#GreveRenault | Nenhuma confiança na Justiça burguesa! Só a força da greve pode reverter as demissões!

Na última quarta feira, 05/7, o Ministério Público do Trabalho, através de uma liminar da 3ª Vara do Trabalho de São José dos Pinhais, determinou a imediata readmissão dos 747 operários e operárias demitidos pela Renault em 21/7. A pressão do movimento grevista, após 15 dias de greve, obrigou a Justiça a interferir no processo e o resultado do parecer da Juíza Sandra Mara de Oliveira Dias, exigindo que a empresa anulasse as demissões, sob pena de multa diária de R$ 100.000,00, revela a força da greve dos metalúrgicos. 

Em nota, logo após o anúncio da decisão da Justiça, a Renault se posicionou da seguinte forma: “Em função da necessidade de adequação do quadro de efetivos, motivado pelo agravamento da crise gerada pela Covid-19, da queda das vendas da Renault em 47% no primeiro semestre e da falta de perspectiva de retomada do mercado, a Renault irá analisar o conteúdo da decisão, assim que receber, e irá recorrer às instâncias da justiça que forem adequadas.”

O posicionamento da Justiça em favor dos operários e operárias, no entanto, precisa ser analisado com cautela, visto que essa vitória jurídica possui um significado político próprio, das relações entre a instituição e a empresa. A Justiça está preocupada apenas em manter sua própria autoridade, pois a Renault desconheceu olimpicamente o TAC (Termo de Ajuste de Conduta) firmado com o Ministério Público do Trabalho, onde se compromete a não realizar demissões em massa sem antes negociar com o Sindicato da categoria. Na melhor das hipóteses, querem obrigar a Renault a fazer as demissões sob a autoridade da Justiça, para parecer que foi um processo democrático. Não estão preocupados com a manutenção dos empregos.

Na quinta feira, 06/8, a Renault voltou à mesa de negociação com o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. O presidente do sindicato, Sérgio Butka, deu a seguinte declaração: “Atendendo nosso pedido, a Renault finalmente aceitou sentar para conversarmos e debater a situação dos trabalhadores e da fábrica. Sempre estivemos abertos para debater alternativas que a empresa pode utilizar antes de demitir simplesmente. Queremos construir uma proposta que atenda todos os trabalhadores da fábrica assim como fortaleça a competitividade da empresa. Esse sempre foi o nosso objetivo e vamos trabalhar para isso.”

A fala de Butka é preocupante. Para o capital, neste momento de agudização da crise do sistema capitalista, não há outra forma de manter a competitividade senão através de demissões e precarização das relações de trabalho. Esse é o plano da Renault e de outras multinacionais. Por isso, ao contrário do que afirma o presidente do sindicato, não há como conciliar os interesses do capital (Renault), cujo único objetivo é o lucro, e do trabalho (operários grevistas), cujo objetivo é manter os empregos, salários e direitos. Os operários e operárias da Renault não estão fazendo a maior greve metalúrgica dos últimos anos apenas para terminar aceitando as 747 demissões através de um PDV, que, como a Renault já deixou nítido, não vai parar por aí. A empresa já demitiu 300 contratados no início do ano e seu plano de PDV visa demitir mais 1050 trabalhadores e trabalhadoras.

É por isso que seguimos chamando os operários e operárias da Renault a confiarem apenas na força de sua mobilização e da solidariedade da classe trabalhadora para impor uma derrota à patronal e reverter as demissões, além de garantir empregos, salários e direitos.

A pandemia do Coronavírus agudizou a crise econômica capitalista e as grandes empresas e seus governos estão colocando sobre os ombros da nossa classe a conta desta crise criada por eles. São diversos os relatos que nos chegam de demissões arbitrárias e ataques aos direitos dos trabalhadores. Denunciado recentemente pelo Treta no Trampo, a Metalúrgica Cruzaço, de Jarinu/SP, declarou falência e demitiu todos seus funcionários no início da pandemia, dando um calote nos operários, que ficaram sem receber suas rescisões, salários e até o FGTS. Na última semana, os operários descobriram que a fábrica estava funcionando com trabalhadores contratados por hora, de forma ilegal e clandestina. Eles realizaram um ato em frente à fábrica para exigir seus direitos.

Em Curitiba, no início de Junho, cerca de 50 operários da BRASCAP, que também fazem parte da base do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, foram surpreendidos com o fechamento da fábrica e não receberam nada dos seus direitos trabalhistas. O patrão havia saído do país e o maquinário estava sendo retirado da fábrica para ser vendido. Eles tiveram de se organizar e também se manifestaram na frente da fábrica para exigir seus salários e direitos.

Estes exemplos mostram a ganância dos patrões e revelam que, não à toa, os setores da produção e circulação de mercadorias tem ganhado bastante destaque nesse período da pandemia, sendo obrigados a se organizar e lutar contra a retirada de direitos e precarização do trabalho, como foi a greve dos entregadores de aplicativo, dos Metroviários de São Paulo e a própria greve na Renault, que consideramos ser a principal luta da classe trabalhadora hoje no país. 

A greve da Renault, que chega hoje ao seu 20º dia, pode ser o estopim de uma grande luta da classe operária metalúrgica em todo o país. Mas, infelizmente, a política imobilista dos demais sindicatos metalúrgicos e centrais sindicais majoritárias (Força Sindical, CUT) e a capitulação da  Intersindical e da CSP-Conlutas, que não apresentam uma proposta de plano de luta alternativo, está mantendo isolada a heróica greve da Renault. Por isso, mantemos o chamado e as exigências à estas direções sindicais (apresentadas em nossa Carta Aberta de 30/7) por uma Campanha Nacional de apoio aos grevistas da Renault e de Mobilização dos Metalúrgicos em defesa dos empregos, salários e direitos.

Em Barcelona, na Espanha, operários e operárias da Nissan, após quase 100 dias de greve, conseguiram reverter o fechamento da fábrica e a demissão de mais de 3 mil trabalhadores e trabalhadoras, além das demissões indiretas (que podiam chegar aos 20 mil). Este exemplo de resistência operária mostra aos grevistas da Renault que é possível vencer!

Todo apoio aos grevistas da Renault! Até a vitória! #Somos747

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