A luta dos povos originários e o fracasso da COP 30

Carol Barros

Na noite de segunda-feira, 11/11/25, uma ala da COP 30 foi invadida por manifestantes da marcha global reivindicando as pautas ambientais. O espaço ocupado era restrito a diplomatas e credenciados. Este ato demonstra, na prática, como o abismo entre as palavras e as ações só cresce no governo Lula/Alckmin.


Após uma promoção exorbitante do evento, a COP 30 tem se mostrado sem forças e sem alternativas firmes para dar alguma esperança verdadeiramente ecológica para os problemas ambientais enfrentados por todo o globo. O evento, que começou com uma grande crise inflacionária de habitação, com preços exorbitantes de alojamentos, ganha mais um capítulo marcante. Isso nos faz refletir: o que faz um ambiente que era pra ser de debate plural precisar ser invadido para ser ouvido?


Essa invasão só demonstra a fragilidade do governo diante das pautas relacionadas ao meio ambiente. Enquanto todos os holofotes estão direcionados para Belém e o governo faz uma grande política de negociação com os diplomatas do mundo inteiro, esquece e deixa às margens as próprias lideranças dos povos originários e da sociedade civil. Isso ajuda a reforçar que Lula está sempre disposto a “colocar todos na mesa para negociar”, mas esse ato evidencia quem ele considera como “todos” e quais demandas são verdadeiramente importantes para o governo.


A triste realidade é que a COP precisou ser invadida para dar visibilidade às verdadeiras demandas ambientais, em meio a um grande espetáculo midiático e performático que, apesar de ser anunciado o tempo inteiro pelas bocas daqueles que detêm o poder, pouco é colocado em prática.

Um espetáculo aos olhos que distrai e ilude a sociedade para mascarar e esconder a realidade e o verdadeiro descaso com as pautas ambientais, enquanto anda de mãos dadas com o agronegócio, com o garimpo e a exploração de recursos naturais.

“Eu gostaria muito de esperançar alguma coisa surpreendente. A vocação da COP 30 é ser balcão de negócios para negociar petróleo, madeira e terras raras.” (Ailton Krenak). As palavras de Krenak só elucidam a realidade escondida por trás deste grande negócio, que deve ser tratado como tal…

(Foto: André Coelho / EFE)

Deixe um comentário