Da “Consciência Negra” à Consciência de Classe Trabalhadora contra o racismo e o modo de produção capitalista que dele se beneficia

Por Sandra Fortes

 

A escravidão de africanas e africanos foi largamente utilizada pelo capitalismo dos séculos 15 ao 18 e parte do 19, nas Américas, para a acumulação primitiva de capital. Tráfico em navios insalubres, torturas, surras, estupros, mutilações e assassinatos como forma de submeter negras e negras aos trabalhos forçados que enriqueceram tanto a Corte Portuguesa quanto o Império Britânico, que muito lucraram com o trabalho não pago, de homens, mulheres e crianças escravizadas.

Nos dias atuais, nesta fase de decadência Imperialista, de crise de superprodução, as relações sociais de produção novamente empurram a classe trabalhadora às condições desumanas de superexploração. Corte brutal dos direitos trabalhistas, redução drástica dos salários, jornadas e condições de trabalho cada vez piores. Tudo em nome do lucro, que não pode diminuir.

Esta escravidão moderna impõe a presença dos exércitos burgueses e imperialistas em países como o Haiti, ou nos morros cariocas para subjugar o povo trabalhador, rebaixar o valor da força de trabalho. A escravidão moderna, baseada no racismo, subjuga e oprime povos como as/os Palestinos sob o racista Estado de Israel; ou Africanos, Árabes, Haitianos, Venezuelanos, nas balsas e navios que atravessam mares lotados de trabalhadoras e trabalhadores em busca de trabalhos precarizados em outros países e outros continentes.

O Capitalismo, na atual fase de Imperialismo decadente, faz ressurgir com toda energia o ódio racial contra os povos pobres e oprimidos pelas grandes potências imperialistas. Assim como alimenta e potencializa o machismo, a homofobia e a xenofobia.. Assim, justifica a superexploração d@s oprimid@s, ao mesmo tempo em que aumenta a concorrência no interior da nossa classe que passa a utilizar a opressão como forma de relacionamento cotidiano para a desagregação necessária,  para que a  classe dos capitalistas siga dominando.

Os governos Temer no Brasil, Macri na Argentina, Trump nos Estados Unidos, Merkel na Alemanha, Macrón na França e outros governos burgueses e imperialistas, investem cada vez mais em aparatos de repressão e de criminalização das e dos que lutam contra seu sistema, enquanto arrancam direitos da nossa classe, que se convertem em riquezas nas mãos das classes dominantes. Com governos de colaboração com a burguesia, como os governos de Lula e Dilma, a situação da nossa classe não é diferente, apesar de parecer diferente para uma parcela de trabalhadoras e trabalhadores. Governam para a burguesia quando esta não consegue governar, mas os beneficiados são sempre banqueiros, empresários, latifundiários urbanos e rurais, ávidos por retomar o poder.

Assim a Classe Trabalhadora, cuja maioria é negra e feminina se vê condenada ao subemprego, precarizado, insalubre, sem direitos básicos à moradia, à alimentação adequada, à assistência médica, à educação pública de qualidade, a transporte digno, à segurança, quanto mais se desenvolve o capitalismo, quanto mais crescem as riquezas construídas com seu trabalho, suor e sangue.

A classe trabalhadora luta! Negras e negros trabalhador@s lutam com o conjunto da classe! Por moradia, contra o genocídio da juventude, contra a criminalização das lutas, contra a criminalização do aborto, por emprego, contra a reforma trabalhista, contra a reforma da previdência, contra a opressão, por salários dignos, por empregos. Lutamos como lutaram nossas antepassadas e antepassados contra a escravidão, contra os castigos físicos, contra a perseguição policial, contra a miséria, por liberdade.

As lutas e revoltas iniciadas pelos quilombolas, elevadas à revolução haitiana, continuada pelos comunardos de Paris, elevada à conquista do Socialismo pelas revolucionárias e revolucionários russos, são e seguirão sendo os passos seguidos pela classe trabalhadora para enfrentar a opressão e a exploração.

A luta e a consciência negra contra o racismo que nos escraviza, para ser consequente, tem que ser a luta e a consciência de classe trabalhadora contra a propriedade privada dos meios de produção, contra a classe que nos explora e nos oprime, por uma sociedade governada por mulheres e homens, trabalhadoras e trabalhadores que controlem a produção e a distribuição das riquezas produzidas:  a Sociedade  Socialista.

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