Fora Castro, aliado das milícias e assassino do povo trabalhador!
Nota do GOI-Palavra Operária
No dia 28 de outubro, o povo trabalhador do Rio de Janeiro foi abalado por mais uma megaoperação policial do governo do Estado que assassinou 128 pessoas nas favelas da Penha e do Complexo do Alemão. As cenas dos corpos enfileirados no chão (a maioria jovens e pretos) e relatos da crueldade e brutalidade dos assassinatos (degolas, tiros na cabeça, facadas, etc.) cometidos pela Polícia Militar e Civil do Rio de Janeiro, seguidas de represálias dos narcotraficantes, através de barricadas e toques de recolher em outras regiões da cidade, aterrorizaram a população, levando ao fechamento precipitado de escolas e atividades econômicas em toda a cidade.
A “Operação Contenção” mobilizou cerca de 2.500 policiais, com suporte logístico de drones, 2 helicópteros, 32 blindados e 12 veículos de demolição, verdadeiro arsenal de guerra lançado contra uma população de cerca de 110 mil pessoas daquelas comunidades. A operação mostrou que as forças policiais e militares do Estado brasileiro já não se limitam a importar armas do Estado de Israel, mas utilizam também as táticas militares sionistas de matança em massa aplicadas no genocídio do povo palestino na Faixa de Gaza.
A justificativa do governador Cláudio Castro (PL), como sempre, é a do “combate ao narcotráfico”, agora rebatizado por ele de “narcoterrorismo”, fazendo eco ao novo jargão criado por Donald Trump para justificar os ataques imperialistas promovidos à Venezuela, Colômbia e outras nações da América Latina. Não à toa, governos capachos de Trump, como o de Miley, da Argentina, e o de Santiago Peña, do Paraguai, deslocaram tropas policiais para as fronteiras com o Brasil alegando querer bloquear a fuga dos “narcoterroristas”.
A acusação de “terrorismo” passa a ser utilizada para justificar a matança indiscriminada de pessoas, seja na Faixa de Gaza, no mar do Caribe ou nas favelas do Rio de Janeiro, assim como para legalizar a perseguição a organizações de luta do povo trabalhador e oprimido (a exemplo do que faz Trump com a Antifa, nos EUA). A Comissão de Segurança Pública da Câmara Federal acaba de aprovar um projeto que legaliza o conceito de “narcoterrorismo”, a ser incluído na Lei Antiterrorismo, este famigerado legado do governo Dilma Rousseff (PT), de 2016.
Está em curso uma campanha ideológica e política que tenta encobrir o massacre promovido no Rio de Janeiro com o manto do “combate ao crime organizado”, em nome da “segurança pública”. Esta mesma ladainha é repetida nas notícias, reportagens e análises feitas pela grande imprensa “livre” burguesa, do tipo dos jornais Estadão, Globo, Folha de SP, e os monopólios de TV e rádio (Globo, SBT, Record, Band etc.), que buscam desviar a atenção da população dos verdadeiros problemas evidenciados pela mega chacina no Rio.
A reunião de governadores bolsonaristas (Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais; Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina; Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás; Eduardo Riedel (Progressistas), do Mato Grosso do Sul; Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, e Celina Leão (Progressistas), vice-governadora do Distrito Federal) em apoio a Castro, em que anunciaram a formação do “Consórcio da Paz”, evidencia o cinismo da ultradireita e desmascara o outro objetivo da mega chacina promovida no Rio: a tentativa do bolsonarismo de impor o tema da “segurança pública” como centro dos debates visando às eleições do ano que vem.
Na verdade, o que está por trás da ação do governo bolsonarista de Cláudio Castro é a disputa de territórios entre o Comando Vermelho e as Milícias paramilitares do Rio de Janeiro. É amplamente conhecida a estreita vinculação do bolsonarismo com estas milícias, que atuam como um braço paralelo da polícia e do Estado, aterrorizando e espoliando os trabalhadores e pequenos negociantes nos bairros populares. Cláudio Castro, representante de uma das facções da burguesia narcotraficante, utiliza as forças policiais do Estado para fortalecer as milícias que, nos últimos meses, vêm perdendo terreno para seu rival, o Comando Vermelho. Nesta falsa “guerra ao narcotráfico”, os policiais são usados como bucha de canhão para garantir os interesses escusos e corruptos da alta cúpula da PM e de políticos sinistros como Cláudio Castro.
Diante de mais este ataque bolsonarista ao povo trabalhador, o que fez o governo Lula-Alckmin?
A primeira reação do governo federal foi enviar ao Rio o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que, após reunir-se com Lula, declarou: “O presidente ficou estarrecido com o número de ocorrências fatais que se registraram no RJ e de certa maneira se mostrou surpreso que uma operação dessa envergadura fosse desencadeada sem conhecimento do governo federal, sem possibilidade de o governo participar com os recursos que tem, apoio logístico”. Ou seja, segundo o ministro, Lula reclamou por não ter sido avisado sobre a “operação”, à qual poderia ter dado “apoio logístico”.
No dia seguinte à chacina, Guilherme Boulos, em sua posse como ministro da Secretaria Geral da Presidência, pediu um minuto de silêncio “por todas as vítimas” do massacre do Rio, e declarou que “tem orgulho de fazer parte de um governo que sabe que a cabeça do crime organizado desse país não está no barraco de uma favela. Muitas vezes está na lavagem de dinheiro lá na Faria Lima, como nós vimos na operação Carbono Oculto da Polícia Federal”. Esta operação desvendou os elos do PCC (Primeiro Comando da Capital), maior organização do tráfico de drogas de São Paulo e do país, com outras atividades econômicas utilizadas para “lavagem do dinheiro”, como a venda de combustíveis em postos de gasolina, identificando alguns burgueses proprietários destes postos e grandes corporações petroleiras como Ipiranga, Shell, Rodoil e Vibra-Petrobrás.
Na noite do mesmo dia Lula se manifestou no X: “Precisamos de um trabalho coordenado que atinja a espinha dorsal do tráfico sem colocar policiais, crianças e famílias inocentes em risco. Foi exatamente o que fizemos em agosto, na maior operação contra o crime organizado da história do país, que chegou ao coração financeiro de uma grande quadrilha envolvida em venda de drogas, adulteração de combustível e lavagem de dinheiro”.
Lula não manifestou nenhuma solidariedade às “crianças e famílias inocentes” vítimas da matança policial de 28 de outubro. E se soma ao falso discurso da “segurança pública” e do “combate ao crime organizado”, propondo fazer um “trabalho coordenado” do governo federal com o narco-governo de Castro e demais assassinos do povo carioca. Desta forma, Lula silencia sobre o crime praticado por Castro e a gangue bolsonarista, que executaram a maior chacina da história recente do Brasil, que mostrou que o Estado do Rio de Janeiro associado às milícias paramilitares é o verdadeiro “crime organizado” que impõe o terror sobre os bairros populares. Lula silencia em relação ao fato de que a violência policial e o genocídio nas quebradas e favelas é o verdadeiro problema de “segurança pública” enfrentado cotidianamente pelo povo pobre e trabalhador.
O que Lula e Boulos não se atrevem a dizer é que para “atingir a cabeça do crime organizado” é preciso colocar a descoberto e combater as intensas relações econômicas da alta burguesia com o comércio internacional de drogas, que movimenta centenas de bilhões de dólares por ano. Para atingir a “espinha dorsal do tráfico” é necessário expor os relações corruptas entre as facções da burguesia narcotraficante (PCC, CV, Milícias etc.) e as cúpulas das Polícias Militares, que incluem a participação nos lucros do “tráfico de drogas” e outros negócios do “crime organizado”, sob a base de acordos de controle sobre os territórios.
Mas, Lula e Boulos não se propõem a este enfrentamento, porque isso atentaria contra sua política de colaboração e conciliação de classes com a burguesia nacional e o imperialismo, assim como sua política de sustentação do atual regime democrático corrupto e bonapartista.
As comunidades da Penha e do Complexo do Alemão, ao mesmo tempo que choram e enterram suas vítimas, se mobilizam para exigir Justiça e o fim do genocídio. A mobilização teve início com a busca e retirada dos corpos dos moradores assassinados na mata, que foram enfileirados na rua como forma de denúncia e protesto. Diversos movimentos sociais e igrejas formaram tendas na entrada das favelas para dar apoio psicológico e orar com as famílias. Protestos foram organizados no mesmo dia na porta do Palácio do Governo e no IML, com trancamento de ruas, passeatas e motociatas. Em 31/10, manifestações reuniram milhares de pessoas em todo o país, em protesto contra o massacre e solidariedade às vítimas. Nestas manifestações foram ouvidas as palavras de ordem de Fora Castro, aliado das milícias e assassino do povo!
A mobilização independente do povo trabalhador é a única saída para a defesa e a luta contra a violência do Estado e dos bandos armados da burguesia narcotraficante.


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