O 30 DE AGOSTO NO PARANÁ É DAS LUTAS E DAS RUAS. NAS ELEIÇÕES PRECISAMOS DA UNIDADE DOS TRABALHADORES SEM PATRÕES PARA DERROTAR A DIREITA E OS GOVERNOS.

Por Chan Kin Con – Professor da Rede Pública Estadual do Paraná e militante do GOI 

O dia 30 de Agosto é a expressão histórica das lutas da classe trabalhadora da educação estadual no Paraná. Em 1988, o então governador de plantão, Álvaro Dias (atualmente candidato à presidente pelo PODEMOS) utilizou as tropas de choque da PM e a suas cavalarias para destruir o acampamento da educação na praça do Centro Cívico. Anos mais tarde, o governador Jaime Lerner ergueu diversas cercas de ferro para separar as praças do Centro Cívico para que o povo não fizesse suas manifestações. O objetivo era afastar qualquer possibilidade das manifestações populares chegarem até o Palácio Iguaçu e a Assembleia Legislativa.

Nos dois governos, inclusive no governo de Roberto Requião, a classe trabalhadora da educação estadual, o MST e outros movimentos sociais e populares continuaram a lutar fazendo presença novamente no Centro Cívico e derrubando as cercas do poder governamental. Nas greves da educação de 2015, as maiores de toda a história do Paraná, a classe trabalhadora da educação não só derrubou as cercas, mas ocupou a Assembleia Legislativa durante dias, mais de 50 mil trabalhador@s impediram que os deputados do governo e dos patrões votassem o fim da nossa previdência e o fim do nosso direito à aposentadoria.

 Em fevereiro de 2015 tínhamos derrotado o governo e ocupado a Assembleia Legislativa. Com o cancelamento da greve, proposto pela direção da APP Sindicato na época, voltamos com uma menor capacidade de mobilização, em abril do mesmo ano, e sofremos a segunda repressão das forças de segurança do Governo Beto Richa-Cida Borguetti-Ratinho. Na época, Francischini – atual aliado de Bolsonaro, era o Secretário de Segurança do Paraná.

 A breve história da luta de classes nos mostra que a nossa mobilização nas lutas e nas ruas pode derrotar os governos, a burguesia e os patrões. O dia 30 de Agosto de 2018 deve ser o momento de erguermos a cabeça, sairmos das escolas às ruas e às lutas novamente. Só assim, conseguiremos lutar pelas nossas reivindicações, e impedir que nestas eleições percamos muito mais.

A maioria dos candidatos à presidência da República querem destruir a educação pública do país, no Paraná não é diferente. Afirmam que o problema da educação são os privilégios do magistério, propõem inclusive, a militarização das escolas (Bolsonaro) e a lei da mordaça (a ampla maioria da direita), além do vale educação pagos com dinheiro público para estudar em escolas particulares (Partido Novo). As alianças que os governos do PT fizeram, infelizmente, abriram espaços para setores da burguesia começarem os ataques à educação pública, principalmente na discussão da BNCC e a possível retirada de Filosofia e Sociologia, e a indicação de Cid Gomes ao Ministério da Educação (MEC) privilegiando as grandes empresas privadas da educação, no final do Governo Dilma.

A realidade, na verdade, é bem diferente. No Paraná, temos milhares de trabalhador@s PSS (contratos de um ano e renováveis no outro ano) desempregados pela retirada das horas atividade e fechamento de turmas e escolas. Soma-se a tudo isso, a redução salarial feita no final do ano passado levando a perda de quase 50% da renda salarial.

 @s professor@s efetivos estão com perdas acumuladas de mais de 30% dos seus salários, com turmas superlotadas.

Sem concurso para @s funcionári@s, os mesmos enfrentam baixos salários e sobrecarga de trabalho nas escolas.  A categoria, no todo, está doente por conta das condições de trabalho, com vários casos de suicídio que aumentam nos últimos anos.

 A classe trabalhadora não quer morrer de tanta exploração, quer a união de todos os movimentos sociais, sindicais, populares e estudantis em torno de uma candidatura que enfrente todos estes ataques. Isso deve acontecer nas lutas e nas eleições. Mas sem as lutas, as eleições não servem para nada.

Mais de 50 milhões de trabalhador@s querem votar em Lula para acabar com todos estes ataques e reformas que retiram direitos sociais, trabalhistas e a aposentadoria. Acreditam e tem esperança que Lula possa reverter estes ataques

 As lutas e as ruas precisam de independência para lutar. Precisamos de Lula sem patrões e sem alianças com partidos da burguesia e dos patrões. Achamos que Lula sem patrões combina com Boulos de vice para expressar uma Frente da classe Trabalhadora com um programa mínimo anticapitalista que dê à classe trabalhadora o direito de suspender o pagamento e os lucros dos banqueiros e garantir uma escola pública de qualidade, saúde, trabalho digno, moradia e reforma agrária sob o controle da classe trabalhadora.

 

 

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