Apoio incondicional à rebelião do Povo Boliviano contra o regime de Rodrigo Paz!

Nós, abaixo assinados, organizações revolucionárias do Brasil, Argentina, Estado Espanhol e Estados Unidos, expressamos nosso apoio incondicional à luta heroica do povo boliviano que, após mais de seis semanas de greve geral por tempo indeterminado e bloqueios rodoviários, está abrindo uma crise revolucionária contra o governo de Rodrigo Paz.

O governo de Rodrigo Paz demonstrou em poucos meses seu caráter abertamente arrochador e entreguista. Sob sua administração aprofundaram-se o aumento dos preços dos combustíveis, a distribuição de gasolina adulterada que destrói os veículos dos trabalhadores, a tentativa de impor a Lei 1720 para favorecer os grandes proprietários de terras e entregar terras e recursos naturais aos monopólios, juntamente com um avanço geral no arrocho das condições de vida das maiorias trabalhadoras.

Em um país extraordinariamente rico em minerais e recursos naturais, o salário médio ainda é insuficiente para cobrir a cesta básica familiar, enquanto mais de 80% da classe trabalhadora permanece no setor informal, sem acesso real a direitos trabalhistas ou aposentadoria.

Diante dessa situação, a Central dos Trabalhadores da Bolívia (COB), juntamente com os sindicatos camponeses, mineiros e indígenas, assumiu a liderança da luta. Após mais de seis semanas de greve geral indefinida e mais de cinquenta pontos de bloqueio em todo o país, a mobilização paralisou a economia e demonstrou a perda de controle do governo sobre as ruas, estradas e a vida econômica do país.

EL ALTO, BOLIVIA – SEPTEMBER 25: The Ponchos Rojos march, during a protest to support former president of Bolivia Evo Morales on September 25, 2024 in El Alto, Bolivia. Led by Morales, demonstrators walked 189 kilometers from El Alto and arrived in La Paz yesterday. Morales, who was president of Bolivia between 2006 and 2019, demanded Luis Arce to change his cabinet and supporters continued protesting against fuel shortage and the rise in prices for basic consumer goods. (Photo by Gaston Brito/Getty Images)

Apesar da existência de setores conciliatórios, a pressão da base até agora impediu qualquer acordo que não inclua a renúncia de Paz. O slogan “Abaixo o Governo” tornou-se a demanda central que unifica amplos setores do povo boliviano.

Condenamos veementemente a repressão desencadeada pelo governo de Rodrigo Paz, que deixou dezenas de feridos, assassinados e centenas de detenções arbitrárias. Exigimos a libertação imediata de todos os presos políticos e o fim de todas as formas de criminalização do protesto. Convocamos as bases do Exército boliviano a recusarem reprimir seu próprio povo e a se aliarem àqueles que lutam.

Rejeitamos qualquer tentativa de impor um estado de emergência ou recorrer à repressão como saída para a crise.

A solução não pode vir das mãos do militarismo ou de pactos de cúpula que deixem intacto o poder das grandes empresas e do imperialismo.

Denunciamos os preparativos do governo Paz e do imperialismo dos EUA para esmagar a revolta popular por meio da repressão militar e da imposição de um estado de emergência. Isso inclui o apoio do governo de Javier Milei por meio do envio de material repressivo e as manobras do bloco reacionário regional, chamado Escudo das Américas, que ameaça as lutas populares em todo o continente.

Rejeitamos qualquer tentativa de mediação de governos autoproclamados progressistas na região, como os de Gustavo Petro (Colômbia) e Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) que, sob o pretexto de buscar “soluções pacíficas”, tentam desviar a luta do povo boliviano, conter sua radicalização e preservar a ordem capitalista. A experiência mostra que essas mediações servem apenas para desmobilizar as massas e ganhar tempo para o regime.

Ao mesmo tempo, chamamos os trabalhadores, especialmente os imigrantes latino-americanos nos Estados Unidos, a se organizarem e expressarem sua solidariedade ativa com o povo boliviano em luta. A luta do povo boliviano também é a luta dos trabalhadores oprimidos em todo o continente.

Chamamos os trabalhadores, camponeses, povos indígenas e organizações revolucionárias em toda a América Latina a construírem uma solidariedade internacionalista ativa que vá além das declarações e que contribua para prevenir a intervenção do imperialismo ianque e seus aliados regionais. A luta boliviana faz parte da mesma batalha de classes travada pelos trabalhadores e povos oprimidos na Argentina, Brasil, Colômbia e em todo o continente contra a austeridade, a entrega de recursos e a repressão.

É hora de espalhar a chama da rebelião boliviana por todo o continente.

Abaixo os governos arrochadores e entreguistas da América Latina! Pela unidade dos trabalhadores e dos povos originários contra o imperialismo e seus lacaios!

Abaixo a austeridade, o saque e o governo pró-imperialista de Rodrigo Paz!

Viva a greve geral por tempo indeterminado e os bloqueios populares!

Liberdade imediata para todos os presos políticos!

Governo da COB, dos sindicatos camponeses, dos conselhos de bairro e dos povos originários que estão na linha de frente da luta contra o governo pró-imperialista de Rodrigo Paz!

Por uma Bolívia socialista em uma América socialista!


Adicionado à Declaração Conjunta

20 de junho de 2026

No dia seguinte à divulgação dessa declaração conjunta, a liderança da Central Operária  Boliviana (COB) tornou público seu documento oficial “Alerta e Abordagem para a Pacificação e Recuperação do País” (La Paz, 16 de junho de 2026), endereçado diretamente ao presidente Rodrigo Paz. A lista dos oito eixos levanta demandas parciais legítimas – rejeição da criminalização do protesto, não privatização de empresas públicas, rejeição do FMI, investigação de casos de corrupção e tráfico de drogas, compensação por combustíveis adulterados, um fundo de aposentadoria digno, consulta prévia obrigatória e proteção de áreas protegidas – mas não inclui em nenhum momento o pedido de renúncia do governo. O objetivo é claro: preservar o regime a qualquer custo. Essa proposta da COB é uma traição à rebelião. Eles nem sequer pedem a saída do governo, que foi a palavra de ordem central que unificou a base em mais de seis semanas de greve geral por tempo indeterminado e dezenas de bloqueios.

Chamamos a base dos trabalhadores, mineiros, fábricas, camponeses, povos indígenas originários, vizinhos, trabalhadores do transporte e o povo que apoia com seus corpos os bloqueios e a paralisia do país a rejeitar essa proposta conciliatória da liderança burocrática da COB e a continuar a luta incansável pela derrubada do governo pró-fascista de Rodrigo Paz.

Que seja respeitada a vontade do povo que exige a renúncia do presidente incapaz! Nenhum passo atrás!! Que os mineiros e camponeses organizados nos Conselhos (Cabildos) e assembleias acertem contas com os líderes que pretendem trair a luta!

Que a COB rompa o diálogo com o governo assassino e se submeta às decisões da base convocando um grande Conselho (Cabildo) para continuar a luta até que a renúncia do presidente seja alcançada!!

Abaixo o governo de Rodrigo Paz!

Liberdade para os presos políticos!

Viva a rebelião do povo irmão da Bolívia!

Abaixo o Estado de Exceção!

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