#BoulosEmTaboão | Não adianta falar em “contra ataque” ao bolsonarismo, mas apoiar a direita nos municípios

Na noite fria de quinta-feira passada, 3 de julho, centenas de apoiadores do deputado Guilherme Boulos (PSOL) reuniram-se no Sindicato dos Metalúrgicos, em Taboão da Serra, num evento organizado pelo PSOL, PT, MTST e MST, com a bandeira do “Contra Ataque” à direita e ao bolsonarismo.

Boulos, Paulo Félix (líder do MST – Movimento dos Sem Teto), a deputada estadual Ediane Maria (PSOL) e lideranças do PT e do MTST discursaram denunciando os ataques da direita no Congresso Nacional, como a proposta de congelamento do Salário Mínimo e sua desvinculação dos benefícios sociais (BPC, seguro desemprego etc) e das aposentadorias e pensões. Defenderam a proposta de taxação do IOF, proposta pelo governo federal. E chamaram o povo a defender o governo Lula-Alckmin e já se mobilizar pela reeleição de Lula no ano que vem. Os discursos clamaram à “luta de classes”, “ir pra cima deles” e “partir para o contra-ataque à direita”. 

Porém, logo após a finalização do ato, a imprensa local publicou as imagens sorridentes do encontro entre Boulos, Félix e demais lideranças políticas com o prefeito Engenheiro Daniel (União Brasil), na tarde do mesmo dia, para anunciar a “parceria” de Boulos e Daniel na aplicação de uma emenda parlamentar que destina recursos à construção de uma UBS no município.

Essa não é a primeira vez que estes políticos da esquerda se congratulam com o direitista Daniel. O Funcionalismo Municipal também não se esquece de que durante a greve de 24/11/2024, Boulos reuniu-se com o então prefeito Aprígio, e desmarcou a reunião que tinha agendado com o movimento grevista.

Para viabilizar a aplicação pela Prefeitura das verbas de emendas parlamentares do deputado Boulos bastava um acordo técnico com o prefeito, sem necessidade de uma reunião entre sorrisos e tapinhas nas costas.

Vejamos quem é Daniel Bogalho.

Nas eleições de 2022, o atual prefeito Engenheiro Daniel apoiou Tarcísio de Freitas (o candidato de Bolsonaro) a governador de São Paulo. O carrasco da Favela do Moinho, que impulsiona a privatização do Metrô, CPTM e Serviços Públicos. O defensor do genocídio contra o Povo Palestino feito pelo Estado Racista de Israel e responsável pelo aumento dos assassinatos feitos pela PM contra o povo preto e pobre nas periferias

Tarcísio é hoje um dos principais expoentes do bolsonarismo, possível candidato da ultradireita a presidente em 2026. E o prefeito Daniel é um dos seus principais apoiadores.

Além disso, Daniel é membro de um dos principais partidos da direita, o União Brasil (herdeiro da antiga Arena da época da ditadura militar), que representa os banqueiros e os fazendeiros do agronegócio. Justamente a turma BBB (Bilionários, Banqueiros e Bets), que não quer pagar impostos. Daniel foi lançado na política pelo ex-prefeito Fernando Fernandes (PSDB), o maior dos carrascos do povo taboanense. E apadrinhado pelo ex-prefeito de Embu das Artes, Ney Santos, após sua ruptura com Fernandes. Foi secretário destes ex-prefeitos ao longo dos últimos anos.

Nos dias 5 e 6 de junho, o Funcionalismo Municipal teve que ir à greve para exigir de Daniel que nenhum funcionário receba abaixo do salário mínimo. Isto foi arrancado pela greve, mas o funcionalismo segue sem Vale Transporte e com Vale Alimentação de só 305 reais. Logo após a greve, o prefeito proibiu as trabalhadoras e trabalhadores das escolas municipais de se alimentarem da merenda escolar. E está implantando uma nova versão da precarização do trabalho na Prefeitura, com a imposição de um sistema cooperativista fraudulento para contratação de Agentes de Apoio Escolar e outras funções.

Esperamos que tenha ficado nítido o curriculum de Daniel Bogalho como um exemplo de político e prefeito da direita, que governa em prol dos ricos contra os pobres.

Então, perguntamos a Boulos, Félix e demais lideranças do PSOL e do PT: para que servem alianças com políticos como Daniel? É desta forma que querem “partir para o contra-ataque” ao bolsonarismo e aos ricos?

É preciso que os apoiadores de Boulos, Félix e demais lideranças do PSOL e do PT exijam deles coerência: não adianta falar em “contra ataque” à direita e seguir apoiando políticos da direita e da burguesia.

Esta política de alianças políticas e de colaboração de classes com a burguesia é o que nos trouxe à situação atual da sociedade no Brasil e no mundo, em que a burguesia e o imperialismo promovem guerras, chacinas, fome e miséria, enquanto o povo pobre e trabalhador se encontra imobilizado ou desunido pela política de pacifismo e convivência parlamentar de suas direções com nossos exploradores e opressores.

É preciso que Lula, Boulos e Félix rompam estas alianças com burgueses como Daniel, para avançarmos no combate ao bolsonarismo, na luta de classes dos pobres contra os ricos e na defesa das reivindicações do povo trabalhador. O GOI-Palavra Operária apoiará todo passo nessa direção.

Leia a Carta aos apoiadores de Lula e Boulos.

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