Todo apoio à revolta popular no Amapá! Abaixo a repressão da PM!

O que se passa no Amapá?

Na última terça feira, 03/11, o estado do Amapá sofreu com um apagão causado por um incêndio na subestação de energia da capital Macapá. O desligamento automático da linha de transmissão de energia Laranjal/Macapá e das usinas hidrelétricas de Coaracy Nunes e Ferreira Gomes interrompeu cerca de 250 MW de carga elétrica, deixando 13 dos 16 municípios do estado e cerca de 90% da população sem luz, com falta de abastecimento de água e combustível. Somente hospitais e serviços essenciais, que possuem geradores, estavam com acesso à energia. Até a data da publicação deste artigo, cerca de 60% da energia havia voltado em rodízio nos municípios afetados, porém priorizando apenas os bairros nobres e de classe média, deixando a população pobre e periférica à mercê da própria sorte.

Privatizam os lucros e socializam os prejuízos!

A Isolux, empresa privada espanhola responsável pela administração da subestação que pegou fogo e que controla a concessionária Linhas do Macapá, já havia dado um prejuízo de U$ 476 milhões ao Estado de Indiana, nos Estados Unidos, em 2014. Segundo matéria do site Terra, de Março de 2020, “em extrema dificuldade financeira dentro e fora do País, a Isolux entrou em processo de recuperação extrajudicial e tenta, há mais de três anos, vender seus ativos no Brasil”. A mesma matéria revela que no mundo todo as dívidas da companhia são estimadas em mais de 8 bilhões de euros e que a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) rejeitou a proposta de venda de ativos apresentada pela companhia.

O Amapá é um dos estados brasileiros com a tarifa de energia mais cara do país. Em 2015, o estado entrou no Sistema Interligado Nacional (SIN), por meio do Linhão Tucuruí-Macapá-Manaus. Segundo denúncias divulgadas pelo Casa Ninja Amazônia, “a estação que abastece o Amapá, de responsabilidade da Isolux, tem três transformadores. No incêndio um deles explodiu e outro foi avariado. Os eletricitários do CNE já haviam alertado a Casa Civil, em reunião em outubro de 2019, para a construção de uma segunda casa de força na hidrelétrica Coaracy Nunes para reforçar o sistema do estado. Isso ajudaria com a adição de mais 220 megawatts à geração elétrica do Amapá que sofre com intensas descargas atmosféricas”.

Ou seja, houve negligência por parte da empresa espanhola que não garantiu a manutenção de seus equipamentos e não realizou os investimentos necessários para evitar esta catástrofe. Além de prestar um péssimo serviço à população e estar em situação completamente irregular, a Isolux criminosamente coloca centenas de milhares de pessoas em uma situação de barbárie e caos.

Recentemente, Paulo Guedes anunciou que a Eletrobrás, seria uma das empresas estatais que estaria na mira da privatização. O que chama atenção com esta crise aberta no Amapá é que é justamente a Eletrobrás e seu quadro de técnicos especializados quem está ajudando a retomar a energia elétrica em várias cidades. A Isolux, que parasita o serviço de energia elétrica do Amapá, não possui funcionários qualificados para resolver a própria crise que gerou.

“O que acontece no Amapá pode acontecer em outros lugares. Bolsonaro e ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque vêm dizendo que a Eletrobras não tem capacidade de investimento, e apostam na privatização, só que na hora em que acontece um acidente como este são os técnicos da Eletrobras que são convocados para prestarem socorro à empresa internacional porque ela não tem capacidade para resolver o problema”, alertou Wellington, que também é funcionário da Eletronorte, do holding Eletrobras.

Boicote da grande mídia e repressão do Estado!

Embora desde 03/11 sem energia, o apagão do Amapá só começou a ganhar o noticiário nacional na sexta feira, 06/11, quando o caos e a barbárie já estavam instaurados e o racionamento de água, combustível e falta de dinheiro para comprar alimentos levou a população a iniciar diversos protestos e barricadas nos bairros periféricos contra a empresa espanhola e os governos que nada tem feito para resolver a situação.

Relatos e denúncias de trabalhadores e trabalhadoras nas redes sociais buscam romper este bloqueio da grande mídia e revelam que o poder público tem feito justamente o contrário. A PM e as forças de segurança do Amapá têm sido convocadas para reprimir os protestos e a revolta da população.

Nos bairros proletários, desde sexta feira, a população tem buscado na luta uma forma de reivindicar e exigir dos políticos e da Isolux uma solução para o caos que criaram. Quase uma semana de apagão e sofrendo com racionamento de alimentos, água e combustível, a população não sabe mais o que fazer. Denúncias feitas por moradores são de que os caminhões pipa que estão abastecendo as cidades está com água escura e imprópria para uso. Além disso, os preços nos comércios subiram a níveis exorbitantes e, para piorar, o estado vive um aumento no número de casos da Covid-19. A preocupação de todas e todos é tremenda!

Diante desta grave situação, é completamente justa a revolta da população que tem feito barricadas, trancado vias, queimado pneus e realizado panelaços. O governo de Waldez Góes (PDT), no entanto, tem respondido as demandas da população com uma brutal repressão. Embora falte luz, água e alimento, sobram por parte do poder público muitas balas de borracha, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo para a classe trabalhadora, explorada e oprimida.  

Um trabalhador, que possui dois filhos autistas e está sem água e energia foi um dos moradores do Residencial São José que levou tiros de bala de borracha da PM. “Trabalhador mano, trabalhador. Só tô reivindicando o direito da minha família. Tenho dois filhos que é autista mano. Preciso de água e energia. Olha… eu fui defender minha familia e o que aconteceu pô? Eu fui alvejado por bala da policia, que é pra defender a população!”, denunciou ele em vídeo divulgado pelo Instagram do Coletivos Sociais.

A situação do Amapá nos revela porque é tão importante lutarmos em defesa dos serviços públicos, gratuitos e de qualidade e contra as privatizações promovidas pelo governo Bolsonaro-Mourão e os governos estaduais e municipais. O caos criado pela Isolux e a incompetência dos governos federal, estadual e municipal em solucionar a crise e garantir o bem estar da população é um escândalo internacional, fruto da ganância dos capitalistas e seus capachos do Estado burguês que precisa ser amplamente denunciado.

É por isso que, desde o GOI, enviamos nosso apoio e solidariedade à revolta popular no Amapá. Desde o início da pandemia, estamos enfrentando diversos ataques por parte dos governos e patrões, que tem aproveitado este momento para atacar nossos direitos trabalhistas, reduzir salários, aumentar os preços dos alimentos e reprimir nossa classe. Nossa defesa contra tudo isso é a luta!

Condenamos a repressão da PM e das forças de segurança do Amapá aos protestos e chamamos a todos os sindicatos, partidos da classe trabalhadora, ativistas e militantes organizados a romper o boicote da mídia patronal, reproduzindo as denúncias da mídia independente, coletivos e da população amapaense e se solidarizando com todos os trabalhadores e trabalhadoras em luta!

Reproduzimos abaixo vídeos e fotos divulgados pela população e grupos independentes nas redes sociais.

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