Como a direção estadual da APP e a maioria do FES ajudou a abrir o caminho para os ataques que sofremos…

Setor de Educação do GOI/Curitiba

Na semana do mês de julho éramos mais de 30 mil nas ruas de forma unificada e com um grande processo de construção e crescimento da greve nos locais de trabalho em todo o Paraná. Depois da provocação inaceitável do 0,5% de reposição da inflação a maioria da população se coloca ao lado do funcionalismo público, colocando o governador Rato em uma situação política difícil perante o conjunto da população.

O antigo e básico curso de formação política sindical, que era muito comum  na década de 1980, nos tempos de luta pelo classismo e contra o capitalismo, já nos ensinava que não podemos recuar das nossas mobilizações, lutas e greves quando ganhamos o apoio do conjunto da população e da classe trabalhadora, mesmo que se tenha, ainda, dificuldades isoladas no processo de luta, pois a dinâmica de expansão das lutas e greve dependem do apoio político majoritário dos outros setores da classe trabalhadora contra os governos. A outra questão muito básica aprendida na época de fundação do movimento operário e social do final de 1970 e início de 1980, a partir da formação sindical e política influenciada pelos socialistas oriundos de diversos setores da classe trabalhadora em luta, e que a atual direção sindical da APP Estadual e do FES, muitos dos seus dirigentes fizeram parte deste período, é a de que não se pode confiar em negociações permanentes com o capital, os patrões e os seus governos, pois o nosso ponto forte de inflexão não é “muita luta” nas reuniões e comissões permanentes com secretários e o governo porque, na verdade, inclusive, este tipo de política não tem “luta” alguma. São as assembleias locais e regionais, comitês de luta pela base, organizações de base sindical, mobilizações permanentes da nossa classe pela base, assembleias unificadas de todo o funcionalismo público estadual o que realmente demonstram nossa dimensão da luta.

Poderíamos, inclusive, ter feito uma grande assembleia do funcionalismo público em luta com mais de 30 mil em passeata em Curitiba no dia 9 de julho de 2019. As direções sindicais reformistas da nossa época, transformadas pelo longo período de adaptação aos parlamentos, as eleições burguesas, as alianças com partidos burgueses dos patrões, os governos de “esquerda” com alianças para a governabilidade que nos levou ao golpe judicial parlamentar de Dilma em 2016, como o nosso pior exemplo, foram reeducadas para a boa convivência com os nossos inimigos de classe: os governos, patrões e capitalistas. Espera-se que toda a desgraça de ataques neoliberais, e agora, autoritários e de extrema direita, caia sobre as nossas vidas, e um número X de deputados de “esquerda” nos salvem com seus discursos na tribuna da ALEP ou que algum governo “progressista” cheio de dádivas nos dê de volta o que perdemos.

As direções sindicais da APP Estadual e a maioria do FES nos desmoralizam com as idas e vindas na ALEP para implorar aos deputados de extrema direita que não nos ataquem. Desde a última assembleia da APP Sindicato do dia 13 de julho, convocada às pressas para aceitar qualquer coisa vinda do governo do Rato, e assim defendida, pela própria direção estadual da APP, e a assembleia do dia 10 de agosto; que nas palavras de Marlei Fernandes, deveria se decretar o fim de qualquer indício de greve, pois “fechava-se um ciclo de luta e negociação”; na verdade, desde este dia, se fechou um cerco de ataques contra todo o funcionalismo público estadual e a nós da educação, em particular. Defendemos nesta assembleia a posição de estado de greve permanente para lutar contra o governo, mas a direção estadual da APP conduziu todas as suas defesas para confiar nas negociações e comissões permanentes com o governo do Rato. A própria oposição independente, infelizmente; se conforma passivamente perante o estado de coisas da atual direção da APP Estadual marcando “posição crítica” nas reuniões do Conselho Estadual ou na administração dos núcleos sindicais no seu dia a dia, com raras exceções.

Não participamos com greve e lutas nem no dia nacional de luta pela educação no dia 13 de agosto, nem no dia 30 de agosto. O dia de luta histórico do 30 de agosto não existiu, na prática, nas escolas, e se resumiu a uma participação esvaziada de dirigentes sindicais na Boca Maldita porque a grande maioria da categoria teve que trabalhar neste dia nas escolas, situação política inimaginável pela tradição de luta e greve neste dia de memória histórica da nossa categoria.

De lá para cá, o governo do Rato reajustou a inflação do funcionalismo judiciário e legislativo em separado, promoveu divisões e negociações em separado com as polícias, não cumpriu com os acordos de greve sobre a adequação salarial dos agentes da educação, ampliou todos os tipos de ataques à escola pública como a prorrogação de um ano para as direções escolares serem cooptadas para a sua política neoliberal, fechar as turmas de ensino médio noturno e colocar a possibilidade de demissão dos PSSs pelas direções das escolas cooptadas, ações orquestradas neste momento. Fazendo exatamente o que o governo Bolsonaro e o Congresso Nacional já fez, o governo do Rato quer, de forma antecipada, junto com suas ratazanas da ALEP fazer passar o pacote da “reforma” da previdência onde pretendem retirar dos nossos salários mais de 6 bilhões de reais em 10 anos. Calcula-se que até o final do governo do Rato, só com o não pagamento dos nossos reajustes inflacionários, eles nos retirem mais de 40 bilhões de reais, o mesmo valor de isenção fiscal dado pelo Rato às grandes empresas do Paraná.

Avaliamos que há um caminho, por isso, saudamos a grande e corajosa iniciativa das trabalhadoras e dos trabalhadores do funcionalismo municipal de Curitiba que lutando contra os ataques de Greca para o arrocho salarial e a retirada de direitos ocuparam a Câmara Municipal e combateram os vereadores e o prefeito autoritário e neoliberal. Elas e eles mostram o caminho de luta para nós. Unificar as lutas nas greves e nas ruas. Não negociar e confiar nos governos neoliberais, autoritários e de extrema direita.

– UNIFICAR TODO O FUNCIONALISMO PÚBLICO EM UM ENCONTRO ESTADUAL DE LUTA PELA BASE CONTRA O GOVERNO DO RATO E SEUS ASSECLAS POLÍTICOS! ABAIXO A REFORMA DA PREVIDÊNCIA E A RETIRADA DE DIREITOS DE BOLSONARO E RATO !!!

– EXIGIMOS QUE A DIREÇÃO ESTADUAL DA APP E O FES DEFENDAM IMEDIATAMENTE O ESTADO DE GREVE PERMANENTE ATÉ A MOBILIZAÇÃO PARA A DEFLAGRAÇÃO DA GREVE GERAL EM UMA GRANDE ASSEMBLEIA UNIFICADA DO FUNCIONALISMO PÚBLICO NO PARANÁ!

– A OPOSIÇÃO INDEPENDENTE DA APP, QUE TEM A EXPECTATIVA DE MILHARES NAS ESCOLAS, DEVE IMEDIATAMENTE CONVOCAR UMA GRANDE FRENTE DAS OPOSIÇÕES PARA LUTAR NA BASE CONTRA A PARALISIA SINDICAL E A LÓGICA DE NEGOCIAÇÃO SEM LUTAS FEITA PELA DIREÇÃO ESTADUAL DA APP E A MAIORIA DO FES!

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