Carta Aberta à vanguarda ativista e às trabalhadoras/es do Metrô, CPTM e Sabesp
A greve unificada das/os trabalhadoras/es do Metrô, CPTM e Sabesp no dia 3 de outubro foi muito forte, golpeou os planos de privatização e terceirização do governo bolsonarista de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e obteve amplo apoio da população trabalhadora. Neste momento, a vanguarda ativista e a base trabalhadora que estiveram à frente da greve discutem como dar continuidade à luta.
Com o objetivo de contribuir com este debate, o GOI-Palavra Operária apresenta esta Nota.
A força da greve se deveu principalmente a dois fatores. Primeiro, a disposição das/os trabalhadoras/es de saírem à luta contra a privatização/terceirização, o que expressa a consciência política de que a defesa de seus direitos, empregos e salários depende diretamente de barrar os planos do governo que beneficiam a burguesia e seus políticos. Segundo, a unidade das três categorias foi decisiva para o sucesso do movimento, e expressa a consciência de classe de que a luta isolada por categoria é insuficiente para enfrentar os governos e instituições estatais (TRT) da burguesia, que estão unidos para avançar nos ataques à classe trabalhadora.
Apoiados nesta consciência de luta as/os ativistas que estiveram à frente da greve devem buscar dar continuidade à luta, em um patamar superior de mobilização. Para isso, é preciso identificar e dar resposta aos elementos frágeis que se evidenciaram durante a luta no dia 3 de outubro e nos dias subsequentes.
A principal fragilidade da luta é a sua direção.
A pressão das bases diante do perigo iminente de liquidação dos empregos e direitos, que pode vir com a privatização da CPTM e da Sabesp, empurrou as direções do Sindicato dos Ferroviários, filiada à UGT, e do Sintaema, filiada à CTB, para a greve unificada de 3 de outubro. Mas, os dirigentes destes sindicatos não têm nenhuma política para dar continuidade à luta através da ação direta das bases, e agora insistem nas velhas práticas de direcionar o movimento para os becos sem saída das medidas jurídicas e dos discursos parlamentares.
A aprovação pela Justiça da liminar suspendendo o pregão da terceirização do Atendimento nas estações foi importante para ganhar mais tempo para a organização da luta. Mas, seria um grave erro depositar a mais mínima confiança na justiça burguesa para barrar a terceirização e privatização de Tarcísio. As medidas jurídicas são necessárias, mas podem servir apenas como meios auxiliares da luta direta das/os trabalhadoras/es.
Menos ainda devem as/os trabalhadoras/es depositar confiança em manobras parlamentares, seja na Assembleia Estadual, Câmara de Vereadores ou Câmara de Deputados Federal, poderes que estão hoje dominados por ampla maioria de políticos patronais, corruptos e bolsonaristas. O apoio de parlamentares de esquerda é importante para fortalecer a luta, mas é impotente para derrotar a ofensiva da burguesia sobre nossos direitos.
A diretoria do Sindicato dos Metroviários, que reúne várias correntes socialistas e revolucionárias, cumpriu um papel decisivo para a construção da greve do dia 3 e para “costurar” a unidade com as direções do Sindicato dos Ferroviários e do Sintaema. Contudo, nas assembleias dos Metroviários de 3 e 5/10 ficou nítido que a direção do sindicato não tinha uma política séria para a continuidade da luta.
No dia 3, dividiram a base que queria seguir a luta, numa votação secundária sobre a data de uma nova paralisação. No dia 5, propuseram uma greve por tempo indeterminado, dividindo mais uma vez a vanguarda e os setores mais amplos da categoria. Assim, a grande greve unificada do dia 3 foi encerrada sem uma política de continuidade, instaurando a confusão na vanguarda e nas bases. Estes erros são de inteira responsabilidade das correntes socialistas e revolucionárias que dirigem o sindicato.
No dia 11/10, após o boicote das/os metroviários ao treinamento das chefias para a operação de trens em dias de greve, o Metrô e o governo iniciaram a retaliação aos ativistas, o que foi prontamente respondido com uma paralisação semiespontânea. Este episódio evidenciou a política repressiva de Tarcísio de não dar trégua ao movimento. Mas, sobretudo, mostrou a grande disposição e iniciativa da base metroviária de dar continuidade à luta. É preciso, portanto, que se construa um Plano de Luta que possa organizar e unificar esta disposição de luta das/os trabalhadoras/es.
O segundo elemento de fragilidade do movimento é a falta de uma política direcionada ao governo Lula-Alckmin, hoje o principal responsável pela gestão do estado nacional. A luta está restrita ao enfrentamento ao governo direitista de Tarcísio em São Paulo. Porém, o avanço das privatizações e da terceirização atinge a classe trabalhadora como um todo, de norte a sul e de leste a oeste do país. Por esta razão, a greve do dia 3 ganhou a simpatia e se tornou uma referência de luta para o conjunto da classe trabalhadora.
Lula e o PT querem “passar batidos” nesta luta, enquanto deixam intocadas as reformas antioperárias (Trabalhista, Terceirizações, Previdência) aprovadas nos governos Temer e Bolsonaro que abriram as portas para a terceirização e a privatização. Ao mesmo tempo colocaram Tarcísio e seu partido bolsonarista (Republicanos) no ministério e entregaram-lhes de bandeja o controle do Porto de Santos para ser privatizado.
É preciso um Plano de Luta Unificado pela Base
A partir deste elementos de análise e balanço, colocamos para a reflexão das/os ativistas do Metrô, CPTM e Sabesp as seguintes ideias para a continuidade da luta:
Fortalecer e ampliar a Democracia Operária: Todo poder à base!
Neste momento em que milhares de trabalhadoras e trabalhadores entram na luta, a direção do movimento não deve ficar apenas nas mãos das diretorias dos sindicatos. É preciso ampliar os fóruns de participação, decisão e ação das/os ativistas e da base em luta.
Pela formação de Comandos de Luta, compostos por delegadas/os eleitos nos locais de trabalho, que assumam a direção do movimento em cada sindicato junto com as diretorias.
Que as Assembleias sejam feitas exclusivamente de forma presencial, para garantir uma efetiva democracia dos debates e votações e para que a base mobilizada seja quem decida os rumos da luta.
Construir a Unidade na Luta diretamente nas Bases do Metrô, CPTM e Sabesp
Manter a luta unitária entre metroviários, ferroviários e sabespianos é decisivo para a vitória. A categoria metroviária é a mais organizada e a vanguarda nesta luta, mas seria um erro seguir a luta de forma isolada no Metrô, na medida em que é necessário e possível manter e até ampliar a unidade de categorias na luta contra os ataques do governo Tarcísio.
Porém, a unidade da luta não vai ser garantida apenas através de negociações entre as diretorias dos 3 sindicatos. É preciso avançar para a construção da unidade diretamente nas bases das 3 categorias. Com este objetivo, as/os ativistas devem ir a todas as bases do Metrô, CPTM e Sabesp para conversar diretamente com as/os trabalhadoras/es sobre como dar continuidade à luta.
Esta aproximação entre os ativistas pela base deve ser concretizada na formação de Comandos de Luta Unificados pela Base, com o objetivo de que a direção da luta seja tomada diretamente pela vanguarda ativista.
Por Assembleias Unificadas dos Metroviários, Ferroviários e Sabespianos para discutir e decidir democraticamente os rumos do movimento.
Por Um Dia de Greve Geral do Funcionalismo Público e Estatais contra a privatização e a terceirização. Que os Metroviários, Ferroviários e Sabespianos façam um chamado a todas/os trabalhadoras/es das estatais e Funcionários Públicos do Estado de São Paulo para que se juntem à luta, começando por um dia de luta unificado. Várias categorias do Funcionalismo Público Estadual, a exemplo de professores, estavam dispostas a aderir à paralisação de 3/10, e só não o fizeram por responsabilidade de suas direções sindicais, como a nova diretoria da Apeoesp, que marcou paralisação isolada da categoria para o dia 20/10, tentando assim impedir a unidade das lutas. É necessário e possível avançar para uma grande luta das estatais e do funcionalismo contra a terceirização e a privatização.
Carta Aberta ao Presidente Lula
Os Metroviários, Ferroviários e Sabespianos devem enviar uma Carta Aberta ao Presidente Lula, reivindicando que ele faça uma declaração de apoio à sua luta contra a privatização/terceirização imposta pelo governo de Tarcísio. Com isso, podem questionar e exigir de Lula e do PT que rompam com sua política de convivência com Tarcísio.
O GOI-Palavra Operária manifesta seu total apoio à luta dos Metroviários, Ferroviários e Sabespianos!
Goi-Palavra Operária – 15/10/2023


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