Carta do GOI aos operários e operárias da Renault

Nós do GOI – Grupo Operário Internacionalista, assim como qualquer outro grupo revolucionário e proletário, temos total interesse de que a greve dos companheiros e companheiras metalúrgicos da Renault de São José dos Pinhais/PR seja vitoriosa. Desde o primeiro dia, iniciamos uma campanha para divulgar e apoiar o movimento grevista de vocês. Chegamos a estar presentes nos piquetes para prestar nossa solidariedade e levamos uma faixa de apoio da região onde alguns militantes nossos residem em São José dos Pinhais. O grupo CTR – Corrente de Trabalhadores Revolucionários, da Argentina, com quem temos relações internacionais, também tem divulgado a necessidade do apoio e solidariedade à greve. Publicamos uma carta aberta dirigida à CSP Conlutas, central da qual fazemos parte, além das outras centrais e sindicatos de metalúrgicos, propondo um Plano de Lutas de solidariedade ativa à greve na Renault e de mobilização dos metalúrgicos, com ações concretas que levem a categoria à vitória. Além disso, fizemos no dia 31/7 uma panfletagem na Cinpal, fábrica de autopeças em Taboão da Serra/SP, para informar e pedir apoio aos operários e operárias à sua luta contra as 747 demissões.

Temos feito tudo isso por entendermos a importância da luta que está sendo feita no Paraná e porque temos a consciência de que a classe trabalhadora é uma só. Uma vitória dos operários e operárias da Renault é uma vitória de toda a classe trabalhadora brasileira e, inclusive, internacional. Sendo assim, queremos utilizar esta carta para enviar aos irmãos e irmãs trabalhadores da Renault nossas propostas para que a greve de vocês se fortaleça ainda mais e saia vitoriosa. Estas propostas não são um ultimato, mas propostas sinceras de um grupo que se preocupa e tem como objetivo contribuir com a sua luta e com a emancipação da classe trabalhadora.

1. Assim como foi na FORD no ano passado, que depois de explorar por 52 anos a força de trabalho operária brasileira, simplesmente fechou as portas, demitindo cerca de 3 mil trabalhadores e trabalhadoras, a Renault do Brasil, ao realizar 747 demissões, em plena pandemia, demonstra como os patrões só tratam a classe operária como mero objeto descartável, e não tão nem aí para nossas vidas e de nossas famílias.

2. A greve de vocês precisa se manter firme no objetivo de conquistar a readmissão imediata dos 747 demitidos. Uma melhoria nos “benefícios rescisórios” não é solução para os/as demitidos/as. Nem tampouco, a proposta da Renault de PDV para demitir 1050 funcionários/as. A Volvo recentemente aplicou um PDV semelhante, fazendo com que 2.700 operários e operárias fossem obrigados à aceitá-lo.  

3. Os governos nada fazem para defender o nosso direito ao emprego: Lula e Dilma injetaram milhões de reais de subsídios na FORD e outras montadoras, tal como os governos paranaenses concederam bilhões de reais em isenções fiscais para a Renault e outras fábricas no Paraná, que usam este dinheiro para alavancar seus lucros e agora demitem e cortam direitos (como também ocorre na GM de São José dos Campos e outras fábricas). O governo Bolsonaro também não está nem aí para nossos empregos e direitos, é totalmente comprometido com os patrões e com o imperialismo norte americano, a exemplo da política que é adotada pela sua equipe econômica de vender o patrimônio público e atacar nossos direitos, como fez com a Reforma da Previdência e quer fazer com a venda das refinarias da Petrobrás.

4. Por isso chamamos aos operários e operárias a não depositarem nenhuma confiança no governo do Ratinho Jr. e de Bolsonaro para interferir e assegurar os empregos, nem na justiça dos patrões e nos deputados oportunistas comprometidos apenas com suas carreiras políticas.

5. Chamamos vocês a confiarem apenas na força da sua luta e na solidariedade da classe trabalhadora! É preciso que vocês tomem em suas mãos a organização da greve, através de comissões de base, para fazer as tarefas da greve junto com a diretoria do sindicato. Desde os piquetes nas portarias até a busca do apoio de outras fábricas e outras categorias. É preciso também que os grevistas da base participem das reuniões de negociação com a empresa, junto com o sindicato. Tudo deve ser feito e decidido com a participação direta dos grevistas. 

6. A luta que hoje está sendo travada na Renault é o maior exemplo de resistência contra as demissões que já atingem milhões de trabalhadores e trabalhadoras em todo o país. Mas, a luta de vocês não pode ficar isolada, porque assim vai ser mais difícil conquistar a readmissão dos 747. É preciso fazer uma Campanha Nacional com dois objetivos: conquistar o apoio ativo dos demais trabalhadores e trabalhadoras à sua greve; e buscar expandir a greve para outras fábricas e categorias.

7. Em primeiro lugar, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba precisa buscar expandir a greve na sua própria base metalúrgica, pois as outras empresas também estão demitindo ou prestes a demitir. É preciso expandir a greve da Renault para uma greve geral dos metalúrgicos da Grande Curitiba. 

8. Em segundo lugar, é preciso divulgar a greve de vocês e pedir o apoio dos metalúrgicos das principais montadoras e autopeças, a começar pela região do ABC, São José dos Campos e Campinas. Para isso, nada melhor do que uma conversa “olho no olho” entre os próprios operários e operárias. O sindicato deve organizar caravanas de ônibus com os grevistas que se disponham, para ir até as montadoras do ABC, SJC e Campinas para que os próprios operários e operárias falem de sua luta e chamem seus colegas a entrar na luta também. Chamamos os operários e operárias a exigir das direções dos sindicatos que iniciem um grande movimento de apoio à luta na Renault, expandindo também para uma luta nacional unificada em defesa dos empregos, salários e direitos. 

9. Esta Campanha Nacional precisa ser feita também pelos principais sindicatos metalúrgicos das montadoras e autopeças (ABC, São Paulo, Osasco, São José dos Campos, Campinas, etc) e pelas centrais sindicais que organizam os metalúrgicos (Força Sindical, CUT, CTB, Intersindical e CSP-Conlutas). Na semana passada houve atos nas concessionárias, o que é bom, mas ainda é muito pouco diante do que precisa ser feito em apoio à greve. Os dirigentes destes sindicatos e centrais precisam aproveitar este momento da greve da Renault para tentar mobilizar todos os metalúrgicos, a começar pelas montadoras e autopeças, que também estão sendo demitidos e ameaçados de demissão. É necessário e é possível organizar várias ações de luta: assembleias nas empresas, atrasos na entrada, paralisações de algumas horas ou de um dia. É preciso construir a greve geral dos operários das montadoras e autopeças e demais metalúrgicos em defesa dos empregos, salários e direitos. É hora de todos irem à luta!

10. A classe operária precisa impor através da sua luta uma solução socialista contra as demissões em massa que estão sendo feitas pela patronal. É possível manter todos os empregos através da escala móvel de horas de trabalho, dividindo o total das horas de trabalho na Renault entre todos os trabalhadores e trabalhadoras, sem redução de salários e direitos. A Renault (assim como toda empresa que está demitindo) deve abrir seus livros de contabilidade para que os trabalhadores possam conhecer sua real situação financeira. Se a empresa provar que não pode manter os empregos, é preciso impor a estatização da fábrica e implantar uma administração controlada pelos próprios operários e operárias. 

11. Os patrões, com a ajuda dos governos, parlamentares e juízes, estão aproveitando a pandemia do coronavírus para demitir trabalhadores, reduzir salários e cortar direitos. Só a luta unificada de toda a classe trabalhadora pode salvar a indústria nacional da destruição promovida pelas multinacionais e pelo governo Bolsonaro. Só a nossa luta pode evitar que nos imponham mais miséria, desemprego, fome e violência. Por isso, a nossa luta em cada fábrica e em cada categoria tem que se unificar também na luta por “Fora Bolsonaro e Mourão! Por um Governo da Classe Trabalhadora, sem patrões!”, construindo na luta um programa socialista da classe trabalhadora para enfrentar a crise.

GOI – Grupo Operário Internacionalista (03/8/2020)

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