Fora o G-20 da Argentina e da América Latina!

Declaração conjunta da Corrente de Trabalhador@s Revolucionári@s (CTR) – Argentina e do Grupo Operário Internacionalista (GOI) – Brasil

Pela unidade continental da classe trabalhadora e dos povos para pôr fim à exploração, opressão e saque do imperialismo

Sob a hegemonia dos EUA, os principais responsáveis pela miséria, opressão e pilhagem capitalista da humanidade veem à Argentina para decidir como aprofundá-las. O imperialismo com seus máximos organismos (FMI, BID, Banco Mundial, OMC, OIT e OMS), após um ano de reuniões de ministros das finanças e economistas, formalizam como avançar a recolonização da América Latina, África, Europa Oriental e Ásia. Tudo sob o lema descarado da “Cooperação econômica, financeira e política, abordando os grandes desafios globais”.

O governo do lacaio Macri e todos os patrões do campo, da indústria e das finanças se dispõem a “cooperar”, garantindo uma nova entrega de nossos recursos energéticos, minerais, naturais e bens públicos, bem como novas legislações do trabalho, da previdência e na educação e saúde. Processo que já iniciou desde que tomou posse, com a reforma previdenciária, o Plano Diretor de Educação e a CUS na Saúde, as milhares de demissões e o último acordo com o FMI. Um ajuste em todas as áreas do estado, que somado à alta da inflação e à desvalorização do peso pela “bicicleta” financeira e a fuga de capitais, está causando uma das maiores crises econômicas e sociais desde 2001. Crise capitalista que obrigam o povo e os trabalhador@s a pagar, sobretudo os setores oprimidos, mulheres, negros, indígenas, LGBTQIs e imigrantes.

No Brasil, a crise da economia já gerou cerca de 27 milhões de desempregados e subempregados, além de aumento da inflação e arrocho salarial. A “reforma” trabalhista aprovada por Temer aprofunda a terceirização e a precarização do trabalho, que já atinge 50% da força de trabalho. A “reforma” educacional privatizante ataca os direitos d@s trabalhador@s da educação e a liberdade de ensino. O governo de ultradireita de Bolsonaro, que assumirá em janeiro de 2019, vai aprofundar as medidas do “ajuste imperialista”, a repressão às lutas e ativistas e a submissão colonial ao imperialismo ianque, além de estreitar os laços com o estado racista de Israel.

Este plano de exploração, miséria, opressão e pilhagem atinge todo o nosso continente. A crise na América Central, com milhares de pessoas fugindo da miséria e da morte em Honduras e Guatemala, crise econômica e social na Nicarágua e na Venezuela e um maior nível de exploração e precarização do trabalho no Peru, Chile e Colômbia. Tudo sob uma ofensiva regional de redução das liberdades, repressão e mortes. Abrindo uma dinâmica de maiores dificuldades do conjunto da região, sob novos regimes e governos que usarão mais repressão para garantir os lucros dos capitalistas reunidos em Buenos Aires em 30 de novembro e 1 de dezembro.

Os governos de Macri, Temer, Bolsonaro e outros semelhantes na América Latina e outros países semicoloniais são expressão da incapacidade histórica das burguesias nacionais de enfrentar o imperialismo, do qual buscam apenas ser sócias menores.

Na Argentina, tanto o kirchnerismo, como Massa e o setor mais conservador do PJ (peronista) votaram a favor das leis que em 2016 e 2017 permitiram a Macri impulsionar as principais reformas, a partir de acordos feitos com os governadores. Apesar da lei orçamentária de 2019 não ter contado com o voto do conjunto da oposição peronista, foi apoiada pelo presidente da bancada, Raul Pichetto e 13 senadores do PJ. Os governos de Maduro, na Venezuela, e de Ortega, na Nicarágua, são a expressão mais evidente da falência das direções nacionalistas/bolivarianas e reformistas. Os governos da frente popular de Lula e do PT no Brasil mantiveram a submissão colonial, inclusive enviando tropas do Exército (sob as ordens da ONU) para reprimir o povo haitiano.

As burocracias que controlam as centrais e sindicatos cumprem o papel de quinta colunas da burguesia e do imperialismo dentro das organizações do movimento operário e de massas, recusando-se a organizar planos de luta pela base para enfrentar e derrotar os planos de “ajuste imperialista” aplicados pelos governos. O ajuste de 300 bilhões de pesos ordenado pelo FMI se impôs na Argentina graças à cumplicidade da CGT, da direção dos sindicatos de base das CTA, da nova Frente Sindical para o Modelo Nacional e do 21F, que convocaram a Lujan em 20 de outubro com o objetivo de disputar o governo contra Cambiemos em 2019, mas não paralisaram nem convocaram massivamente a mobilizar no momento em que se debatia o orçamento nacional.

Denunciamos que o papel contrarrevolucionário das direções da classe trabalhadora é o principal obstáculo para a luta dos povos contra o imperialismo. Nas lutas da nossa classe temos de construir uma nova direção antiburocrática, classista, revolucionária e socialista.

Por um programa continental da classe trabalhadora e dos povos para por fim à dominação imperialista e seus planos de submissão e saque

Na Argentina, centenas de organizações políticas, sindicais, sociais, feministas, dos povos originários, camponesas e estudantis estão impulsionando uma campanha nacional e internacional de rechaço ao G-20. Repudiando e enfrentando nas ruas o ajuste e a repressão que o imperialismo digita e os governos executam. Denunciando a dívida externa como mecanismo principal de dominação econômica, e os pactos políticos e militares que garantem tal submissão. Rechaçando a nova ofensiva dos Estados Unidos que visa à instalação de mais bases militares em todo o território, e a colaboração dos ministros da defesa nacionais com o Comando Sul dos EUA, para garantir a segurança de suas multinacionais.

Chamamos a quem enfrenta com suas lutas a ofensiva imperialista a se somar e defender este programa antimperialista, ao mesmo tempo em que alertamos sobre a ambiguidade do posicionamento da “Contracúpula”, da qual estão participando intelectuais, mandatários e ex-mandatários dos “governos progressistas” da América Latina. O Foro Mundial do Pensamento Crítico de CLACSO se reivindicou como alternativa à direita, mas não se definiu pela ruptura com as políticas do FMI. Longe disso, Axel Kicillof, ex-ministro kirchnerista da Economia, assinalou que não romperia com o Fundo Monetário.

Desde o Grupo Operário Internacionalista (GOI), do Brasil, e a Corrente de Trabalhador@s Revolucionári@s, da Argentina, estamos levando adiante as ações e mobilizações unitárias na Argentina nos dias 30N e 1D contra o G-20. Consideramos necessário que os povos e trabalhador@s exijamos às centrais sindicais e direções políticas da classe trabalhadora de cada país uma ação global com paralisações e mobilizações em todo o continente. E avançar na construção de um bloco latino-americano independente, da classe trabalhadora e das organizações populares, contra a dívida externa e os acordos com o FMI. Um ponto de partida para desenvolver um programa antimperialista unitário.

Por uma ação continental de luta contra o G-20!

Abaixo os acordos com o FMI!

Não pagamento da dívida externa!

Fora as bases militares de todo o continente!

Fora as tropas da ONU do Haiti!

24/11/2018

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