PM reprime manifestação antifascista e protege bolsonaristas

Ao longo das últimas semanas, em resposta aos atos bolsonaristas que têm todo domingo saído às ruas e pedido intervenção militar e a volta da ditadura, grupos de antifascistas e de torcidas organizadas, corajosamente, romperam a política de “home office” da maioria da esquerda domesticada e vêm se organizando para enfrentar nas ruas os grupelhos fascistas. 

“Temos visto um movimento crescer no país, encabeçado pelo presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, de uma ameaça de golpe militar. Os partidos não se organizam, então nós que somos o povo nos organizamos e viemos para a rua. O Corinthians é o povo.”, disse no domingo, 31/5, na Avenida Paulista, Chico Malfitani, fundador da Gaviões da Fiel.

Na onda da revolta popular e multirracial que tem levado milhares de pessoas às ruas dos Estados Unidos, neste domingo, 31 de Maio, as manifestações dos antifascistas ganharam corpo. Atos ocorreram em diversas capitais. Torcidas do Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo se unificaram num ato na capital Paulista. Em outros estados, como no Paraná e Rio de Janeiro, também houve atos unificados de torcidas de times que são tradicionalmente rivais. 

A repressão aos atos também se intensificou. A PM já vinha usando dois pesos e duas medidas em relação aos atos de bolsonaristas e de antifascistas, como vimos semanas atrás com as prisões arbitrárias de antifas em Porto Alegre. Enquanto isso, nada fizeram contra o grupo miliciano chamado “300 do Brasil”, de Sara Winter, que montou um acampamento em Brasília para explicitamente chamar a derrubada do Congresso e do STF, assim como para atacar as organizações de esquerda e da classe trabalhadora, como vimos na agressão sofrida por enfermeiras e enfermeiros no ato de 1º de Maio. Este mesmo grupo organizou no dia 30/5 uma marcha com tochas e máscaras em Brasília, para lembrar os métodos utilizados pela Ku Klux Klan (organização americana que praticava violência contra negros) e pelo nazismo alemão. 

No último domingo, na Avenida Paulista, esta atitude da PM ficou escancarada em imagens amplamente divulgadas nas redes sociais. Uma mulher branca, parte do pequeno grupo de defensores de Bolsonaro, que portava a bandeira do Brasil e uma máscara com a bandeira dos Estados Unidos, foi gentilmente retirada e escoltada do local por um policial militar de São Paulo, após ameaçar os antifascistas com um taco de beisebol. Logo depois, a PM desatou uma violenta repressão com bombas e gás lacrimogênio contra milhares de antifascistas que se manifestavam pacificamente.

Estes fatos demonstram a conivência da PM, a mando dos oficiais e comandantes da instituição e dos governadores, assim como do Judiciário, com os atos antidemocráticos dos fascistas/neonazistas/bolsonaristas. Enquanto reprime e prende o povo pobre e trabalhador, deixa solta a classe média branca e racista. Se fosse um antifascista ou um jovem negro portando o mesmo taco de beisebol, sabemos que a atitude do PM teria sido outra… Lembremo-nos de Rafael Braga que, nas manifestações de Junho de 2013, foi preso apenas por carregar uma garrafa Pinho Sol em sua bolsa (!). 

Chamamos a todas as organizações da classe trabalhadora a repudiar e denunciar a cumplicidade e a atitude covarde da PM. Mais do que isso, chamamos todos os partidos que falam em nome da classe trabalhadora (PT, PCdoB, PSOL, UP, PCB, PCO, PSTU) e as centrais sindicais majoritárias (CUT, CTB, Força Sindical) a sair da quarentena política e se integrar aos atos de rua e a resistência antifascista, como fez a CSP Conlutas, que esteve presente no ato deste domingo, fazendo um amplo chamado pela mobilização e a organização da classe trabalhadora. Chega de capitular ao chavão do “Fique em Casa” da burguesia e sua imprensa, que não vale para a maioria da nossa classe, que tem que sair para trabalhar, desprotegida e se arriscando todos os dias!

Acabou a quarentena política! Quando o pior vírus é o governo, derrubá-lo se torna uma necessidade imediata e uma medida de prevenção à saúde pública! O trabalho revolucionário é uma atividade essencial. E a luta de classes não está em quarentena! Chegou a hora da classe trabalhadora entrar em cena, com projeto próprio, palavras de ordem em defesa dos empregos, direitos, saúde e moradia, e de mobilização própria! Não podemos continuar morrendo para que os capitalistas mantenham seus lucros! Devemos ampliar a luta contra as medidas antidemocráticas do governo federal e governos estaduais e municipais e contra o autoritarismo da PM, que mata todos os dias jovens negros e da periferia e que reprime duramente os atos da classe trabalhadora, enquanto protege a burguesia e suas instituições decrépitas.

Aproveitamos também para abrir um diálogo com a base de soldados e praças. Sabemos que nem toda a base da PM é bolsonarista, como demonstra a iniciativa do movimento dos policiais antifascismo, criado na Bahia e que hoje tem atividade em diversos estados. No dia 30/5, 5º dia de protestos antirracistas nos Estados Unidos, no Estado da Florida, vimos policiais se curvarem diante dos manifestantes em respeito à memória de George Floyd e contra as práticas repressivas e racistas da polícia dos Estados Unidos. A atitude destes policiais, assim como a iniciativa de movimentos das forças armadas no Brasil, como os policiais antifascismo, merecem ser divulgadas. Chamamos os PMs a baixarem suas armas para a classe trabalhadora e as mirarem aos nossos inimigos de classe! Você, aí, fardado, também é explorado! Por que, então, não vem lutar do nosso lado?! Juntem-se a nós na luta por uma sociedade sem opressão e sem exploração!

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