Como seguir a luta pelo Fim da Escala 6×1 e pela Jornada de 36h?

As manifestações do 1º de Maio, Dia Internacional da Luta da Classe Trabalhadora, foram marcadas pelas bandeiras do Fim da Escala 6×1 e Redução da Jornada de Trabalho, sem redução salarial, mostrando que esta é uma pauta que pode unificar hoje o conjunto da classe trabalhadora na luta contra a exploração patronal.

Esta pauta se impôs a todas as burocracias que controlam o movimento sindical, popular e camponês, assim como aos aparatos parlamentares do PT, PSOL e PCdoB, que manipulam o apoio eleitoral  dos setores mais conscientes do proletariado.

Em muitas capitais ocorreram atos unitários centrados nesta pauta, a exemplo do Rio de Janeiro e Curitiba. O mesmo não ocorreu em São Paulo, onde foram realizados 6 atos separados. A CUT realizou um ato-show em São Bernardo do Campo, e também participou do outro ato-show com sorteio de prêmios, organizado pelas demais centrais sindicais burocráticas (Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central etc.), no Campo de Bagatelle, em São Paulo. Na Praça da Sé se reuniu um setor da esquerda junto com a Pastoral Operária. A CSP-Conlutas encabeçou um ato separado em frente ao MASP. Outro ato próprio foi convocado pelo PCO. E o VAT, a Intersindical e diversos setores realizaram um ato também na Avenida Paulista, do qual o GOI-Palavra Operária participou. Esta realidade em São Paulo mostrou que, no estado em que a burocracia sindical e parlamentar é mais forte, o que primou foi o aparatismo e a divisão e não a unidade para lutar.

O trabalho de mobilização nos locais de trabalho para o 1M mostrou a enorme insatisfação das trabalhadoras e trabalhadores com as condições de trabalho. Não apenas as jornadas exaustivas, mas inúmeros outros problemas causados pelo aumento da exploração patronal e governamental: baixos salários, que na maioria nem chegam ao Salário Mínimo de R$ 1.518; benefícios e direitos trabalhistas poucos ou inexistentes; assédio das chefias, que pressionam para atingir metas descabidas; adoecimento físico e mental; entre outras mazelas capitalistas. Na porta das empresas foi possível ver também o crescimento da bronca e da disposição de luta de uma grande parte das trabalhadoras e trabalhadores.   

A grande questão que se coloca neste momento é: como dar continuidade à luta pelo Fim da Escala 6×1 e pela Redução da Jornada de Trabalho? Vinculando-a às demais demandas e reivindicações de melhorias das condições de trabalho.

Pressionar os sindicatos para que assumam esta luta

A pressão da base está obrigando muitos sindicatos a levantarem a bandeira do Fim da Escala 6×1 e Redução da Jornada. Porém, a grande maioria dos dirigentes sindicais não está mobilizando de fato suas categorias para a luta. Vejamos dois exemplos na região de Taboão da Serra-SP.

O Sintratel (Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing de São Paulo e Grande São Paulo, filiado à CUT), representa uma categoria massacrada pela escala 6×1, e nada faz de concreto para a luta. Na Sercom, grande empresa de telemarketing em Taboão, base deste sindicato, eles nem sequer aparecem para defender esta bandeira junto às/aos trabalhadoras/es.

Outro exemplo de imobilismo são os sindicatos de metalúrgicos filiados à CUT e à Força Sindical, que tem na sua base milhares de operários que trabalham na escala 6×1. Na Cinpal, uma das maiores fábricas de autopeças da América Latina, localizada também em Taboão da Serra, os operários tem que trabalhar 2 sábados por mês para completar a jornada de 44 horas semanais, alternando 1 semana na escala 5×2 e outra na 6×1. A redução da jornada para 36 horas semanais acabaria com o trabalho aos sábados e reduziria a jornada diária. Mas, o sindicato local não está empenhado nesta luta.

É preciso que as trabalhadoras e trabalhadores pressionem estes dirigentes sindicais para que cumpram com sua obrigação de representantes legais das categorias. Que organizem e mobilizem suas bases para lutar contra a exploração patronal.

Plebiscito Popular

Para tentar sair do imobilismo, a Frente Brasil Popular (liderada pelo PT) e a Frente Povo Sem Medo (liderada pelo PSOL) estão organizando um Plebiscito Popular em torno às bandeiras da redução de jornada de trabalho sem a redução de salário, o fim da escala 6×1 e a justiça tributária, com a isenção de imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais e aumento da cobrança para quem ganha acima de 50 mil. Esta iniciativa é apoiada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), CTB (Central de Trabalhadores do Brasil), sindicatos e movimentos.

Esta iniciativa é válida se servir para ir até os locais de trabalho conscientizar e mobilizar a classe trabalhadora para a luta. Não adianta só votar em um plebiscito. É preciso paralisar a economia para mostrar a força e a unidade da classe trabalhadora.

Chamado ao VAT

O Movimento VAT (Vida Além do Trabalho) tem cumprido um papel de linha de frente na luta pelo Fim da Escala 6×1 e pela Redução da Jornada. A unanimidade e a unidade em torno a esta pauta nos atos do 1º de Maio é uma vitória política VAT, que fez um chamado a fazer manifestações e paralisações neste dia, impulsionando a conscientização e a mobilização em muitos locais de trabalho.

O chamado do VAT a “Parar O Brasil” no 1º e  2 de Maio foi importante, mas não aconteceu. Os atos de 1M foram um passo à frente, mas ainda é preciso seguir conscientizando, organizando e mobilizando nos call centers, comércio, fábricas, escolas para Parar o Brasil contra as jornadas escravocratas.

Chamamos o VAT a seguir mobilizando as trabalhadoras e trabalhadores nos locais de trabalho, único caminho para avançar na luta pelo Fim da Escala 6×1, pela Jornada de 36h e melhores salários, direitos e condições de trabalho.

Deixe um comentário