Fora o imperialismo de Trump da América Latina!
Nota conjunta do GOI-Palavra Operária (Brasil) e Lucha Contracorriente (Estado Espanhol)
A guerra não declarada dos Estados Unidos contra a Venezuela já está em curso. Até este momento, cerca de 100 pessoas já foram assassinadas em ataques a barcos nas costas venezuelanas. O espaço aéreo venezuelano foi fechado e o comércio marítimo de petróleo está sendo impedido pelas forças militares ianques, que atuam como piratas sequestrando navios petroleiros da Venezuela.
Com estes ataques, Trump busca normalizar a lei do mais forte como a nova regra das relações internacionais, seguindo o exemplo de seu aliado sionista Benjamin Netanyahu, o carrasco de Gaza.
Trump conta com a cumplicidade do Partido Democrata dos Estados Unidos, assim como dos demais países imperialistas, da ONU e da OEA, demonstrando, de uma vez por todas, o caráter pró-imperialista destes “organismos multilaterais”. Já os supostos “amigos da Venezuela”, Xi Jinping (China) e Putin (Rússia), não movem um dedo contra a agressão dos EUA.
A imprensa burguesa dos Estados Unidos, na América Latina e mundial reverbera as mentiras de Trump que buscam maquiar e justificar a agressão à Venezuela como sendo o combate a um suposto “narcoterrorismo”.
Sob esta falsa justificativa, o governo estadunidense avança com a chamada Operação Lança do Sul, concentrando a maior frota de guerra no Caribe desde a Crise dos Mísseis (1962) e retomando e construindo bases militares em todo o continente. Na verdade, podemos afirmar que Trinidad e Tobago já é, na prática, uma base militar dos EUA.
Diante da agressão à Venezuela e das ameaças a toda a América Latina, os governos locais se dividem em dois grandes blocos. O primeiro bloco é formado pelos governos capachos e cúmplices de Trump, como os de Milei (Argentina), Bukele (El Salvador),
Christine Kangaloo (Trinidad e Tobago), Luis Abinader (República Dominicana), Santiago Peña (Paraguai), Raúl Mulino (Panamá) e outros, que apoiam abertamente a guerra contra a Venezuela, inclusive abrindo os territórios destes países para o funcionamento de bases militares dos EUA. Junto a estes governos se perfilam os partidos e movimentos da ultra direita como Maria Corina Machado, Jair Bolsonaro, Álvaro Uribe, entre outros, que clamam abertamente pela intervenção dos EUA para “libertar” seus países.
Um segundo bloco é formado pelos governos de “esquerda” como o de
Lula (Brasil), Gustavo Petro (Colômbia), Gabriel Boric (Chile), Cláudia Sheinbaum (México), Yamandú Orsi (Uruguai), Daniel Ortega (Nicaragua) e Díaz-Canel (Cuba). Estes governos se apresentam como defensores da soberania nacional, mas têm se limitado a fazer pedidos de moderação a Trump, buscando alertá-lo sobre os “perigos” de uma guerra aberta contra a Venezuela.
Exemplo maior disso é Lula, que tem atuado nos bastidores diplomáticos para viabilizar a renúncia de Maduro e a transição pacífica do poder a Corina Machado, ou seja, para garantir uma capitulação pelas vias diplomáticas do regime chavista aos apetites imperialistas de Trump e seu secretário de Estado Marco Rubio.
Os discursos mais acalorados têm sido feitos por Petro, contudo, sua retórica anti Trump apenas coloca a nú a impotência dos regimes coloniais dos países da América Latina, desde sempre atados ao imperialismo pelas tenazes de aço da submissão econômica.
A prova mais flagrante da impotência dos governos, partidos e movimentos da “esquerda” latino-americana é que até agora não foram capazes sequer de emitir uma simples declaração conjunta de rechaço à agressão dos EUA e de solidariedade à Venezuela, tal o seu temor de desagradar ao “Grande Irmão do Norte”.
Por trás dos discursos e das manobras diplomáticas em nome da soberania nacional esconde-se a verdadeira realidade da submissão colonial. Enquanto os países da América Latina forem governados pela burguesia e seus lacaios, não será possível nenhum enfrentamento sério ao imperialismo.
A defesa da Venezuela e da América Latina contra o imperialismo, portanto, encontra-se hoje totalmente nas mãos do proletariado e dos povos oprimidos, de norte a sul do continente americano.
A guerra de Trump contra a Venezuela e as ameaças a toda a América Latina vêm se somar aos seus ataques virulentos aos direitos sociais e democráticos do povo trabalhador e oprimido dentro dos Estados Unidos. Em sua agonia mortal, o imperialismo estadunidense e mundial nada tem a oferecer senão o aumento brutal da exploração de classe, com seu corolário de colonialismo, racismo, machismo, xenofobia e lgbtfobia.
A solidariedade internacional ao povo palestino, que juntou dezenas de milhares de ativistas e mobilizou milhões de pessoas em todos os países nos últimos dois anos, mostrou a força da consciência socialista e internacionalista da classe trabalhadora, em particular da juventude proletária. É com esta experiência e este exemplo que devemos impulsionar a solidariedade ao povo da Venezuela em toda a América Latina e em todo o mundo, inclusive e principalmente dentro do próprio Estados Unidos.
✊🏿 Por uma campanha internacional de solidariedade ao povo da Venezuela. Formação de comitês unificados para a organização de manifestações e atividades.
✊🏿 Em defesa do povo venezuelano contra a agressão militar dos Estados Unidos! Pela retirada imediata da frota de guerra ianque das costas da Venezuela e do Caribe.
✊🏿 Unidade de ação militar com o governo Maduro e as Forças Armadas Bolivarianas contra a guerra dos EUA. Sem lhes dar, entretanto, nenhum apoio político e lutando pelo armamento da classe trabalhadora e do povo pobre venezuelano para que se coloquem na linha de frente da luta contra as tropas agressoras. Instrução militar e armamento geral do povo venezuelano, a cargo de comitês de trabalhadores e do povo pobre.
✊🏿 Abaixo a diplomacia secreta! Que todas as negociações e acordos entre o governo de Maduro e Trump sejam publicadas.
✊🏿 Que os partidos, movimentos e sindicatos que se apresentam como defensores da soberania da Venezuela contra a agressão dos EUA convoquem uma reunião dos povos da América Latina para organizar ações concretas contra a agressão do imperialismo ianque, em solidariedade ao povo venezuelano. E que exijam de Lula, Petro, Boric, Sheinbaum, Orsi, Ortega, Díaz-Canel medidas concretas em defesa da Venezuela e de toda a América Latina.
Nós, que firmamos esta declaração, propomos a organização de Comitês de Luta em todos os países para organizar esta luta pela base. Apenas a luta dos trabalhadores e oprimidos pode enfrentar de forma enérgica e eficaz a atual agressão do imperialismo, apoiada pelas oligarquias e as classes dominantes de nossos países, fiéis lacaios do imperialismo dos EUA.
✊🏿 Para enfrentar a agressão de Trump, que o povo trabalhador da Venezuela lute pelas seguintes Medidas de Emergência:
- Plenos direitos democráticos de expressão, manifestação e reunião.
- Pela imediata suspensão do pagamento da dívida externa da Venezuela aos banqueiros e nacionalização, sob controle dos trabalhadores, das empresas estadunidenses.
- Que estes recursos sejam usados para garantir o pleno abastecimento de alimentos, remédios e produtos de primeira necessidade para a população.
- Revogação imediata do “Plano de Reestruturação Econômica” e de todas as medidas de flexibilização e precarização do trabalho aplicadas pelo governo Maduro.


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