As medidas socialistas para acabar com o desemprego

Por Wiliam Felippe

O desemprego está jogando na rua centenas de milhões de trabalhadores em todo o mundo e é uma ameaça que pesa sobre a cabeça de toda a classe trabalhadora.

Os empresários e seus porta vozes (economistas, mídia) apresentam o desemprego como se fosse uma catástrofe natural, como um furacão ou um terremoto. Mas, isso é uma grande mentira! O desemprego tem causas sociais.

A primeira causa é a evolução da tecnologia, que os donos das empresas utilizam para cortar postos de trabalho. A segunda é a falta de planejamento da produção, cada empresa produz a quantidade que quer, e periodicamente ocorre uma superprodução de mercadorias, que não consegue ser vendida, aí as fábricas tem de diminuir a produção e demitem funcionários.

Como resolver este grave problema? Os reformistas, como Lula, Boulos e demais dirigentes, sindicalistas e parlamentares do PT, PC do B e PSOL, propõem criar uma Renda Mínima, paga pelo governo a todos os desempregados. Os patrões aplaudem esta proposta. Um dos defensores da Renda Mínima é o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, e há um clube de bilionários, como Bill Gates, George Soros e Abigail Disney que se dispõem até a pagar mais impostos para bancar esta renda mínima para os pobres do mundo. O mais novo defensor desta proposta é o presidente Bolsonaro (!!), com a tal de Renda Brasil, que é uma Bolsa Família “turbinada” que pretende pagar até 300 reais para cerca de 15 milhões de famílias brasileiras.

Ora, com tantos defensores que vão de esquerdistas até fascistas e com o beneplácito dos mais ricos do mundo, a proposta da Renda Mínima parece ser muito boa! Afinal, quem poderia ser contra que o Estado sustente pessoas sem condições de se manter? Contudo, é preciso refletir sobre isso.

Os socialistas revolucionários não são contra a Renda Mínima, assim como não somos contra nenhuma medida que busque minimizar o sofrimento e a exploração da classe trabalhadora. Porém, estas propostas reformistas não são solução para os problemas do proletariado, como o desemprego. A Renda Mínima não passa de uma esmola, uma forma “moderna” de caridade dos ricos para manter milhões de trabalhadoras e trabalhadores na indigência. Afinal, 600 reais ou 300 reais por mês para uma família, no máximo pode amenizar a fome das pessoas! Mas, esmagam a dignidade das trabalhadoras e trabalhadores que são obrigados a sobreviver como mendigos modernos com cartão magnético. Com isso, a burguesia e seus capachos da esquerda e da direita acreditam que vão evitar a revolta dos famintos.

O objetivo dos socialistas é acabar com o desemprego, garantindo emprego e vida digna para toda a classe trabalhadora. Parece impossível, mas isso pode ser feito com duas medidas muito simples. A primeira é a Escala Móvel de Horas de Trabalho: as horas de trabalho seriam divididas entre todos os trabalhadores e trabalhadoras, a jornada seria reduzida, sem reduzir os salários e direitos. A segunda é o Plano de Obras Públicas para construir moradias, hospitais e postos de saúde, redes de água e esgoto, escolas, ruas e estradas, ferrovias e metrô, e inúmeras obras que são necessárias para melhorar as condições de vida e de saúde da população trabalhadora.

Mas, apesar de simples, estas medidas são impossíveis de serem implementadas numa sociedade que funciona apenas para enriquecer o capital do 1% de bilionários. Só uma sociedade em que a prioridade é o SOCIAL e não o capital pode garanti-las. Uma sociedade socialista, na qual trabalhadoras e trabalhadores possam viver cada vez melhor com base no seu trabalho digno e produtivo para o conjunto da coletividade humana. Mas, para conquistar isso será preciso fazer uma revolução socialista para acabar com os privilégios de classe dos parasitas que vivem da exploração do nosso trabalho, a burguesia.

(Artigo originalmente publicado no jornal Palavra Operária nº 7, de outubro-novembro/2020)

(Imagem: fila para receber o auxílio emergencial)

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