Entrevista com um trabalhador do telemarketing sobre a luta pelo fim da escala 6×1

Palavra Operária: Qual a sua avaliação sobre a luta pelo fim da escala 6×1 até o momento? Você avalia que a luta está se fortalecendo junto aos trabalhadores?

Watu: No contexto geral, a luta pelo fim da escala 6×1 que foi levantada inicialmente por Rick Azevedo, importante frisar, pois o desabafo dele chamou atenção para o cansaço e a exaustão de milhões de trabalhadores do comércio, indústria e até mesmo funcionários do serviço público. Está pauta conseguiu unir forças de muitas alas da sociedade que estavam afastadas e conseguiu unir pessoas de espectros políticos diferentes. Seja o trabalhador que diz ser de direita, até mesmo aquele que prefere não falar de política por vergonha ou medo. E vejo que está pauta fortaleceu os trabalhadores uniu eles dentro e até mesmo fora da fábrica.

PO: Como está a situação dos trabalhadores nos locais de trabalho?

Watu: Mesmo com as atenções voltadas para a pauta do fim da escala 6×1, as condições trabalhistas em setores do comércio, call-center e até mesmo setores da educação e segurança, não são as melhores. Há trabalhadores que para não perderem comissão deixam de ir ao médico, e muitas vezes deixam até mesmo de lado coisas importantes, como a atenção com a educação dos filhos. Isso pq a comissão é algo que pode ajudar, desde o pagamento de uma conta de luz até inteirar com o aluguel. E os gerentes donos de produtos que contratam empresas terceirizadas usam como maneira de evitar as faltas. Já em setores como segurança e educação entram as perseguições e assédio moral, pois os que não concordam com sistema de trabalho ou ordens divergentes de suas atribuições, são perseguidos, afastados e até ditos como loucos por seus superiores. Isso tanto nas áreas de saúde, segurança e educação.

PO: O governo federal tem acenado com a aprovação de uma lei no Congresso pelo fim da escala 6×1. Os trabalhadores estão com esperança nisso? Você vê isto como possível?

Watu: Vejo o aceno do governo federal como algo positivo para a pauta, pois fortalece a esperança dos trabalhadores do fim desta escala. E sim vejo como algo possível, já que recentemente tivemos empresas que reduziram a suas escalas, e outras com estudos. Isso praticamente é um tapa na cara do nosso congresso. Pois mostra que a redução é possível, e não há espaço para desculpas. Resta aos nossos políticos aceitarem. E digo mais, com a geração Z deixando de trabalhar nestes postos e não aceitando qualquer coisa. Ou o mercado de trabalho muda sua forma de pensar ou haverá escassez de mão-de-obra.

PO: Você fez parte do Movimento VAT. Qual é o papel do VAT hoje como movimento de organização e luta dos trabalhadores pelo fim da escala 6×1?

Watu: Sim, fiz parte do VAT durante algum tempo, o movimento tem uma importância muito grande nesta luta, pois através dele sindicatos acordaram, passaram a refazer a lição de casa. O VAT conseguiu unir vários movimentos e sindicatos em torno de uma pauta. Hoje o movimento esfriou, mas com sua nova reformulação espero que ganhe força novamente.

PO: O que você pensa que deveriam ser os próximos passos desta luta?

Watu: Eu penso que os próximos passos desta luta é a união de partidos de esquerda, movimentos e coletivos, sindicatos como uma frente única, visando atos com presença maciça. Para mostrar força, e reivindicar que Câmara e Senado cumpram seu papel votando não apenas o Fim da Escala 6×1, mas também pautas que são de interesse público, como tarifa zero no transporte público, aumento real do salário mínimo, rever as políticas de educação valorizando o educador, e também uma melhoria na política de segurança pública , unificando as polícias e criando uma corregedoria séria e capacitada para punir os maus policiais. Nosso país tem muito a ser melhorado, mas isso só acontecerá quando houver uma união de todos.

PO: Qual a sua avaliação sobre a atuação dos sindicatos na organização desta luta?

Watu: Os sindicatos eles tem papel fundamental nesta luta, pois com sua estrutura e mecanismo eles podem organizar os trabalhos, para futuras greves . Além de criar mecanismos que garantam os direitos deles. E o sindicato que não fizer, que feche suas portas, pois não estará cumprindo com a sua função básica de representatividade trabalhista.

Como os trabalhadores poderiam se organizar na base, nas empresas?

Watu: Os trabalhadores podem ajudar organizando-se junto a movimentos e coletivos, denunciando ações arbitrárias e de desrespeito as normas previstas na CLT.

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