Precisamos falar sobre a opressão e a luta das mulheres negras

Por Sandra Fortes

No dia 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, nós do GOI participamos da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, que teve como lema “Por nós, por todas nós e pelo bem viver! Exigimos o fim da negligência e violência do Estado!”.

Precisamos falar sobre o machismo, o racismo, a lgbttfobia e a xenofobia que alimentam os lucros capitalistas.

Precisamos falar sobre a xenofobia do presidente norte americano que arrancou crianças de mães e pais imigrantes, enjaulando-as, como forma de intimidar, reprimir e punir a imigração.

Precisamos falar sobre @s milhares de imigrantes african@s que morrem nos mares da Europa fugindo da miséria dos países de origem.

Precisamos falar sobre a vergonhosa invasão militar da ONU (Minustah) no Haiti, dirigida por 13 anos pelo exército brasileiro, para rebaixar os salários de trabalhadores e trabalhadoras, reprimir as lutas, para assegurar vultosos lucros para empresas que lá se estabeleceram. Homens, mulheres e jovens são submetidos à mais brutal repressão, inclusive estupros por parte dos soldados. Na atual conjuntura a classe trabalhadora haitiana protagoniza uma importante luta por aumento de salários e contra o governo, que reprime duramente as manifestações. Imigrantes haitian@s no Brasil são submetid@s a trabalhos e condições precarizadas de vida.

Precisamos falar sobre as milhares de famílias que fogem da crise na Venezuela e se refugiam no Brasil, em condições muito precárias.

Precisamos falar sobre a luta do povo da Nicarágua que fez recuar a reforma da previdência e hoje enfrenta o governo de Daniel Ortega, que já assassinou centenas de pessoas.

Precisamos falar sobre a intervenção militar no Rio de Janeiro, comandada pelo presidente Fora Temer e o corrupto governo do Estado do Rio de Janeiro. Esta intervenção nos morros e favelas, a pretexto do combate às drogas, já vitimou centenas de trabalhadoras, trabalhadores, jovens, sobretudo negr@s, crianças e Mariele e Anderson. Não há combate às drogas, que seguem sendo comercializadas, assegurando lucros astronômicos a uma burguesia clandestina, que enriquece às custas das vidas de famílias trabalhadoras e pobres.

Precisamos falar sobre as milhares de mulheres pobres (400 mil), a maioria negras, vítimas de abortos clandestinos inseguros realizados no Brasil, enquanto as clínicas que os realizam para as mulheres que podem pagar lucram rios de dinheiro. O Supremo Tribunal Federal vai fazer uma audiência pública entre os dias 3 e 6 de agosto, sobre a interrupção da gravidez até 12 semanas de gestação. A esmagadora maioria das mulheres trabalhadoras sequer sabe que haverá está audiência. Não poderemos opinar. Não seremos ouvidas. O congresso nacional de maioria corrupta, machista, racista e lgbttfóbica vai barrar também este direito tão importante.

Precisamos seguir o exemplo das trabalhadoras argentinas, que há anos promovem encontros de mulheres para debater o tema e organizar a luta também pela legalização do aborto. Em 13 de junho passado ocuparam massivamente as ruas, às milhares, obrigando os deputados do congresso nacional a aprovar o direito à interrupção da gravidez até a 12ª semana de gestação. Assim como, junto com o conjunto da classe trabalhadora, já haviam obrigado Macri a recuar de sua reforma trabalhista.

Precisamos falar sobre creches públicas e gratuitas, com funcionamento no horário de trabalho e estudo das mães (e pais).

Precisamos falar sobre o direito à saúde, pública e gratuita.

Precisamos falar sobre o desemprego, a precarização, a retirada de direitos…

Todas estas situações são enfrentadas pela classe trabalhadora e atingem especialmente as mulheres negras, a maioria da nossa classe, a base mais explorada e oprimida de nossa classe.

Precisamos denunciar que “a carne mais barata do mercado é a carne (da mulher) negra!”

Precisamos falar, denunciar e lutar pelo fim do Capitalismo que se alimenta da nossa exploração e opressão!

No 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, gritamos bem alto que a luta das mulheres oprimidas é internacional e parte da luta pela revolução socialista mundial.

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