Na última quarta-feira, todo o povo argentino entrou em campo para acertar uma conta pendente com o imperialismo britânico, para homenagear nossos caídos na Guerra das Malvinas e para reivindicar nossa soberania sobre as ilhas que foram, são e serão argentinas.

Não era apenas mais um jogo.

O governo nacional tentou minimizar a disputa dizendo que era uma partida de futebol como qualquer outra, em clara harmonia com seu servilismo e capachismo perante o Império, que vai desde a admiração do presidente Milei pela criminosa de guerra Margaret Thatcher até a renúncia de fato à exigência de soberania sobre as ilhas.

Esse discurso oficial do governo esconde uma política consciente de tentar apagar da memória coletiva uma reivindicação histórica e ceder uma parte muito importante e estratégica de nosso território aos piratas ingleses. A tal ponto são estratégicos que a empresa britânica Rock Hopper Exploration e a empresa israelense Navitas Petroleum estão atualmente desenvolvendo um projeto de exploração de petróleo ao redor de nossas ilhas, que prevê a extração de 55 mil barris de combustível por dia, a partir de 2028. Tudo isso sob o olhar indiferente do governo libertário.

Mas o avanço imperialista britânico não termina nas Ilhas Malvinas, mas também tem sido perpetrado com a posse de terras por magnatas ingleses como Joe Lewis, que se apropriaram ilegalmente de grandes áreas da Patagônia argentina, com a cumplicidade de autoridades políticas e judiciais, expulsando comunidades originárias de seus territórios ancestrais e construindo seu próprio império na região. Como se não bastasse, nesses dias, o Senado da Nação planejava encaminhar um novo projeto de estrangeirização de nossas terras disfarçado sob o nome de “Lei de Inviolabilidade da Propriedade Privada”, que foi finalmente adiado para agosto.

Da usurpação de nossas ilhas ao saque de nossas riquezas.

Como diz um velho ditado: “não se trata de trocar de coleira, mas de deixar de ser um cão”, e essa é a tarefa que nos é imposta nestes tempos diante da entrega total e absoluta de nossos recursos naturais e riquezas pelo governo de Javier Milei ao imperialismo estadunidense. Desde a segunda metade do século passado, no período pós-guerra, nosso país se tornou uma semi-colônia ianque. Essa situação se aprofundou desde o golpe militar de 1976 em diante, passando pelas relações carnais do governo Menem até chegar ao atual governo mileísta, fantoche dos Estados Unidos. Essa realidade se expressa nos acordos políticos e comerciais com o governo de Donald Trump, mas, acima de tudo, se manifesta com total clareza pela intervenção direta do FMI na política econômica nacional e pelo mecanismo de saque por meio da fraudulenta e ilegítima DÍVIDA EXTERNA.

O “sacrifício” que o governo libertário exigiu do povo e que está causando estragos na sociedade, aumentando a miséria, o desemprego e a marginalização, não tem a intenção de “limpar as finanças” ou “ordenar a macroeconomia” ou qualquer uma das frases bonitas que eles querem que acreditemos. O único objetivo da austeridade criminosa e genocida ao povo trabalhador é o pagamento da Dívida Externa aos abutres do FMI, do Banco Mundial e dos bancos e fundos de investimento chupa-sangues que ficam com o fruto do nosso trabalho. O dinheiro que falta aos aposentados, aos deficientes e aos trabalhadores, que não chegam à metade do mês com seu salário, é levado pelo FMI e por todos os abutres financeiros que digitam o plano econômico de Caputo. Tanto é assim que, há alguns dias, o Ministro da Economia anunciou seu Programa Financeiro 2026-2027, que consiste em tranquilizar credores locais e estrangeiros de que seu dinheiro está garantido, obviamente através do nosso. O mais escandaloso no plano de Caputo é que ele mais uma vez contrai uma dívida de 3 bilhões e 200 milhões de dólares com o Banco Santander, BBVA e Deutsche Bank, aceitando condições de agiota, com o pagamento de juros adiantados e comissões para os credores. O próprio ministro anunciou que parte dos vencimentos da dívida será coberta pelas privatizações da Nucleoeléctrica, Belgrano Cargas, AySA e outras empresas com participação estatal.

O governo de La Libertad Avanza, com a ajuda da oposição, tem desmontado as áreas do Estado que desempenham um papel fundamental no desenvolvimento do nosso país, com o esvaziamento do INTI (Instituto Nacional de Tecnologia Industrial), do INTA (Instituto Nacional de Tecnologia Agrícola), da Comissão Nacional de Energia Atômica (CNEA) e do Conicet. Ao mesmo tempo, tem promovido um ataque feroz à educação, cortando o financiamento das universidades públicas, e na saúde, cortando orçamentos para hospitais e programas de tratamento e prevenção de doenças.

Ele faz tudo isso para abrir caminho para as multinacionais e para a entrega de nossos recursos naturais. A recente onda de demissões na CNEA vem acompanhada da privatização da empresa Nucleoeléctrica Argentina, que é produtora de eletricidade a partir do uso de urânio. Em outras palavras, todos os vestígios de soberania na produção de energia e conhecimento para o desenvolvimento soberano do nosso país estão sendo eliminados.

Vamos seguir o exemplo da seleção argentina! Vamos levar a demanda pela nossa soberania para as ruas!

Os jogadores do nosso time de futebol honraram a memória dos nossos heróis das Malvinas desobedecendo às ordens do governo libertário e da Ministra da Segurança, Monteoliva, que oficializou um comunicado proibindo as torcidas de entrarem no estádio com bandeiras ou qualquer símbolo que aludisse à reivindicação de soberania sobre nossas ilhas. Eles chegaram a se expor à ameaça de sanção da FIFA por não cumprirem essa diretriz. Foi tamanho o impacto causado pela exibição da faixa com a reivindicação das nossas Malvinas por parte dos jogadores, que o governo britânico pediu a retirada do visto dos jogadores argentinos que jogam na Inglaterra. E até mesmo nas primeiras páginas dos jornais ingleses, eles ficaram escandalizados com a “afronta” da seleção nacional.

O povo argentino ecoou essa exigência saindo em massa para celebrar o triunfo nas ruas, entoando “quem não pula é inglês” e queimando a bandeira da Inglaterra. Mas, isso não pode ficar apenas como uma partida de futebol. Precisamos nos organizar em cada bairro, em cada local de trabalho e em cada escola ou faculdade, para nos unirmos sob a mesma bandeira: FORA MILEI! Pela exigência de soberania sobre nossas ilhas e sobre todo o nosso território e recursos naturais. Exigir a quebra dos acordos com os agiotas do FMI e com os governos genocidas de Trump e Netanyahu.

Vamos exigir que a CGT, as CTAS e os Movimentos Sociais parem de dar tempo ao governo libertário e de jogar tudo para as eleições e chamem a um Plano de Luta sério, discutido em assembleia pelos trabalhadores. Basta de fraqueza e de ações discutidas dentro de quatro paredes!

FORA O FMI DA ARGENTINA!

NÃO AO PAGAMENTO DA DÍVIDA COM O FOME DO POVO!

NÃO À LEI SOBRE ESTRANGEIRIZAÇÃO DA TERRA!

NÃO À PRIVATIZAÇÃO DAS EMPRESAS CONTROLADAS PELO ESTADO!

FORA MILEI, JÁ!

{Acesse o Facebook da CTR: https://www.facebook.com/CTRArgentina]

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