As vítimas anônimas da Covid19: onde moravam, no que trabalhavam, qual sua “raça”/etnia?

Por Sandra Fortes

A Covid19 mata trabalhadoras e trabalhadores, transformad@s em  anônim@s  nos obituários da mídia burguesa.

Meu nome é Joana. Tenho 31 anos. Moro no Jardim Angela/SP,  sou operadora de telemarketing.

Meu nome é Maria Célia, tenho 33 anos, moro em Queimados, Baixada Fluminense, sou operária.

Meu nome é Anderson, tenho 42 anos, moro em São Luís/MA, sou motorista de ônibus.” 

É assim que nos apresentamos, e como as pessoas se apresentam a nós, em conversas e encontros cotidianos. Com o passar do tempo vamos obtendo mais informações: se é casad@ ou solteir@, se tem filh@s, onde nasceu, pra que time torce, se tem religião, gostos musicais…

Em tempos de pandemia do Coronavírus, quarentena, contágio e milhares de mortes,  este código de relações sociais está sendo drástica e absurdamente adulterado pela burguesia e sua mídia.

Além de divulgar o chavão “Fique em Casa 💜”, que não vale para a maioria trabalhadora que tem que sair pra trabalhar, tratam as vítimas fatais da Covid19, pobres e trabalhadoras, como massas de mortas e mortos sem identidade, sem  classe social, sem as profissões que lhes transformaram em vítimas da Covid19.  Isso nos indigna!

Os noticiários burgueses fazem parecer que as pessoas que morrem acometidas pela Covid19 não ficaram em casa, não se cuidaram ou tinham comorbidades, por isso o contágio e a morte. E quais são as trabalhadoras e trabalhadores que no exercício das profissões não adquirem hipertensão arterial, diabetes, problemas cardíacos, respiratórios e outros que ainda transferem para filhos e filhas? São crianças com problemas renais, altas taxas de glicose no sangue, obesidade, asma, bronquites, alergias e outras doenças provocadas pela alimentação venenosa que nos impõem os capitalistas, para baratear seus custos e  aumentar seus lucros. 

Assim, depois de mortos por uma doença cuja prevenção foi negligenciada pelos patrões e seus governos, estes nos rotulam de obesos, hipertensos, diabéticos, asmáticos… Omitem  criminosa e propositalmente as condições em que trabalham  as  trabalhadoras e trabalhadores dos “serviços essenciais”, realizados principalmente por jovens, negras e negros. Condições de trabalho que não  garantem nossa proteção: desde as máscaras, álcool em gel, distanciamento nos transportes e locais de trabalho, até a alimentação adequada que  permita ter imunidade, salário digno que  garanta moradias arejadas, confortáveis e adequadas ao número de familiares, jornadas reduzidas que  garantam o sono adequado para refazer a força de trabalho.

Estes capitalistas parasitas gananciosos, seus governos e suas mídias tentam  romantizar as mortes na nossa classe, fazem orações e homenagens com musiquinhas, e comunicam ao final de cada dia o obituário anônimo d@s mort@s pela Covid-19, omitindo o principal:  os nomes, as profissões, a “raça”/etnia, o local de trabalho e de moradia das trabalhadoras e trabalhadores mort@s.

Fazem isso para não caracterizar a Covid19 como doença ou acidente de trabalho. Criminosos! A Covid19 se soma às inúmeras doenças e acidentes que vitimam a classe trabalhadora, para assegurar os lucros capitalistas. 

Escondem a verdadeira face das vítimas da Covid-19 para não escancarar que a morte tem um endereço certo: as trabalhadoras e trabalhadores cujas vidas tão valiosas foram interrompidas, enquanto seguiam trabalhando para enriquecer @s don@s do capital.

E, sobretudo, para tentar, inutilmente, evitar que tomemos cada vez mais consciência de que o capitalismo é um sistema que não nos serve, que esparrama miséria, sofrimento e morte para aquelas e aqueles que vivem do suor dos seus trabalhos, apenas para seguir enriquecendo a pequena classe de parasitas que detém o poder econômico e político.

O Setorial de Trabalhador@s dos Correios da CSP Conlutas, com base  num levantamento feito pela Fentect,  buscou identificar as vítimas da Covid19, entre trabalhadoras e trabalhadores da categoria. Denunciou que a direção da empresa está escondendo estes dados. 

Os sindicatos,  organizações e partidos que falam em nome da classe trabalhadora, deveriam estar, no mínimo, fazendo o mesmo no conjunto das categorias. 

Juliana Prates, psicóloga, no artigo “João Pedro e a história das ‘crianças matáveis’ no Brasil”, escreveu: “às nossas crianças mortas, nenhum minuto de silêncio, mas uma vida inteira de lutas. João Pedro, presente!”.

Nós afirmamos:

Trabalhadoras e trabalhadores, com seus respectivos nomes, profissões, idades, locais de moradia e trabalho, vítimas da Covid19 e da ganância do Capital, Presentes! 

Nenhum minuto de silêncio! Vamos à luta para fazer justiça às nossas e aos nossos que tombaram trabalhando. Vamos à luta para colocar fim a esta sociedade capitalista de opressão, exploração, miséria e morte. Vamos à luta para construir uma sociedade socialista, onde nossa classe, que produz todas as riquezas, governe e tenha direito a elas e a uma vida digna!

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