Lula, PT, PSOL, PCdoB e seus aliados da “esquerda” festejam os bons ventos que varrem o Brasil. Enquanto isso…
A “esquerda” brasileira está feliz! As comemorações e as autocongratulações nas redes sociais atingem o clímax. A bolha regurgita com as exaltações a Lula como “O Grande Estadista”, secundada pela de Alexandre de Moraes, o Xandão, também conhecido como Batman, o Paladino da Justiça.
Dois grandes feitos são comemorados: a prisão de Bolsonaro, e as negociações com Trump.
A prisão de Bolsonaro foi precipitada por mais uma cena brancaleônica do ex-presidente: a tentativa de retirar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda caseiro. A artimanha lhe permitiria correr até a embaixada dos Estados Unidos, próxima de sua casa, onde seria recebido como “exilado político” por seu parceiro Donald Trump. Frustrada a sabujice pela Polícia Federal, Bolsonaro agora exige o status de prisão domiciliar, alegando sua idade avançada e problemas de saúde.
Enquanto isso, os demais atores da trama golpista de 8 de janeiro de 2023 são encaminhados aos cárceres. O sinistro General Augusto Heleno, o carniceiro de Porto Príncipe (Haiti), onde comandou o massacre feitos pelos militares brasileiros no bairro Cité Soleil, alega estar com Alzheimer e também pede clemência. Enquanto Bolsonaro tentava retirar a sua tornozeleira, seu ex-ajudante de ordens, tenente-coronel Mauro Cid, era autorizado por Xandão a retirar a dele, para seguir cumprindo em regime aberto a sua pena de dois anos. Cid, o delator, também está feliz.
O segundo grande feito comemorado pela “esquerda” são as negociações entre o governo Lula-Alckmin e o governo Trump, que já resultaram na redução das tarifas impostas a vários produtos de exportação do Brasil. Desde o “encontro casual” entre Lula e Trump durante uma reunião da ONU (Organização das Nações Unidas), onde rolou uma “química” entre os dois presidentes, o diálogo com o “Grande Irmão do Norte” foi restabelecido. A “esquerda” exulta com a vitória do “Brasil soberano” sobre as ameaças do “império”, destacando o papel pacífico da diplomacia brasileira e de grande estadista de Lula.
As boas notícias ao povo brasileiro incluem também a isenção de impostos para quem tem renda até R$ 5 mil, uma das promessas de campanha de Lula. A proposta, aprovada por unanimidade pelo Senado, é brandida pelo PT, PSOL e PCdoB como uma prova das possibilidades de diálogo com o Centrão e até com os bolsonaristas no Congresso em torno de uma “pauta para o Brasil” . As esperanças se voltam agora para a aprovação do fim da escala 6×1.
Outro evento que bombou nas redes nas últimas semanas (e passou praticamente desapercebido pelo povo pobre e trabalhador) foi a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), ocorrida em Belém (PA). Comemorando os resultados, Lula afirmou: “Esta é uma COP da verdade. Os líderes mundiais que estiveram em Belém conheceram a realidade da Amazônia e entenderam que a divisão entre humanidade e natureza não faz sentido. Na primeira semana de negociação, os trabalhos avançaram de forma inclusiva e transparente…”
Enquanto isso…
Enquanto Lula, os partidos e parlamentares “de esquerda”, sindicalistas e líderes de movimentos populares, camponeses e dos povos e setores oprimidos comemoram nas redes sociais, a vida do povo trabalhador segue na dureza de sempre.
Mais de um terço (35,3%) da classe trabalhadora segue recebendo no máximo 1 Salário Mínimo, e outro terço (32,7%) ganha no máximo 2 Salários Mínimos. Ou seja, cerca de 70% do povo trabalhador tem que viver com até R$ 3.036,00, um dos salários mais baixos do mundo. Com um salário mínimo não dá pra comprar nem duas cestas básicas na Grande São Paulo. E, além de alimentos, as famílias trabalhadoras também têm de pagar aluguel, água, luz, internet, remédios, boletos e muitas outras coisas mais. Vejam os dados na tabela (Fonte: Censo 2022 – IBGE):

Os dados da miséria no país são evidenciados pelo número de famílias de dependem da ajuda do Estado para poder sobreviver minimamente. O Bolsa Família passou de 13,8 milhões de famílias beneficiárias, em 2019, para 18,6 milhões em novembro de 2025. O benefício de até R$ 600 mensais é pago às famílias com renda por pessoa de até R$ 218 por mês (atual linha da pobreza oficial).
À miséria e aos baixos salários se acrescentam as jornadas estafantes e ritmos de trabalho desumanos. Estima-se que cerca de 60% da classe trabalhadora está na escala 6×1 e outras ainda piores. As consequências nefastas desta extrema exploração da força de trabalho são evidenciadas pelos números dos acidentados e adoecidos pelo trabalho. Em 2024, mais de 3,5 milhões de afastamentos do trabalho foram registrados pelo INSS, um aumento de 39% em relação a 2023. Os motivos mais comuns foram as doenças relacionadas a dores na coluna (205 mil casos), distúrbios mentais e transtornos de ansiedade (500 mil casos). Outras causas importantes incluem lesões no ombro e hérnia de disco.
Mas, esta realidade é solenemente ignorada pelo governo Lula-Alckmin e pela “esquerda” domesticada, aconchegada nos aparatos sindicais e parlamentares, com altos salários e proventos.
Outra mazela que não para de crescer no país é a violência contra o povo pobre e preto nos bairros populares, à mercê da Polícia e dos bandos da burguesia narcotraficante. O recente massacre de 128 pessoas pela PM do governador Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro, são o ápice de um cotidiano de agressões e assassinatos vividos pela população das quebradas e favelas em todo o país.
Uma violência quase invisível é a que sofrem as trabalhadoras e trabalhadores nos locais de trabalho, empresas privadas e serviços públicos: o “assédio moral” praticado por patrões, chefes e até políticos para garantir a extração de lucros cada vez maiores para a burguesia.
Poucos dias após Lula, junto com os “líderes mundiais”, comemorar os resultados da COP 30, o Congresso derrubou os principais vetos presidenciais à Lei Geral do Licenciamento Ambiental, garantindo assim o seu caráter de PL da Devastação, que legaliza e abre mais as portas para a ganância das mineradoras, madeireiras, garimpos e agronegócio seguirem com sua destruição da natureza e usurpando as terras e modos de vida dos povos ribeirinhos e das florestas. Com esta votação, os partidos e políticos reacionários a serviço da grande burguesia exploradora deram um recado para mostrar quem de fato manda no país.
O panorama mundial, por sua vez, não é mais animador. A ofensiva do imperialismo de Trump, associado aos governos da burguesia em todo o mundo, dissemina as ameaças militares e a guerra como a “nova ordem mundial”, em que a lei do mais forte se impõe sem os disfarces da ONU e outros organismo multilaterais.
Na Faixa de Gaza segue o genocídio do povo palestino pelo Estado racista de Israel. A guerra de rapina de Putin segue tomando territórios e matando e exaurindo as forças do povo ucraniano. E a guerra dos Estados Unidos contra o povo da Venezuela já começou nas águas do Caribe, e pode, a qualquer momento, atingir as terras do país. Um recado de Trump aos povos da América Latina de que, apesar da “química” com Lula, está disposto a impor a ferro e fogo o seu lema “A América para os Estados Unidos”.
Porém, nada disso parece estragar as comemorações da “esquerda festiva”, que, sorridente, deseja ao povo brasileiro um “Feliz Natal”.


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