Declaração Conjunta das Organizações Revolucionárias do Brasil, Argentina, Estado Espanhol e Estados Unidos (15/6/2026)
Grupo Operário Internacionalista (GOI) – Brasil, Corrente de Trabalhadores Revolucionários (CTR) – Argentina, Socialistas Sem Fronteiras – Estados Unidos, Blog Lucha Contracorriente – Estado Espanhol
Nós, abaixo assinados, organizações revolucionárias do Brasil, Argentina, Estado Espanhol e Estados Unidos, expressamos nosso apoio incondicional à luta heroica do povo boliviano que, após mais de seis semanas de greve geral por tempo indeterminado e bloqueios rodoviários, está abrindo uma crise revolucionária contra o governo de Rodrigo Paz.
O governo de Rodrigo Paz demonstrou em poucos meses seu caráter abertamente arrochador e entreguista. Sob sua administração aprofundaram-se o aumento dos preços dos combustíveis, a distribuição de gasolina adulterada que destrói os veículos dos trabalhadores, a tentativa de impor a Lei 1720 para favorecer os grandes proprietários de terras e entregar terras e recursos naturais aos monopólios, juntamente com um avanço geral no arrocho das condições de vida das maiorias trabalhadoras.
Em um país extraordinariamente rico em minerais e recursos naturais, o salário médio ainda é insuficiente para cobrir a cesta básica familiar, enquanto mais de 80% da classe trabalhadora permanece no setor informal, sem acesso real a direitos trabalhistas ou aposentadoria.
Diante dessa situação, a Central dos Trabalhadores da Bolívia (COB), juntamente com os sindicatos camponeses, mineiros e indígenas, assumiu a liderança da luta. Após mais de seis semanas de greve geral indefinida e mais de cinquenta pontos de bloqueio em todo o país, a mobilização paralisou a economia e demonstrou a perda de controle do governo sobre as ruas, estradas e a vida econômica do país.

Apesar da existência de setores conciliatórios, a pressão da base até agora impediu qualquer acordo que não inclua a renúncia de Paz. O slogan “Abaixo o Governo” tornou-se a demanda central que unifica amplos setores do povo boliviano.
Condenamos veementemente a repressão desencadeada pelo governo de Rodrigo Paz, que deixou dezenas de feridos, assassinados e centenas de detenções arbitrárias. Exigimos a libertação imediata de todos os presos políticos e o fim de todas as formas de criminalização do protesto. Convocamos as bases do Exército boliviano a recusarem reprimir seu próprio povo e a se aliarem àqueles que lutam.
Rejeitamos qualquer tentativa de impor um estado de emergência ou recorrer à repressão como saída para a crise.
A solução não pode vir das mãos do militarismo ou de pactos de cúpula que deixem intacto o poder das grandes empresas e do imperialismo.
Denunciamos os preparativos do governo Paz e do imperialismo dos EUA para esmagar a revolta popular por meio da repressão militar e da imposição de um estado de emergência. Isso inclui o apoio do governo de Javier Milei por meio do envio de material repressivo e as manobras do bloco reacionário regional, chamado Escudo das Américas, que ameaça as lutas populares em todo o continente.
Rejeitamos qualquer tentativa de mediação de governos autoproclamados progressistas na região, como os de Gustavo Petro (Colômbia) e Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) que, sob o pretexto de buscar “soluções pacíficas”, tentam desviar a luta do povo boliviano, conter sua radicalização e preservar a ordem capitalista. A experiência mostra que essas mediações servem apenas para desmobilizar as massas e ganhar tempo para o regime.
Ao mesmo tempo, chamamos os trabalhadores, especialmente os imigrantes latino-americanos nos Estados Unidos, a se organizarem e expressarem sua solidariedade ativa com o povo boliviano em luta. A luta do povo boliviano também é a luta dos trabalhadores oprimidos em todo o continente.
Chamamos os trabalhadores, camponeses, povos indígenas e organizações revolucionárias em toda a América Latina a construírem uma solidariedade internacionalista ativa que vá além das declarações e que contribua para prevenir a intervenção do imperialismo ianque e seus aliados regionais. A luta boliviana faz parte da mesma batalha de classes travada pelos trabalhadores e povos oprimidos na Argentina, Brasil, Colômbia e em todo o continente contra a austeridade, a entrega de recursos e a repressão.
É hora de espalhar a chama da rebelião boliviana por todo o continente.
Abaixo os governos arrochadores e entreguistas da América Latina! Pela unidade dos trabalhadores e dos povos originários contra o imperialismo e seus lacaios!
Abaixo a austeridade, o saque e o governo pró-imperialista de Rodrigo Paz!
Viva a greve geral por tempo indeterminado e os bloqueios populares!
Liberdade imediata para todos os presos políticos!
Governo da COB, dos sindicatos camponeses, dos conselhos de bairro e dos povos originários que estão na linha de frente da luta contra o governo pró-imperialista de Rodrigo Paz!
Por uma Bolívia socialista em uma América socialista!

Adicionado à Declaração Conjunta
20 de junho de 2026
No dia seguinte à divulgação dessa declaração conjunta, a liderança da Central Operária Boliviana (COB) tornou público seu documento oficial “Alerta e Abordagem para a Pacificação e Recuperação do País” (La Paz, 16 de junho de 2026), endereçado diretamente ao presidente Rodrigo Paz. A lista dos oito eixos levanta demandas parciais legítimas – rejeição da criminalização do protesto, não privatização de empresas públicas, rejeição do FMI, investigação de casos de corrupção e tráfico de drogas, compensação por combustíveis adulterados, um fundo de aposentadoria digno, consulta prévia obrigatória e proteção de áreas protegidas – mas não inclui em nenhum momento o pedido de renúncia do governo. O objetivo é claro: preservar o regime a qualquer custo. Essa proposta da COB é uma traição à rebelião. Eles nem sequer pedem a saída do governo, que foi a palavra de ordem central que unificou a base em mais de seis semanas de greve geral por tempo indeterminado e dezenas de bloqueios.
Chamamos a base dos trabalhadores, mineiros, fábricas, camponeses, povos indígenas originários, vizinhos, trabalhadores do transporte e o povo que apoia com seus corpos os bloqueios e a paralisia do país a rejeitar essa proposta conciliatória da liderança burocrática da COB e a continuar a luta incansável pela derrubada do governo pró-fascista de Rodrigo Paz.
Que seja respeitada a vontade do povo que exige a renúncia do presidente incapaz! Nenhum passo atrás!! Que os mineiros e camponeses organizados nos Conselhos (Cabildos) e assembleias acertem contas com os líderes que pretendem trair a luta!
Que a COB rompa o diálogo com o governo assassino e se submeta às decisões da base convocando um grande Conselho (Cabildo) para continuar a luta até que a renúncia do presidente seja alcançada!!
Abaixo o governo de Rodrigo Paz!
Liberdade para os presos políticos!
Viva a rebelião do povo irmão da Bolívia!
Abaixo o Estado de Exceção!


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