Negros, mulheres e LGBTTIs na luta contra a Reforma da Previdência! Todos e todas às ruas no dia 19 de fevereiro!

Por C. Pedroso

O governo corrupto de Michel Temer já aprovou com a ajuda do Congresso e do Senado projetos de lei que atacam a educação (Reforma do Ensino Médio), a saúde, moradia e demais serviços públicos (PEC do Teto de Gastos) e o dia a dia do trabalhador (Reforma Trabalhista) e tenta destruir nossa aposentadoria com a Reforma da Previdência. Temer vem gastando milhões em propaganda mentirosa, indo a programas de televisão, comprando votos e ganhando o apoio das grandes mídias para nos fazer crer que tais reformas são necessárias para fazer a economia crescer, gerar empregos e acabar com privilégios (!). Mas o que sentimos na realidade é o desemprego batendo à nossa porta, os salários reduzindo drasticamente e as condições de vida de nossa classe piorando cada dia mais… Não à toa, desde 2016 estamos batendo recordes de greves e enfrentamentos contra governos e patrões que atacaram e continuam atacando nossos direitos![1]

Através da luta conquistamos importantes vitórias, mas infelizmente perdemos duras batalhas também, seja pela dinâmica da luta de classes no Brasil, pelos escândalos de corrupção envolvendo o principal partido da classe trabalhadora (o PT), seja pelas lideranças sindicais de nossa classe (CUT, Força Sindical, CTB, etc) que se bandearam para o lado dos governos e patrões, traindo as greves e desmobilizando os que queriam lutar. E também pelas dificuldades impostas pela classe dominante, que apostou numa ofensiva para criminalizar e desmoralizar nossos instrumentos históricos de luta (como as greves, mobilizações de rua, a autodefesa, etc.). No entanto, a contradição é que, mesmo sob uma forte ofensiva da burguesia, 90% da população é contrária à Reforma da Previdência e o governo de Michel Temer é o mais odiado da História (!).

As medidas anti-operárias e neoliberais impostas por Temer e seus lacaios penalizam com mais força os setores mais oprimidos de nossa classe.

A juventude trabalhadora, negra, pobre e periférica das grandes cidades, por exemplo, em sua maioria nem sonha em um dia poder se aposentar devido às condições impostas por esse sistema opressor, que limita o acesso à educação, que lhes deixa à mercê dos piores postos e condições de trabalho, que lhes tira a vida na fracassada luta contra o tráfico, que está mais para um genocídio institucionalizado pelo Estado.

Basta refletirmos um pouco para compreendermos a dimensão dos ataques… Como poderá um jovem em tais condições se aposentar nas regras que Temer quer aprovar com a Reforma da Previdência? Para se ter uma ideia, a expectativa de vida da população negra nas periferias de São Paulo é de 55 anos[2], muito abaixo do tempo mínimo exigido por Temer (que, pelo contrário, se aposentou aos 55).

A realidade fica muito pior quando falamos das pessoas Trans e das Travestis, que tem expectativa de vida de no máximo 35 anos[3], quase metade do tempo mínimo exigido para homens e mulheres se aposentarem (que é de 65 e 62, respectivamente). Infelizmente, Trans e Travestis ainda precisam recorrer à prostituição, devido à carência de postos de trabalho, e quando possuem a oportunidade de um emprego formal são submetidas a cargos com baixos salários e ao intensivo assédio moral devido a sua condição sexual e de gênero. É justo isso?!

É assim também com as mulheres mais pobres de nossa classe, que enfrentam exaustivas rotinas de trabalho, chegando a ter até tripla jornada (para completar renda), tendo de se submeter a péssimas condições nos transportes públicos, que não garantem sua segurança, cuidam da casa e dos filhos (pois a sociedade machista diz que isso é tarefa exclusiva da mulher). E você realmente acha que numa rotina como essa uma mulher da classe trabalhadora vai conseguir se aposentar aos 62 anos?! Pode ser até que consiga, mas pode ter certeza que não ganhará mais do que um salário mínimo!

Quanto mais paramos para pensar nos estragos causados por Temer, esse Congresso Nacional de corruptos a serviço de banqueiros e empresários, que se beneficiam com o drama de uma população de mais de 200 milhões de pessoas, vemos a importância de mobilizar os trabalhadores, lhes trazer à luz da consciência de classe e não deixar que nos tirem o direito ao nosso futuro! E mais do que derrotar a Reforma da Previdência, Temer e esse Congresso, financiado por latifundiários, banqueiros, empreiteiros e empresários (esses sim que se beneficiam do sangue, suor e da opressão cotidiana de mulheres, negros e LGBTTIs trabalhadores), precisamos reacender o espírito crítico, de luta e resistência de nossa classe. Exemplos de sobra não nos faltam: assim como os quilombolas que se rebelaram contra a escravidão séculos atrás; os milhares de operários e operárias que iniciarem um processo histórico e revolucionário pela democracia na luta contra a ditadura militar brasileira nos anos de 1980; a juventude que saiu às ruas em 2013 não só por 20 centavos!; as mulheres da Primavera Feminista que derrubaram Eduardo Cunha e lutam bravamente contra os machistas que estão no poder e o machismo enraizado em nossa sociedade; sem contar as LGBTTIs que, no país mais violento para esta parcela da população, enfrenta todo tipo de humilhação e luta a cada segundo para existir; para nós, trabalhadores, nada temos a perder, a não ser nossas correntes!

Neste dia 19 de Fevereiro, todos às ruas para combater Temer, o Congresso, a Reforma da Previdência e a opressão!


[1] https://www.dieese.org.br/balancodasgreves/2016/estPesq84balancogreves2016.html

[2] https://desigualdadesespaciais.wordpress.com/tag/expectativa-de-vida/

[3] https://saudeglobal.org/2017/06/30/35-anos-e-a-expectativa-de-vida-de-transexuais-no-brasil/

 

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