Proposta de resolução apresentada pelo GOI-Palavra Operária sobre a política para combater o bolsonarismo.
Considerandos:
O bolsonarismo está na defensiva na atual conjuntura, após a derrota nas eleições presidenciais. Porém, seguirá sendo no próximo período uma grave ameaça à classe trabalhadora e ao povo oprimido, por sua estratégia de implantar uma ditadura bonapartista ou fascista no país.
A única classe social que pode enfrentar e derrotar o bonapartismo e o fascismo é a classe trabalhadora, colocando-se à frente dos setores progressistas da pequena burguesia e das classes médias e do conjunto do povo oprimido na defesa das liberdades democráticas. Os setores da burguesia “democrática” são impotentes para enfrentar Bolsonaro, pois sua política busca tão somente derrotá-lo no terreno das eleições burguesas, através de manobras jurídicas arquitetadas no STF.
O 5º Congresso da CSP-Conlutas resolve:
A tática prioritária para enfrentar e derrotar o bolsonarismo e o fascismo é a Frente Única Operária e não a “unidade de ação” com a burguesia “democrática”. Para colocar a classe trabalhadora em movimento contra as ameaças bolsonaristas e fascistas é preciso um programa que unifique a luta em defesa das liberdades democráticas com a lutas em defesa do Salário, Emprego, Direitos e Terra, o que não pode ser feito em “unidade de ação” com a burguesia exploradora, mas sim através da unidade de ação do proletariado e do povo oprimido, ou seja, da Frente Única Operária.
É preciso desmascarar as vacilações, a impotência e a conivência da burguesia e das instituições da democracia burguesa em relação a Bolsonaro e ao bolsonarismo. A começar pelo Congresso Nacional, antro da reação patronal e bolsonarista. O STF, que engana a sociedade com a pretensa “inelegibilidade” de Bolsonaro, enquanto se limita a punir a “arraia miúda” bolsonarista que protagonizou a tentativa de golpe de 8 de janeiro. E o Alto Comando e a casta de oficiais das Forças Armadas e Policiais, totalmente doutrinadas pelo bolsonarismo.
Outra faceta da política equivocada de “unidade de ação” com a burguesia é a que propõe como tarefa central “exigir do governo e de todo o sistema político-jurídico” a prisão de Bolsonaro. Alentar ilusões de que a cúpula policial e militar do Estado patronal vai garantir a prisão de Bolsonaro é o pior dos oportunismos, uma capitulação direta a Lula e ao PT, que propagam estas mesmas ilusões, levantando o fantasma do bolsonarismo para exigir a subordinação da classe trabalhadora à sua política de salvação do regime burguês.
A tarefa fundamental neste momento para combater Bolsonaro e seu movimento contrarrevolucionário é avançar no enfrentamento ao governo de frente popular de Lula-Alckmin, que paralisa a ação do proletariado com falsas esperanças na colaboração entre as classes, aplainando o caminho para o fortalecimento do bolsonarismo e do fascismo.
Outra tarefa decisiva para enfrentar o bolsonarismo é a organização dos setores democráticos, progressistas e socialistas entre os soldados e praças das Forças Armadas e Policiais, para, desde dentro do aparato repressivo do Estado, enfrentar a casta de oficiais reacionária e fascista. É preciso apoiar as lutas dos soldados e praças por salários e direitos democráticos, com o objetivo de quebrar a doutrinação e a disciplina antioperárias e construir a solidariedade do proletariado com os trabalhadores fardados. Neste sentido, apoiar os movimentos dos Policiais Antifascistas.
A “unidade de ação” com a burguesia só pode ser aplicada diante de intentonas golpistas dos militares e/ou das hostes bolsonaristas em que setores da burguesia se enfrentem de fato (e não através de “cartas em defesa da democracia”) com os golpistas. Diante de uma tentativa de golpe militar, as organizações do movimento operário e de massas podem fazer “unidade de ação”, sobretudo armada, com todos os setores e instituições burguesas que se disponham a enfrentar o golpe. Por exemplo: no 8 de janeiro seria correto os sindicatos, movimentos e partidos operários enviarem seus militantes para defender o STF e o Congresso Nacional da ação golpista dos bolsonaristas acobertados pela cúpula das Forças Armadas e Policiais.
[Imagem: ato em defesa da democracia, em unidade de ação com empresários e partidos e intelectuais burgueses, no Largo de São Francisco, em 12/8/2022]
Leia o conjunto de nossas teses e propostas de resoluções em: https://goipalavraoperaria.blog/category/5o-congresso-da-csp-conlutas/


Deixe um comentário