Novas manifestações estão sendo organizadas para sexta-feira, 30/1, nos Estados Unidos, contra a repressão de ICE/Trump. Publicamos nova declaração dos camaradas de Socialismo Sem Fronteiras, que participam diretamente dos protestos.
Declaração dos Socialistas Sem Fronteiras — 28 de janeiro de 2026
Devemos ser claros e diretos com nossa comunidade: estamos diante de uma campanha calculada de Terror de Estado. Essa é a realidade em que vivemos: um regime que busca quebrar a vontade da classe trabalhadora por meio de sangue, vigilância e medo. Vivemos sob um estado de sítio de fato, onde o Estado mata impunemente e as proteções constitucionais foram varridas por completo. Essa situação é inaceitável. Precisamos reconhecer como chegamos a este ponto: esse pesadelo foi possível graças às Leis Patrióticas (Patriotic Acts) e à legislação repressiva aprovada majoritariamente tanto por democratas como republicanos. Juntos, eles retiraram o devido processo e eliminaram as liberdades democráticas de todos. Agora, nos encontramos em um vácuo legal onde o Estado pode sequestrar e matar qualquer membro da nossa sociedade sem prestar contas.
Deportações em massa, a presença de unidades táticas em nossas ruas e a detenção de prisioneiros políticos não são apenas um ataque aos imigrantes; são uma arma de intimidação em massa direcionada a toda a população. Ao desencadear o terror contra um setor, o regime busca paralisar todos nós. Eles querem uma população consumida pelo medo, mas subestimaram nossa capacidade de ação coletiva. Diante da intensificação dessa repressão, hoje anunciamos que a luta não para; a resposta de 23 de janeiro foi apenas o começo e essa mobilização continua até que a paralisação seja total, pois o momento de resistência passiva acabou.
A verdade fundamental deste momento é que a Greve Geral é a única força capaz de deter isso. A mobilização da última sexta-feira 23 foi um ponto de virada histórico. O que testemunhamos naquele dia foi uma erupção nacional do poder da classe trabalhadora. Em Minneapolis, a paralisação foi total; em Chicago, os serviços de transporte estavam paralisados; em Los Angeles, trabalhadores do porto interromperam o movimento de cargas. Essa ação mostrou ao mundo que uma greve dessa magnitude não é um sonho distante: é uma realidade concreta que demonstra nosso poder estratégico.
Já é hora de expor o papel da burocracia sindical. Enquanto a base está pronta para lutar, a maioria dos líderes sindicais permanece paralisada pelo medo ou presa à lealdade ao Partido Democrata. Essa burocracia atua como uma barreira, recusando-se a convocar uma Greve Geral porque temem perder seu assento à mesa do próprio regime que nos oprime. Rejeitamos as tentativas deles de diluir nosso movimento. O poder da greve pertence aos trabalhadores, não aos funcionários que buscam gerenciar nosso descontentamento.
A resposta do Estado à nossa unidade tem sido letal. O assassinato de Alex Pretti, no último sábado, em Minneapolis, junto com as mortes de Mateo Terán e Renee Nicole Good, confirma que o regime passou da intimidação para a execução seletiva. O derramamento de sangue se espalha para Chicago com a perda de David “Santi” Santiago, e para Los Angeles, com Elena Rivas. Cada gota de sangue derramada é consequência direta das ordens de “atirar para matar” dadas às forças ocupantes.
Estamos atualmente sob cerco militar. Em São Francisco, denunciamos o uso de mais de 100 drones para monitorar nossos protestos. Condenamos a chegada de armas de grau militar às nossas ruas. Diante disso, rechaçamos as manobras eleitorais do Partido Democrata. Precisamos construir um novo governo anti-imperialista: um governo dos trabalhadores, dos grevistas e daqueles que lutam. Nossa luta é inseparável da resistência na Palestina e no México. Somos uma só classe lutando contra um único inimigo global. Nosso programa é inegociável: Abolição do ICE, Documentos para Todos e a libertação imediata de todos os Presos Políticos.
A verdadeira autodefesa é coletiva. Saudamos ao Partido do Leão Negro pela Solidariedade Internacional, aos Clubes de Tiro John Brown e aos grupos comunitários que patrulham nossas ruas. Mas, para que essa defesa tenha êxito, ela precisa estar enraizada em nosso poder como trabalhadores. É urgente organizar comitês independentes de base, livres do controle da máquina bipartidária, para sustentar a paralisação do país nesta sexta-feira.
Em 23 de janeiro, foi mostrado que a Greve Geral é possível. Não nos deteremos até que o ICE seja dissolvido e um governo operário anti-imperialista seja estabelecido por meio da paralisação total do país.
E hoje nos encontramos ante um novo chamado para continuar com o movimento da greve geral, esta vez para a sexta-feira, 30 de janeiro, contando com a participação de: Greve Geral EUA, Coalizão ANSWER, Coalizão Nacional de Fechamento, Movimento Juvenil Palestino, Associação de Estudantes Somalis (UMN), União de Estudantes Negros, União dos Trabalhadores de Pós-Graduação (UMN), Conselho de Relações Americano-Islâmicas (CAIR), Black Lives Matter Base Roots, Sindicato dos Inquilinos de LA, Union de Vecinos, SEIU Local 26, UNITE HERE Local 17, ATU Local 1005, AFSCME Local 3800, UE Local 1105, CWA Local 7250, Federação Regional do Trabalho de Minneapolis (AFL-CIO), Industrial Workers of the World (IWW), Socialistas Democráticos da América (DSA), Partido do Socialismo e Libertação (PSL), Partido Verde, Nossa Revolução, MEChA, DARE, Aliança para Mobilizar Nossa Resistência, União dos Inquilinos de San Francisco, Centro Árabe de Recursos e Organização (AROC), Esquerda Internacional, Associação de Enfermeiras da Califórnia, United We Dream y Alianza Américas, junto a más de 150 organizações e crescendo.
JUSTIÇA PARA ALEX, RENÉE, MATEO E ANDRÉS!
LIBERDADE IMEDIATA PARA TODOS OS PRESOS POLÍTICOS!
ABAIXO O REGIME E SUA REPRESSÃO BIPARTIDÁRIA!
Acesse o site de Socialistas Sem Fronteiras: https://socialistswithoutborders.org/


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