Latoya

Desde que entrei na adolescência, na década de setenta, e comecei a tomar pé dos acontecimentos, sobretudo políticos, deixei de torcer pela seleção brasileira de futebol.

Imaginem que até hoje tenho de cor, como um chiclete, o jingle/hino da Seleção Brasileira da copa de 1970:

🎼”Noventa milhões em ação! Pra frente, Brasil! Do meu coração! “🎼Todos juntos, vamos! Pra frente, Brasil! Salve a Seleção! 🎼De repente é aquela corrente pra frente! Parece que todo o Brasil deu a mão! Todos ligados na mesma  emoção! Tudo é um só coração! “🎼

Entoado sobre uma pilha de cadáveres de presas e presos políticos, assassinados pela ditadura civil militar de 1964.

O esporte, que deveria proporcionar a confraternização entre as nações, usado para esconder o massacre de seu próprio povo, pois a bandeira nacional tem sido propriedade da classe dominante de cada país.

Neste ano de 2026 não é diferente. A Copa do Mundo, sediada pela nação imperialista mais poderosa do mundo, os EUA, na figura do presidente Donald Trump, estende para os inúmeros gramados, das cidades que sediam o mundial, as barbaridades que tem feito pelo mundo afora: massacre da população em Gaza, bloqueio de alimentos e medicamentos, sequestro, proibição de entrada, vistos e estadias negadas, sequestro de presidente, ameaça de invasão a Cuba, guerra contra o Irã etc…

Assim, foi deportado o árbitro somali, foram proibidas as delegações somali, haitiana e iraniana de hospedarem-se no país.

A Copa do Mundo, com os ingressos mais caros da história, foi apenas para um seleto grupo de endinheirados e endinheiradas, exibidos pelas câmeras de TV e na internet durante as partidas, nas arquibancadas. A Copa patrocinada pelas Bets e grandes empresas (que podem ter influenciado os resultados – vai saber…).

O imperador racista Donald Trump, mandou nos EUA (controlando a entrada de visitantes com o ICE), mandou na FIFA, mandou na arbitragem, buscando influenciar o resultado dos jogos,  inclusive anulando o cartão  vermelho do jogador estadunidense, nas semifinais.

E, para coroar a Copa do Imperialismo, o imperador Trump, depois de entregar medalhas e troféus, junto com o submisso presidente da FIFA, Gianni Infantino, fez de tudo para sair na foto da seleção Bicampeã, a Espanha. Mas, foi praticamente empurrado pela seleção espanhola.

Outros episódios deploráveis puderam ser vistos na manifestação de racismo das torcidas e na falta de espírito desportivo, como a postura do Neymar, na derrota do Brasil para a Noruega.

Resistência contra o colonialismo e o imperialismo

Contudo, precisamos destacar aqui os poucos episódios de dignidade política, que mostraram a resistência dos povos contra o colonialismo e o imperialismo:

Lumumba Vea, que, com a torcida da República Democrática do Congo, homenageou durante todo o jogo, Patrice Lumunba, herói da independência do País;

“Esta vitória é para o povo egípcio, para o povo palestino e para todo o povo árabe”, disse Hossam Hassan, treinador Da Seleção do Egito, após vitória sobre a Austrália nos pênaltis, quando levantou a bandeira da Palestina dentro do campo.

Jogadores argentinos celebraram virada sobre a Inglaterra com a faixa “As Malvinas são argentinas”.

O uniforme original do Haiti fazia uma referência à Revolução Haitiana no lado direito da camisa. Foi proibido pela FIFA.

O maior campeonato esportivo do mundo, a Copa de Futebol Masculino, refletiu exatamente o maior problema enfrentado pela maioria da humanidade: o domínio, a ingerência e a opressão imperialista sobre os povos e a classe trabalhadora, que precisa se libertar da exploração e opressão capitalista, pois este sistema é cada vez mais incapaz, inclusive, de promover eventos esportivos saudáveis e edificantes.

Reações no Fediverso

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