Resposta do GOI à proposta do PSTU de construção de um Polo Socialista e Revolucionário

O PSTU está fazendo um chamado a ativistas e organizações para a construção de um “Polo por uma alternativa Socialista e Revolucionário”. O GOI considera que a busca da unidade de agrupamentos e ativistas revolucionários é um desafio vital para a construção de uma saída socialista revolucionária para a crise do imperialismo e do regime de dominação política da burguesia em nosso país. Saudamos, portanto, a iniciativa do partido e, como não poderia ser diferente, respondemos sim ao chamado das/os camaradas.

No Manifesto em defesa do Polo, é proposto um “processo no qual debateremos, de forma coletiva, o próprio manifesto e um programa socialista para o Brasil.” Entendemos que a formação de um agrupamento que se constitua verdadeiramente como um polo aglutinador dos socialistas revolucionários depende da capacidade de conduzir um diálogo democrático entre as posições convergentes e divergentes que se apresentarão nos debates. Neste sentido, apresentamos em seguida, de forma resumida e objetiva, os 4 principais pontos de  acordo que temos com o Manifesto, e 2 posições que queremos submeter ao debate com os camaradas do PSTU e demais organizações e ativistas que estão se incorporando às discussões sobre o Polo.

Nosso primeiro e fundamental acordo é com o Programa Socialista apresentado no Manifesto. Só avançando em direção à socialização dos meios de produção, sob controle da classe trabalhadora, será possível apontar uma saída para a crise do imperialismo e para a decadência estrutural das forças produtivas do país. Nenhuma solução reformista, seja a reedição da colaboração capital-trabalho dos governos de Lula, proposta pelo mesmo e pelo PT, seja a “revolução solidária”, proposta por Boulos e a direção do PSOL, impedirá que a burguesia imponha mais miséria, desemprego e violência sobre o povo pobre e trabalhador.

O segundo ponto de acordo é a defesa da independência de classe, fazendo a denúncia da política de colaboração e conciliação com a burguesia e o imperialismo imposta ao proletariado pelas direções do movimento, notadamente por suas lideranças e partidos mais influentes: Lula e o PT, Boulos e a direção do PSOL e o PCdoB, que avançam na formação de uma “frente ampla” com partidos da “oposição” burguesa com o objetivo de eleger um novo governo de frente popular, de coligação com os partidos patronais, nas eleições do ano que vem. É preciso também denunciar o apoio à política burguesa da “frente ampla” dado pelas direções burocráticas do movimento sindical (CUT, CTB, Força Sindical, UGT e demais centrais pelegas), dos movimentos populares (MST, MTST, CMP, etc.) e da maioria dos coletivos da juventude e da luta antiopressões.

O terceiro acordo é colocar em primeiro plano na conjuntura a luta pela derrubada do governo Bolsonaro e Mourão, ao que acrescentamos também a bandeira de Fora o Congresso patronal e corrupto, que deve ser articulada com as lutas contra todos os governos burgueses nos estados e municípios, todos eles sócios das medidas antipovo implementadas por Bolsonaro-Guedes e o Congresso Nacional.

Sobre estas bases de acordo programático e político, acreditamos que podemos avançar na construção do Polo. Sintetizaremos em seguida os pontos políticos, a nosso ver fundamentais, que queremos submeter ao debate com as/os camaradas, para identificarmos até que ponto são divergências ou matizes a serem superados no debate.  

Primeiro, não temos acordo com a suposta “unidade de ação” com a burguesia na luta pelo Fora Bolsonaro, defendida no Manifesto. Tal “unidade” só tem servido para pavimentar a construção da “frente ampla” de Lula e Boulos, levando ao enfraquecimento dos atos Fora Bolsonaro e à exclusão das massas trabalhadoras desta luta política. Entendemos que não há nenhum setor da burguesia que esteja pela saída de Bolsonaro antes das eleições de 2022, e os setores que já participam dos atos (tipo o falastrão Ciro Gomes, do PDT, ou o golpista Roberto Freire, do Cidadania, ou o Diretório Municipal do PSDB de São Paulo) buscam apenas ocupar palanques para se projetar para as eleições do ano que vem. Como fazer “unidade de ação”, por exemplo, com o governador Dória (PSDB), que coloca hashtags #ForaBolsonaro nas redes sociais enquanto ataca o funcionalismo público com medidas iguais às de Bolsonaro (PLC26), persegue professoras e professores nas escolas (vide os processos contra Viviane Pereira e Alex Viana) e é corresponsável pelo genocídio da classe trabalhadora durante a pandemia? Para garantir esta falsa unidade com os patrões, as direções do movimento boicotam a unidade da luta pelo Fora Bolsonaro com as lutas que estão se dando na base da classe trabalhadora, como a luta dos trabalhadores dos Correios contra a privatização, a luta do funcionalismo público contra a Reforma Administrativa  (PEC 32, PLC 26, etc.), as greves dos operários da GM e da Gerdau em defesa do salário, a luta dos povos originários contra o Marco Temporal, e outras tantas que ocorrem pelo país, deixadas no isolamento diante do ataque unificado da patronal e todos os seus governos. Não é consequente propor um Polo socialista e revolucionário contra a burguesia e as direções reformistas, e, ao mesmo tempo, se manter alinhado a esta falsa política de unidade com a patronal aplicada pelas direções frente populistas.

O segundo ponto que queremos colocar em discussão é a necessidade de ter uma política para incidir e dialogar com os milhões de trabalhadoras e trabalhadores e milhares de ativistas das lutas que hoje apoiam a política de “frente ampla” e de um novo governo de Lula em coligação com a burguesia. É preciso formular uma política para dialogar com essa falsa consciência das massas e da vanguarda. Esse diálogo começa com a denúncia, na forma de uma explicação paciente dos erros e traições da política de Lula e seus aliados da esquerda. Mas, não pode se resumir à denúncia, é preciso exigir de Lula e Boulos, e das direções dos sindicatos, movimentos e coletivos que apoiam a “frente ampla”, que rompam com a burguesia e tomem o caminho de um Governo da Classe Trabalhadora, sem patrões. Retirando do arsenal tático do leninismo, do trotsquismo, e de outras correntes que se apresentem, as táticas e palavras de ordem corretas para desmascarar a política burguesa destes dirigentes.

Por fim, entendemos que o combate para a construção de um Polo Socialista e Revolucionário deve ser dado na base, a partir dos locais de trabalho, nas escolas, nos bairros populares, nas ocupações, entre os povos do campo e das florestas, sobretudo nas bases controladas pelas direções burocráticas frente populistas, para avançar na organização e unificação das lutas atuais e pelo Fora Bolsonaro, já!, e na organização de um setor de vanguarda consciente da luta pela independência de classe e pela revolução socialista.

Queremos, com estas questões, contribuir ao debate para a formação do Polo. E sugerir aos camaradas que seja organizado um próximo encontro presencial, para dar mais qualidade e vivacidade às discussões e encaminhamentos. 

Saudações socialistas e revolucionárias!

GOI – Grupo Operário Internacionalista (6/10/2021)

(Acesse a página do Polo em https://polosocialista.com.br/)

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