Balanço do “Dia do Basta”: mais um fraco e burocrático “dia de luta”

O 10 de Agosto foi convocado como um dia nacional de luta e mobilizações pelas principais centrais sindicais e pela Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo. Este poderia e deveria ter sido um forte dia de lutas da classe trabalhadora contra os ataques do governo Temer e pela revogação imediata das reformas e leis antitrabalhadores (Trabalhista, Terceirização, Ensino Médio, congelamento de investimentos públicos, etc) que, ao contrário do que dizem o governo e a mídia burguesa, demonstram serem benéficas apenas para banqueiros e patrões. Porém, o “Dia do Basta!”, como chamaram as centrais, teve pouca adesão da classe trabalhadora, com atos burocráticos muito aquém das necessidades e possibilidades de mobilização, que serviram apenas para os burocratas “marcarem terreno”.

A responsabilidade pela desmobilização da classe é das direções das centrais sindicais e das principais organizações políticas que falam em nome da classe trabalhadora, como o PT, PC do B e a Frente Brasil Popular, que buscam canalizar o enorme descontentamento social e político para as eleições de outubro. Desde a greve geral de 28 de Abril de 2017, vimos criticando a forma como a burocracia vem convocando “dias de luta” sem participação e construção democrática dos trabalhadores e trabalhadoras pela base. No s últimos meses as direções majoritárias do movimento não souberam aproveitar os momentos de luta, como as fortes greves da educação e do serviço público e a greve dos caminhoneiros, que parou o país por mais de 10 dias, abrindo uma grande crise na burguesia e no governo, oportunidade desperdiçada pelas direções do movimento que se recusaram chamar uma greve geral para derrubar Temer.

Já as direções que se apresentam à esquerda das centrais burocráticas e da Frente Brasil Popular, como a Frente Povo Sem Medo, da qual fazem parte o MTST, a Intersindical e correntes do PSOL, e também a CSP-Conlutas, dirigida pelo PSTU, não apresentam nenhuma alternativa de mobilização unificada pela base, que possa apontar uma saída independente da nossa classe para a crise do país, limitando-se a fazer uma política seguidista dos “dias de luta” chamados burocraticamente pelas direções majoritárias.

Na semana do “Dia do Basta”, inclusive, havia importantes lutas que precisavam ser unificadas, mas passaram quase desapercebidas pela maioria da população. A luta contra a “reforma” educacional de Temer e a Base Nacional Comum Curricular, contra os cortes do CAPES e a discussão do aborto no STF não tiveram grandes mobilizações, pois não foram discutidas pelos sindicatos nas escolas, locais de trabalho e nas periferias das cidades.

No caso da Educação, a Apeoesp, maior sindicato da categoria da América Latina, assim como a maioria dos sindicatos de trabalhadores da educação do país e a CNTE/CUT (Confederação Nacional de Trabalhadores da Educação) não convocaram uma necessária paralisação nacional contra a “reforma” educacional de Temer, apesar desta ter sido amplamente rechaçada pelos trabalhadores e estudantes nas escolas de todo o país, no tal “Dia D” organizado pelo governo, em 3/8. O Andes (sindicato do ensino superior) e a UNE (União Nacional dos Estudantes) também pouco mobilizaram contra os cortes das bolsas estudantis. Este imobilismo imposto pelas direções dá fôlego para o moribundo governo Temer terminar seu mandato impondo mais um duro golpe sobre nossos direitos, agora no terreno da Educação.

Como consequência, até mesmo as lutas isoladas do primeiro semestre refluíram neste momento e predomina a expectativa da classe trabalhadora em relação ao resultado das eleições de outubro, cujo desfecho dará o tom dos enfrentamentos do próximo período.

Enquanto isso, o desemprego continua na casa dos 13 milhões (e se somados aqueles que já desistiram de procurar um emprego e os subempregados, esse número sobe para cerca de 27 milhões). Diante do aprofundamento da crise, todos os dias nos noticiários da mídia hegemônica vemos e ouvimos que a justificativa da falta de crescimento econômico é culpa da greve dos caminhoneiros. A crise vem perdurando mais do que o previsto pela burguesia, que não consegue estancar a sangria dos reflexos da crise política e social que o país vem enfrentando nos últimos anos. Neste cenário, se vê ainda uma profunda crise do regime democrático burguês, cujo processo eleitoral é o mais incerto e concorrido desde o fim da ditadura militar. O candidato com maior intenção de voto (Lula/PT) se encontra preso pela Lava Jato e o Juiz Moro e a burguesia não conseguem emplacar seu principal candidato (Alckmin/PSDB) para manter a sequência de ataques sobre os trabalhadores no próximo ano, enquanto cresce a candidatura de extrema-direita do capitão Bolsonaro/PSL.

Diante deste quadro preocupante, reafirmamos a proposta e o chamado do GOI à realização de um Encontro Nacional de Base de todas as organizações da classe trabalhadora (sindicatos, partidos, movimentos), populares, camponesas e de luta contra as opressões (mulheres, negros, indígenas, LGBTTIS, imigrantes, jovens) para traçar uma luta unificada contra a ofensiva burguesa e imperialista contra nossos salários, empregos e direitos. Para forjar uma Frente da Classe Trabalhadora, sem patrões, que apresente uma saída independente para as lutas e para as eleições, para lutar por um governo da classe trabalhadora, sem patrões.

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