Organizar a luta contra a fome

Publicado no Palavra Operária nº 10 (abril-maio/2021)

Segundo uma pesquisa feita em dezembro de 2020 pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional: “Mais de 116 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar ou passando fome no Brasil. (…) mais da metade dos brasileiros não se alimentam como deveriam, com qualidade e em quantidade suficiente.” (Revista Isto É Dinheiro, 22/04/2021).


“O ranking dos Bilionários do Mundo 2021 revelou 10 novos brasileiros no clube dos sete dígitos.” (Revista Forbes,
10/4/2021).


Aqui fica escancarado que a fome é resultado direto da acumulação de riquezas por um grupo pequeno de burgueses,
enquanto aumenta na classe trabalhadora o desemprego, a falta de moradia, a fome, as doenças e mortes. A burguesia, que gosta de chamar tudo por outro nome, chama fome de insegurança alimentar. Faz, através da TV, rádio e internet, uma campanha cada vez mais ampla de apelo à doação de alimentos para aquelas e aqueles que não sabem o que terão para comer durante dia e dormem sem saber se terão comida no dia seguinte. Mas esta campanha não tem como objetivo eliminar a fome. Quer apenas tentar evitar que haja saques aos supermercados abarrotados de alimentos.


Os governos, nos postos de vacinação contra a Covid19 pedem doação de alimentos. O funcionamento dos pouquíssimos Bom Pratos foi ampliado para os finais de semana, com venda de jantar, além do café da manhã e almoço, servidos em marmitas. Mas, toda esta campanha de arrecadação e distribuição de alimentos está longe de acabar com a fome no Brasil e outros lugares do mundo. A fome, o desemprego, a violência policial e a Covid19 são usados como armas pela burguesia contra nossa classe. Assim, eliminam milhões de pessoas que não fazem falta alguma para os capitalistas.


Entidades do Movimento Sindical e Popular têm dedicado esforços à arrecadação de alimentos, para distribuição de cestas básicas e refeições em marmitas. A preocupação em dar o que comer a quem passa fome é justa. Mas, não podemos nos deixar enganar! Só através da luta será possível dar uma verdadeira resposta para acabar com a fome e outras mazelas que os capitalistas impõem ao povo pobre. É preciso organizar as desempregadas e desempregados famintos para lutar por condições dignas de vida:

  • Auxílio Emergencial de 1 Salário Mínimo, já!
  • Emprego para todas e todos: Através da Redução da Jornada de Trabalho para 6 horas, sem redução de salários e direitos, e da divisão dos empregos nas empresas (indústria, comércio, agropecuária e bancos).
  • E um Plano de Obras Públicas, com contratação de desempregados e jovens pelo governo para construir moradias, hospitais e postos de saúde, redes de água e esgoto, escolas, ruas e estradas, ferrovias e metrô, e inúmeras obras que são necessárias para melhorar as condições de vida e de saúde da população trabalhadora.
  • Salário, Direitos Trabalhistas e Serviços Públicos que assegurem o básico para a sobrevivência digna: alimentação, moradia, vestuário, saúde, educação, transporte, lazer, etc.

[Imagens: Bolsonaro em churrasco com picanha que custa R$1800 o quilo / criança desnutrida e doente em aldeia yanomami]

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