Supermercado do futuro: “sem interação humana”, no capitalismo desumano.

Sandra Fortes

Eu já havia lido a respeito do auto atendimento implantado em um mini mercado de um condomínio residencial em Taboão da Serra, que funciona 24 horas por dia sem funcionárias/os. Nesta semana, uma das maiores redes de supermercados, o Carrefour, também inaugurou a nova modalidade de lojas sem atendentes em São Paulo (veja a matéria clicando aqui).

Em Fevereiro tive a oportunidade de ver ao vivo a implantação deste sistema. Com orientação de três funcionárias, no Extra de Taboão da Serra, funcionavam seis caixas de auto atendimento, onde a/o cliente passavam os produtos para a leitura do código de barras dos produtos, no máximo 20, totalizavam a compra e efetuavam o pagamento. Uma quarta funcionária já havia, no início da fila, pesado os produtos vendidos por quilo no varejo e etiquetado para este posterior pagamento. Sob a supervisão de um único homem que deve ser o fiscal, ou supervisor, que circulava e gesticulava, organizando o atendimento.

Do lado esquerdo deste sistema, inúmeros caixas tradicionais, com as operadoras sobrecarregadas finalizando as compras dos/das clientes nas filas imensas. Eu estava numa delas pensando naquilo tudo.

O auto atendimento muito mais rápido era a atração! No entanto, tanto a pequena quantidade de produtos, quanto o pagamento exclusivo por cartão e, no futuro, sem auxílio, impedem a utilização deste sistema rápido por muitas e muitos que não dominam o uso de sistemas digitais, não efetuam compras com cartões ou estavam com mais de 20 ítens. Detalhe: ao implantar este sistema de auto atendimento, o Extra aboliu os “caixas rápidos”.

O principal detalhe que este sistema “rápido e eficiente” esconde é o desemprego já e o desemprego futuro de inúmeras/os operadores de caixa: desnecessários, obsoletos, como se tornaram desnecessários e obsoletos os “embaladores”, abolidos na década de 90.

Nós, consumidores, além de pagarmos caro pelos produtos, teremos que pesar, passar as mercadorias para leitura dos preços, efetuar o pagamento e embalar as mercadorias. Todo este trabalho sem nenhum desconto dos preços dos produtos, com os quais os donos dos hipermercados seguirão lucrando milhões e bilhões com o não pagamento da força de trabalho. Não à toa, Abílio Diniz é um dos homens mais ricos do país e do mundo.

Este sistema “sem interação humana” vai aumentar os sistemas de segurança privada, com seguranças humanos cada vez mais parecidos com máquinas/robôs que atacam, agridem e matam, como no caso de Porto Alegre, em que João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi assassinado dentro do supermercado Carrefour, e tantos outros casos lamentáveis e revoltantes. Seguranças humanos também sem interação humana, desumanizados que desumanizam e matam para defender o capital.

Uma revolução no atendimento? Sim, sem dúvida! Que inspira a necessária revolução para acabar com a propriedade privada dos meios de produção, que precisa ser coletiva. Revolução no modo de trabalho e na vida da classe trabalhadora, que precisa ser toda empregada, para isso ter dividido todos os empregos que existem na sociedade entre todas as trabalhadoras e trabalhadores, reduzindo drasticamente a jornada de trabalho, recebendo um salário digno e justo que permita viver dignamente na sociedade cada vez mais desenvolvida que constrói diariamente. Usufruindo de todo o progresso e riqueza que constrói e que no capitalismo é apropriada principalmente ou  exclusivamente pela pequena parcela daqueles e daquelas que são proprietários dos meios de produção, e que nem trabalham: a burguesia (os patrões/oas).

Por isso é necessária e urgente a auto organização, auto defesa e luta independente da classe trabalhadora para um futuro Socialista, digno e feliz!

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