45 anos da ditadura militar argentina: NUNCA MAIS!

Reproduzimos abaixo o texto publicado pelos nossos camaradas argentinos da CTR – Corrente de Trabalhadores Revolucionários sobre este dia 24 de Março, data que marca o início da Ditadura Militar na Argentina em 1976 que durou até 1983. Milhares de lutadoras e lutadores, como fazem todos os anos, saíram as ruas para gritar “NUNCA MAIS!”.

Neste dia 24 de Março, desde nossa organização de trabalhadores CTR, queremos reafirmar nosso compromisso com a luta pelos Direitos Humanos, conquistas democráticas, a investigação e punição de todos os responsáveis ​​pela última ditadura militar, bem como de seus atuais imitadores do “gatilho fácil” (*é uma expressão utilizada em espanhol para indicar o uso abusivo pelas forças de segurança de armas de fogo, geralmente apresentadas pela polícia como ação acidental ou de legítima defesa), os feminicídios e a xenofobia, a repressão às lutas populares, os desaparecimentos da democracia como a de Julio López e outros colegas. Comemoramos neste dia 24 a derrota dos genocidas: Videla e seus cúmplices, militares e civis, até hoje, grande parte sem serem julgados.

Uma tragédia que começou muito antes em nosso país, desde o assassinato em massa de comunidades indígenas, passando pelas execuções na Patagônia e a “Semana Trágica” durante o “governo radical democrático de Hipólito Yrigoyen” de centenas de trabalhadores que reivindicaram seus direitos. Após os assassinatos da “Triplo A”, sob o governo de Juan Domingo Perón e Isabelita, com uma longa lista de lutadores operários e estudantes massacrados e torturados, até chegar à Junta Militar que através do “Terrorismo de Estado” causou um dos mais sombrios e piores momentos da nossa história, sem parar na guerra das Malvinas, que merece um capítulo à parte, houve outros golpes militares e outros massacres que por questões de espaço não podemos descrever.

Para nós a luta não começa nem termina no dia 24 de Março, este é apenas um marco na luta permanente dos trabalhadores contra as injustiças do sistema capitalista, que torna a nossa luta no dia 24 de Março uma luta de todos os dias. Hoje nos encontramos com um governo que ameaça fazer uma coisa e faz o contrário, favorecendo empresários que não se cansam de demitir e realizar ajustes ficais, apoiando a megamineração representada pelas empresas imperialistas, reprimindo ocupações como fez o Ministro da Segurança, Sergio Berni, que deixa crescer a extrema direita de Patricia Bullrich e a direita do PRO, quando colocam sacos mortuários com nomes de dirigentes de direitos humanos ou políticos, numa prova de dar “luz verde” a estes setores sem tomar nenhuma providência. Quando morre um criminoso e leiloeiro do país, como Menem, o vice-presidente e o presidente oferecem suas condolências à família sem denunciá-lo e sem nem sequer julgá-lo em vida.

Quando mandam professores, servidores públicos e trabalhadores em geral para morrerem com a pandemia, com uma vacinação que privilegia os ricos e abastados, funcionários e políticos, mas escasseia-se quando tem que atingir a população. Este novo genocídio capitalista, com milhares de infectados e mortos, é a nova história dos atuais “24”. Engana-se quem acredita que basta dizer “Nunca Mais”, ou marchar nesta data. A luta contra a tragédia de “24” está todos os dias nas ruas, nas fábricas, nas escolas, nos hospitais, nos institutos de estudantes. O crescimento da direita não para com afirmações. Está implícito e explícito em cada destituição, em cada injustiça, em cada feminicídio, em cada “Guernica”, em cada Santiago Maldonado, em cada Facundo Castro… Por isso, é inaceitável que hoje existam organizações de direitos humanos que levantam a bandeira para defender um governo que se senta para negociar com genocidas como Piñera, o presidente do Chile, que atua de forma repressiva como Berni, que apoia traidores sindicais como Daer, para citar alguns.

A união de todas as organizações é necessária, não só por este “24”, mas a cada dia para lutar contra a direita, defender a democracia e não permitir injustiças. Portanto, nós da CTR aderimos à marcha convocada por “Memória, Verdade e Justiça”, e pela FIT, mas afirmando que deve haver um apelo dessas organizações àqueles que, sendo referências de direitos humanos, como as “Mães e Avós”, que rompam com o Governo e façam a unidade para marcharmos todos juntos.

⛔ 30.000 COMPANHEIROS DESAPARECIDOS PRESENTES, AGORA E PARA SEMPRE 👊

⛔ NÃO ESQUECEMOS, NÃO PERDOAMOS, NÃO NOS RECONCILIAMOS.

⛔ INVESTIGAÇÃO, JULGAMENTO E PUNIÇÃO PARA TODOS OS GENOCIDAS

⛔ LIBERDADE IMEDIATA DE TODOS OS PRISIONEIROS POLÍTICOS

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