O Vírus da Crise

A classe trabalhadora mundial enfrenta a maior pandemia desde a gripe espanhola de 1918, em meio à maior crise econômica, desde 1929

Sim! São el@s que mandam! Os donos das fábricas, das terras, dos shoppings, dos supermercados, dos bancos, dos transportes coletivos, das estações de trens, ônibus e metrôs e um longo etc. Capitalistas, proprietári@s dos meios de produção. Esta classe que detém o poder econômico e político. Sua mídia divulga o que a classe dominante determina, do jeito que ela quer que as informações cheguem até nós.

A nós, classe trabalhadora resta vender nossa força de trabalho para um/uma capitalista; trabalhar até ficarmos exaut@s, receber um mísero salário que não satisfaz nossas necessidades básicas e ficarmos à mercê deste poderosos, que nos fazem de gato e sapato.

O capítulo mais recente da ganância e falta de responsabilidade desta classe de poderos@s é a pandemia do Coronavírus. Entre outras epidemias (dengue, febre amarela, zicavírus, sarampo, tuberculose …). Os governos e capitalistas são os responsáveis pelas péssimas condições de moradia, trabalho, estudo, transportes, agravadas pela absoluta falta de atenção à saúde pública, falta de saneamento básico, que afetam e vitimam principalmente @s mais pobres.

Esta pandemia de Coronavírus é simultânea a uma nova e maior crise econômica capitalista mundial. Estamos assistindo a alta histórica do dólar e a queda vertiginosa das ações nas bolsas de valores.  Inúmeras grandes empresas sendo socorridas pelos governos com recursos públicos, como em crises passadas e outras tantas menores quebrando, falindo, com demissões em massa.

Esta pandemia do Coronavírus também é simultânea à brutal crise da condução unificada das lutas da classe trabalhadora mundial, contra os ataques da burguesia imperialista. Ilustram esta situação as imagens de Roma com ruas vazias, com @s pouc@s transeuntes advertidos para abandonar as ruas, por policiais mascarados. No entanto, nas fábricas italianas, onde se aglomera a classe operária para produzir os lucros fabulosos da burguesia, operári@s entraram em greve pela interrupção da produção, para que possam se proteger da epidemia.

São milhares de mortes na Ásia, Europa, Estados Unidos, África vítimas desta pandemia que se alastra numa velocidade surpreendente, ainda sem uma perspectiva de ser contida. O Convid-19 se alastra agora aos países da América Latina, entre eles o Brasil, onde governos como o de Bolsonaro já vitimam milhares de trabalhador@s com sua política de favorecimento ao imperialismo.

O que fazem aqui os governos burgueses? Instauram o pânico, através da sua mídia. O pânico serve sobretudo para imobilizar e individualizar ainda mais as pessoas, a maioria da classe trabalhadora, que, com suas direções sindicais e políticas burocráticas se encontra desorganizada para se defender da crise sanitária e da crise econômica.

Os conselhos da burguesia

Ficar em casa.  Como sobreviver sem sair para trabalhar? Os patrões não querem saber se estamos tossindo, com febre, querem produção. As fábricas e supermercados permanecem funcionando do jeito que a burguesia determina:  lotadas, trabalhador@s sem o devido equipamento de proteção individual, má ventilação…  Se não é isso, demissão! Já são milhões de desempregad@s.

Evitar aglomerações. A vida da classe trabalhadora já começa aglomerada dentro das casas, em geral pequenas para o tamanho da família, que tem cada vez mais pessoas com o crescimento da crise econômica, desemprego e altos alugueis. Com o fechamento das escolas por causa da pandemia, nas casas proletárias se aglomeram o dia todo as crianças, aumentando as despesas familiares com alimentação (pois não mais se alimentam na escola), energia elétrica, e abastecimento de água (quando não há falta de água e esgoto). Crianças que ficam aos cuidados de mães desempregadas, avós ou cuidadoras, na maioria idosas. Aqui, um destaque para as famílias proletárias, chefiadas por mulheres, que vêm nesta crise aumentar suas responsabilidades. Desde o transporte público, passando pelos pontos e estações de ônibus, trens e metrôs, salas de aulas, postos de saúde, supermercados, tudo é aglomeração na vida da classe trabalhadora. Inclusive as aglomerações dos setores vulnerabilizados da população que vivem nas ruas, por falta de moradia, desemprego, desalento, doenças mentais e dependência química ou estão em presídios.

Não procurar o serviço de saúde (quando tiver tosse, febre) até estar com insuficiência respiratória. Quando procurar com insuficiência respiratória, será assegurado o tratamento (respiradores de oxigênio e aparelhos para entubação) para evitar o óbito? O ministro da Saúde não tem vergonha de anunciar o colapso do sistema de saúde para o final de abril.

O sistema de saúde pública no país não está preparado para o atendimento cotidiano da classe trabalhadora. Faltam médic@s, equipes de enfermagem, faltam materiais, recursos e condições de trabalho, faltam salários dignos a est@s profissionais. Outras epidemias não controladas estão completamente esquecidas pelos governos que reduzem a cada dia recursos para a pesquisa científica, para vacinas, para distribuição gratuita de medicação e para a prevenção de doenças. Governos que arrocham os salários d@s profissionais da saúde pública e lhes retiram direitos.  Em meio à pandemia do Coronavírus, profissionais da saúde, mesmo maiores de 60 anos ou com doenças crônicas, estão impedid@s de se afastar do trabalho, sendo proibidos de tirar feriado e ainda tendo as férias interrompidas para retornar ao trabalhado emergencial provocado pela pandemia. 

Enquanto isso, estes mesmos governos disponibilizam bilhões de reais para socorrer grandes empresas.

Portanto, nenhuma confiança nos políticos burgueses que vão à imprensa tranquilizar a população. Temos todos os motivos do mundo para desconfiar destes senhores engravatados que tiram dinheiro da saúde, educação, moradia e transportes públicos para socorrer bancos, empresas, capitalistas … Eles próprios se tratam bem longe da rede pública que destinam a nós.

Portanto, diante da crise que arromba as portas da economia e a pandemia do Coronavírus que se junta a outras epidemias e ameaça a classe trabalhadora, precisamos nos organizar, precisamos ser solidários, precisamos, sim, lutar, seguindo o exemplo d@s operári@s italian@s. Como já estão fazendo @s trabalhador@s do telemarketing, que fizeram uma mobilização nacional para não serem obrigad@s a seguirem trabalhando aglomerad@s nos call centers. Operári@s da Caoa-Chery que fizeram greve e conseguiram reverter as impiedosas demissões feitas pela empresa em meio à pandemia. Metalúrgicos de São José dos Campos que decretaram greve geral da categoria para exigir a quarentena remunerada. Trabalhadores dos Correios e da Petrobrás que já se mobilizam no mesmo sentido.

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