Equador: Cenas da Barbárie Capitalista

Desde a CTR – Corrente de Trabalhador@s Revolucionári@s da Argentina e do GOI – Grupo Operário Internacionalista do Brasil, nos somamos à solidariedade e apoio internacional diante da situação vivida pelo povo andino do Equador.


A crise sanitária que atinge todos os povos e trabalhador@s do mundo, e que agudiza e aprofunda a crise da economia capitalista global, está sendo sentida de forma mais brutal e violenta nos países mais pobres e explorados pelo imperialismo, como é o caso do Equador. À medida que a Covid-19 avança pelo país, alimentada e impulsionada pela ganância da burguesia e do governo de Lenin Moreno, que está apenas preocupado em salvar os lucros dos capitalistas, se aprofunda a desigualdade social e vemos cada vez mais cenas de completa barbárie se instalar nas principais cidades, como é o caso de Guayaquil, que registra os maiores índices de contaminados e de vítimas do novo coronavírus, com diversos corpos jogados nas ruas e valas. Somente nesta semana, 800 corpos foram retirados dos lares proletários!


As mais diversas organizações do movimento d@s trabalhador@s (como a FUT, CUTCOP, UGTE) e indígenas (CONAIE), corretamente, denunciam a situação vivida em seu país. No entanto, assim como ocorre em diversos países, como na Argentina e no Brasil, as organizações que dirigem o movimento operário e de massas não apresentam um plano alternativo de resistência unificada do conjunto da nossa classe para enfrentar a crise sanitária e econômica, sustentando governos como o de Lenin Moreno no Equador e de Bolsonaro no Brasil, que possuem uma política genocida contra a população mais pobre e oprimida.


Vivemos a maior crise econômica, desde a crise de 1929, queda da bolsa de valores de Nova York. Vivemos a maior pandemia desde a Gripe Espanhola entre 1918 e 1920, ao final da Primeira Guerra Mundial. Os capitalistas jogam sobre nossas costas a conta da crise de seu sistema decrépito, que se mostra a cada dia mais incapaz de resolver as necessidades mais básicas da maioria da população. É por isso que nesta crise atual é intensificada a destruição das forças produtivas: quebra/falência generalizada de micro, pequenas, médias e até algumas grandes fábricas, empresas, comércios e bancos. Desemprego em massa. Milhares são as vidas proletárias dizimadas pela Covid-19, pela fome, ou por outras doenças decorrentes da miséria. Apenas os gigantes sobrevivem, no processo intensificado de “autofagia” da burguesia.
Parafraseando Trotsky, os governos, tanto democráticos quanto autoritários, vão de uma bancarrota a outra. As medidas que hoje estão sendo adotadas pela burguesia e seus governos de plantão não resolvem as contradições escancaradas com esta crise. Buscam tão somente salvar os lucros dos que detém os meios de produção, para que as consequências sobre a queda na taxa de lucro, sobretudo nos países imperialistas, não sejam tão nocivas como preveem os economistas burgueses. Esta é a realidade que atinge o Equador, mas também a Venezuela, Honduras, Chile, Haiti, Argentina, Brasil e demais países da América Latina. Os governos locais, a mando e a serviço de órgãos como o FMI, buscam salvar o imperialismo.


“A situação política mundial no seu conjunto caracteriza-se, antes de mais nada, pela crise histórica da direção do proletariado”.


Frente ao caos social instaurado, ao invés de mobilizar e organizar a luta do povo andino, as direções do movimento buscam a conciliação de classes, criando ilusões nas massas trabalhador@s de que as instituições da burguesia poderão ajudá-las. É preciso que os lutadores e lutadoras que estiveram na linha de frente das mobilizações que sacudiram o Equador em 2019, e que confiam nestas direções do movimento, exijam delas uma postura diferente. Para a classe trabalhadora, a luta contra o Covid-19, o desemprego e a miséria é uma luta de vida ou morte! O povo está cansado de contabilizar mort@s e vítimas, assim como de não ter onde enterrar seus entes queridos e familiares, e de não ter como se proteger do vírus, pois não há um sistema de saúde pública nem medidas concretas que atendam as demandas básicas da população. É preciso transformar a justa indignação do povo pobre e trabalhador na luta revolucionária pelo socialismo. Com medidas concretas que possam ser discutidas e construídas através de um plano de lutas e da organização das massas, somente assim será possível reverter à barbárie que atinge o Equador e que atingirá inevitavelmente outros países que sofrem com a pandemia e a crise capitalista, caso não se construa uma direção política revolucionária e comprometida com a defesa de um Governo Operário e Popular, sem patrões.

Brasil/Argentina, 16 de Abril de 2020.

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