4, a Sercom passou a distribuir máscaras para tod@s @s trabalhador@s, tornou obrigatório o seu uso, garantiu álcool em gel, promoveu o distanciamento nos refeitórios e se comprometeu com o home office, que soubemos estar sendo implementado.

Na semana seguinte, dia 28/4 foi noticiado o falecimento por Covid-19 da operadora de apenas 20 anos, da Sercom de Osasco. No mesmo dia circulou entre trabalhador@s a internação de um operador por Covid-19 que trabalha na Sercom Taboão. Dois dias depois outra morte, desta vez na Atento da Avenida Paulista, também empresa de telemarketing. Uma jovem de 23 anos, com problemas respiratórios que não foi afastada do trabalho, nem estava em home office, contraiu o vírus e faleceu. Quantas e quantos mais contaminados? Não sabemos.

Os serviços de Call Center foram considerados atividades essenciais pelo governo e patrões. Todas as compras e serviços online passam por estes atendimentos terceirizados pelas grandes empresas. Com o isolamento social, a demanda aumentou muito em muitos setores. E a Sercom, assim como outras empresas e serviços, preocupadas com os lucros, negligenciam as condições de trabalho, colocando em risco a saúde e vida das empregadas e empregados, que expost@s adoecem, contaminam familiares, e morrem.

Aqui descobrimos o lema da empresa de telemarketing, repetido diariamente na cabeça d@s operador@s: “Quem tem coração não tem comissão!”
Com salários baixíssimos, para receber as comissões precisam “bater as metas”. E para isso vale tudo, vender, empurrar os produtos nos clientes que precisam ser convencidos a comprar. O mesmo critério que usam os donos da Sercom com @s empregad@s: comissão e negócios precisam aumentar. A saúde, “o coração”, não interessa para estes capitalistas.

Como denunciado durante a panfletagem, a preocupação dos donos da Sercom, de propriedade da família Saad, também dona da Rede Bandeirantes, são os negócios, os lucros!

As denúncias e protestos feitos pelas trabalhadoras e trabalhadores da Sercom mostram que só existe um caminho para obrigar os patrões a respeitarem nossos direitos e vidas: a nossa mobilização. Nossa defesa é a luta!

A luta na Sercom é um exemplo a ser seguido por tod@s trabalhador@s.

Chamamos @s trabalhador@s da Sercom a seguirem se organizando porque a luta em defesa dos empregos, salários e direitos tem que continuar, unidos ao conjunto da classe trabalhadora na luta contra a ganância patronal e os governos a seu serviço, como Dória e Bolsonaro.

@s militantes do GOI nos orgulhamos de ter contribuído com a luta de vocês pelas medidas de proteção na empresa e nos colocamos à sua disposição para as lutas que virão.

GOI – Grupo Operário Internacionalista, Maio de 2020.

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