Em defesa do povo da Venezuela contra o imperialismo ianque

W. Ioffe

O regime bonapartista sui generis tardio de Hugo Chávez

Não vamos repetir aqui nossas caracterizações sobre o chavismo e sua degeneração madurista, analisados em detalhes nos textos já citados. Talvez seja útil precisar um elemento da análise. O chavismo talvez possa ser caracterizado como um regime bonapartista sui generis tardio, se comparado com os regimes bonapartistas sui generis clássicos, como foram os de Lázaro Cárdenas (México), Domingo Perón (Argentina) e Getúlio Vargas (Brasil), entre outros.

Os regimes de Cárdenas, Perón e Getúlio, que governaram durante o período histórico que vai da década de 1930 até a II Grande Guerra, tiveram enfrentamentos com o imperialismo inglês e estadunidense, em sua tentativa de abrir mais espaço para a apropriação pelas burguesias nacionais da mais valia produzida em seus países. Para este propósito, os setores das burguesias nacionais que sustentaram estes regimes tiveram de se apoiar no proletariado através de importantes concessões, como as legislações trabalhistas. Através destas concessões, a burguesia conseguiu controlar os processos revolucionários que varreram estes países neste mesmo período, para isso contando com a colaboração decisiva do estalinismo, da socialdemocracia e das burocracias sindicais.

Hugo Chaves e Fidel Castro

O regime de Chávez nasce no final dos anos 1990, em outro momento histórico, no qual as burguesias nacionais, diante da contrarrevolução econômica imposta pela degeneração do sistema capitalista-imperialista, são incapazes de fazer concessões econômicas significativas ao proletariado. Estas são substituídas pelas chamadas “políticas públicas” para a “diminuição da desigualdade”, que visam tão somente administrar a miséria crescente das massas através de medidas paliativas de “transferência de renda”, de assistencialismo pelo Estado, como o Bolsa Família, no Brasil, e as “Missiones Bolivarianas”, na Venezuela. Estas medidas são, antes mais nada, uma política para desviar e controlar as lutas e revoluções do povo pobre e trabalhador, e têm sido aplicadas em vários países coloniais, principalmente por governos “de esquerda”, sejam de frente popular, como os de Lula, sejam os bonapartistas sui generis, como os de Chávez e Kirchner. É neste sentido que falamos do bonapartismo sui generis de Chávez como tardio.

Para realizar esta tarefa histórica, Chávez manteve enfrentamentos reais com o imperialismo e os setores tradicionais da burguesia venezuelana, principalmente a nacionalização de empresas chaves na Venezuela:

  • Petróleo e Gás:  O governo recuperou o controle total das operações da faixa do Orinoco e nacionalizou dezenas de empresas prestadoras de serviços do setor petrolífero. Empresas multinacionais como ExxonMobil, Chevron, Statoil, Total e British Petroleum foram afetadas, com algumas tendo que aceitar participações minoritárias ou sair do país.
  • Telecomunicações e Energia Elétrica: Chávez reestatizou empresas de telecomunicações e eletricidade que haviam sido privatizadas em governos anteriores. Entre as afetadas estava a Companhia Anônima Nacional de Telefones da Venezuela (CANTV).
  • Siderurgia e Metalurgia: O governo nacionalizou a maior siderúrgica do país na época, a Ternium-Sidor, e várias outras empresas menores de ferro, metalurgia e cerâmica, com o objetivo de criar um complexo industrial estatal.
  • Cimento: As principais empresas cimenteiras, incluindo a mexicana Cemex e as operações locais da francesa Lafarge e da suíça Holcim, foram nacionalizadas.
  • Financeiro: O governo interveio e nacionalizou alguns bancos privados, como parte de medidas de controle e após acusações de irregularidades.
  • Alimentos e Varejo: Algumas empresas do setor alimentício e redes de varejo, como a cadeia de supermercados Exito (de controle francês), foram nacionalizadas sob acusações de especulação de preços. 

Chávez também desafiou o bloqueio imperialista sobre Cuba, restabelecendo relações comerciais com o regime de Fidel Castro.

É sobre estas bases sociais e materiais, para além da retórica antimperialista e da ideologia do “socialismo do século XXI”, que se desenvolveram os enfrentamentos de Chávez com o imperialismo estadunidense, mesmo que limitados a um nacionalismo burguês, que nunca avançou para a expropriação da burguesia e o rompimento com o  imperialismo.

A degeneração madurista do chavismo

O atual regime capitaneado por Nicolás Maduro se desenvolve e se consolida a partir da degeneração do regime inaugurado por Hugo Chávez, que já se iniciara ainda antes da morte de seu fundador.

Os embargos econômicos impostos pelos Estados Unidos, o boicote interno feito pelas facções opositoras da burguesia e os limites burgueses do “socialismo do século XXI” foram minando a economia venezuelana, reduzindo as margens para concessões às massas e obrigando a boliburguesia chavista a descarregar a crise sobre os ombros do proletariado. 

Nicolás Maduro

Já em nosso texto de fevereiro de 2019 apontávamos os ataques de Maduro às condições de vida e de trabalho das massas trabalhadoras. E concluíamos:

“Maduro despeja sobre as costas da classe trabalhadora o peso da crise econômica, aprofundando a sua já insuportável situação de miséria, o que faz crescer o rechaço ao governo entre os setores mais pobres do povo. Isso foi utilizado pela oposição burguesa para detonar sua nova ofensiva pelo poder. As medidas de ajuste imperialista aplicadas por Maduro são também um aceno e uma prova para o imperialismo de sua disposição de atacar a classe trabalhadora e o povo pobre para garantir os lucros da burguesia e os pagamentos da dívida externa. Buscam assim se apresentar ao imperialismo como um setor burguês confiável para a aplicação dos planos de recolonização.”

No texto que escrevemos em 2024, assinalamos a continuidade e aprofundamento desta política de espoliação do proletariado, agora combinada com a capitulação aberta ao imperialismo:

“Desde a crise de 2019, a boliburguesia chavista, capitaneada por Maduro, busca se manter no poder como sócia minoritária do imperialismo estadunidense, avançando na entrega das riquezas nacionais a empresas imperialistas como a Repsol, Chevron etc. Como prêmio por seu servilismo, Biden lhes concedeu uma amenização do bloqueio econômico-financeiro imposto pelos Estados Unidos, o que permitiu um relativo crescimento econômico nos últimos dois anos. Contudo, este crescimento econômico se fez a partir do aumento da miséria das massas trabalhadoras, causado pelos planos de ajuste liberais contra a classe trabalhadora e pela dolarização da economia.”

Num texto interno, acrescentamos o seguinte:

“Como já analisamos, a crise de 2019 era protagonizada pelos dois setores burgueses em luta pelo controle das forças produtivas e do poder de Estado no país: a “boliburguesia chavista” e a velha oligarquia governante do período anterior ao chavismo. Ambos os setores buscavam se afirmar diante do imperialismo ianque como os mais capacitados para levar avante os planos de recolonização, aplicados em toda a América Latina e no conjunto dos países semi coloniais. Com este objetivo, Maduro e outros próceres do regime chavista, atuavam em dois sentidos. Por um lado, através de duras medidas de ajuste econômico contra os salários, empregos e direitos da classe trabalhadora; de redução drástica da ajuda estatal aos setores mais vulnerabilizados do proletariado, a par da decadência dos serviços públicos; e de abertura aos capitais imperialistas para a exploração do petróleo e outras riquezas minerais do país. E, por outro lado, avançando na transição do chavismo de um regime “bonapartista sui generis”, quer dizer, apoiado na mobilização e controle autoritário das massas populares, a um regime bonapartista clássico, quer dizer, sustentado pela repressão das Forças Armadas. Nestes cinco anos que nos separam da crise de 2019, Maduro avançou bastante nestes objetivos.”

Resumindo: a degeneração do regime bonapartista sui generis de Chávez se consumou no regime atual da Venezuela, capitaneado por Maduro e uma estreita cúpula de antigos lugares tenentes chavistas: Delcy Rodriguez, vice-presidente; Jorge Rodriguez (irmão de Delcy), presidente da Assembleia Nacional; Diosdado Cabello (ministro do Interior); Vladimir Padrino (ministro da Defesa). O atual regime bonapartista, sustentado pela cúpula das Forças Armadas Bolivarianas, perdeu o apoio da base proletária que sustentava o regime chavista, passando a uma política de repressão autoritária sobre o povo trabalhador. Ao perder o apoio do proletariado, a boliburguesia chavista não tem outra classe na qual sustentar um enfrentamento ao imperialismo, mesmo que nos estreitos limites do período de Chávez. Por isso, Maduro e seu entorno abandonaram completamente qualquer pretensão de enfrentamento sério com o imperialismo, passando a uma política de completa subserviência aos Estados Unidos, encoberta pela retórica antimperialista.

Se Hugo Chávez foi a tragédia, que desviou a revolução socialista venezuelana para o pântano do “revolução bolivariana” e do “socialismo do século XXI”, Maduro é a farsa, que mantém apenas a retórica antimperialista de Chávez, enquanto se ajoelha aos Estados Unidos. 

Super Bigode, boneco representando Maduro como super herói

Uma política de capitulação aos Estados Unidos

Por trás das fanfarronadas de Maduro sobre a defesa da Venezuela contra o imperialismo ianque, do mentiroso armamento e “treinamento militar” do povo (vide artigo: https://www.msn.com/pt-br/noticias/mundo/medo-e-esperan%C3%A7a-na-venezuela-enquanto-navios-de-guerra-dos-eua-espreitam/ar-AA1Nwa6g) e das encenações militarescas, desenvolve-se uma diplomacia secreta de capitulação abjeta a Trump, na qual o único objetivo da oligarquia madurista é tentar salvar a própria pele, diante da crise terminal do regime chavista na Venezuela.

As negociações secretas entre o regime madurista e o governo Trump foram reveladas parcialmente pela imprensa estadunidense, segundo artigo publicado pelo G1 [https://g1.globo.com/mundo/noticia/2025/10/17/trump-diz-que-maduro-nao-quer-se-meter-com-os-estados-unidos.ghtml], que reproduzimos em seguida:

“O jornal “The New York Times” afirmou que Maduro ofereceu a Trump petróleo e minerais venezuelanos para tentar reverter a crise.

O jornal Miami Herald revelou, nesta quinta-feira (16), que a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, ofereceu aos Estados Unidos dois planos que preveem uma transição de governo no país sem a presença de Maduro. Segundo o jornal, as propostas de transição de governo foram encabeçadas pela vice-presidente e pelo irmão dela, Jorge Rodríguez, atual presidente da Assembleia Nacional da Venezuela. As tratativas foram feitas com a Casa Branca por intermédio do Catar, com o aval de Maduro, de acordo com o jornal.

A primeira proposta foi apresentada em abril deste ano, quatro meses antes de os EUA enviarem navios militares para perto da costa da Venezuela. Conforme a reportagem, o plano previa a renúncia de Maduro e o acesso do governo americano ao setor de petróleo e mineração venezuelano.

O plano de abril foi rejeitado pela Casa Branca, segundo o jornal. À época, o secretário de Estado, Marco Rubio, teria indicado que um acordo que não previsse a mudança total de regime seria inviável.

Em setembro, Delcy apresentou a segunda proposta. Desta vez, ela ofereceu um governo de transição liderado por ela e Miguel Rodríguez Torres — chavista crítico a Maduro que está exilado na Espanha. Nesse cenário, o atual presidente buscaria exílio no Catar ou na Turquia.

Fontes ouvidas pelo jornal afirmaram que a segunda proposta também foi rejeitada. Uma autoridade da Casa Branca disse à reportagem que os EUA desconfiam que o plano manteria estruturas criminosas do governo Maduro “sob um novo disfarce”.”

Como já havíamos alertado em nosso texto de 2019: “Não tenhamos nenhuma ilusão! Ao menor aceno de Trump para uma “negociação”, Maduro abandonaria suas bravatas “antimperialistas” para correr como um cão para receber o afago do seu dono!” O problema é até que ponto Trump se dispõe a afagar Maduro e seu regime apodrecido. 

A política de Trump

Em seu novo mandato, Trump, a princípio, parecia inclinado a um acordo com Maduro [https://g1.globo.com/mundo/noticia/2025/02/27/entenda-o-acordo-entre-eua-e-venezuela-para-exploracao-de-petroleo-que-trump-mandou-cancelar.ghtml]. No início de fevereiro deste ano, enviou o diplomata Richard Grenell à Venezuela, que se reuniu com Maduro e declarou que Trump não queria fazer mudanças no regime venezuelano, e que estaria disposto a negociar a partir de uma “agenda zero”, quer dizer, sem pré condições. Esta tentativa de aproximação foi duramente criticada pela oposição burguesa venezuelana, dirigida por Maria Corina Machado.

Richard Grenell, enviado de Trump, se reúne com Maduro

Antes de terminar o mês as negociações azedaram. Trump revogou a autorização, dada pelo governo Biden, para que a petroleira estadunidense Chevron seguisse com suas exportações de petróleo da Venezuela para os Estados Unidos, que equivalem a ¼ das exportações do produto, gerando uma fonte de receitas importantes para o país. Desde então, a retórica e as medidas de Trump contra o regime de Maduro foram se acentuando, culminando, em agosto, no deslocamento de uma frota de guerra para a costa venezuelana.

Uma entrevista de Elliott Abrams [https://www.bbc.com/portuguese/articles/c8r0yd8knvvo], diplomata que esteve à frente da ofensiva contra o regime de Maduro, entre 2019 e 2021, durante o primeiro mandato de Trump, joga luz na aparentemente confusa política do atual governo. Abrams afirma que houve um conflito dentro do governo entre a ala negociadora, expressa por Richard Grenell, e a “Facção da Flórida”, encabeçada por Marco Rubio, o Secretário de Estado, radicalmente contra qualquer acordo que mantenha Maduro e a cúpula chavista no poder. Rubio é de ascendência cubana e representa a burguesia de origem latina estabelecida na Flórida, mantendo estreitas relações com Maria Corina e a oposição burguesa venezuelana, que aspira a voltar ao poder. Ademais, Rubio pretende, ao fazer ruir o regime madurista, acertar também um golpe mortal no falido regime castrista em Cuba. Citamos um trecho da entrevista de Abrams:

“BBC: Por que ataques contra a distribuição de drogas afetam a estabilidade do governo de Maduro? Por que fariam com que seus apoiadores deixassem de sustentá-lo?

Abrams:  Pode ser que isso não mude a opinião de Delcy Rodríguez e de seu irmão Jorge, de Diosdado Cabello ou de Padrino. O que importa está no círculo um pouco mais distante, nas centenas de generais e coronéis que se perguntam até onde Trump está disposto a ir e o que vai acontecer com eles. Muitos se perguntam por que precisam sofrer por Nicolás Maduro. Essa é a análise dentro do governo dos EUA. Nos próximos meses, veremos se está correta. (…) Acredito que o governo Trump considera que, à medida que se avança por esse caminho, em algum momento haverá uma revolta popular, como outras que já vimos na Venezuela. Há centenas de militares presos porque o regime suspeitava de deslealdade, e pode haver novas ações de dissidência.”

Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA

A análise de Abrams sobre a política impulsionada neste momento por Trump-Rubio pode ser assim resumida: ameaçar a Venezuela com ataques militares, para pressionar os militares venezuelanos a darem um golpe contra Maduro. 

As duas alas do governo Trump refletem-se também na divisão da oposição burguesa venezuelana, com a facção de Corina defendendo abertamente a intervenção imperialista para derrubar Maduro e a ala liderada por Henrique Capriles (duas vezes candidato a presidente) defendendo uma saída negociada com o regime.

Arbitrando como bonaparte as diferentes facções da burguesia pró fascista governante nos Estados Unidos, Trump joga as cartas da diplomacia e da ameaça militar neste jogo para dar fim ao regime de Maduro. 

Para uma saída negociada com o regime, o imperialismo conta com a ajuda de Lula, que já se apresentou para cumprir este papel, na reunião feita com Trump na Indonésia. Lula tem sido imensamente útil ao imperialismo, seja como mediador para amenizar conflitos na América Latina, seja para dar uma cobertura pacífica a expedições colonizadoras violentas, como foi a Minustah, no Haiti. 

Por outro lado, uma intervenção militar direta em território venezuelano é bastante arriscada para Trump, mesmo que em pequena escala, do tipo de bombardeios de alvos apontados como do “narcoterrorismo”. Apesar da crise do regime chavista-madurista, identificado hoje pelo povo pobre venezuelano como responsável pelas mazelas capitalistas que assolam o país (miséria, desemprego, corrupção etc.), e do apoio popular conquistado pela oposição burguesa de Corina Machado, que defende abertamente a agressão militar ianque para “libertar a Venezuela”, é sempre bom lembrar o vaticínio de Robespierre: “Os povos não gostam de missionários armados.”  Ou seja, não é possível prever qual seria a reação popular diante de um ataque militar dos Estados Unidos à nação venezuelana.

Maria Corina Machado, líder da oposição burguesa venezuelana pró ianque

Da mesma forma, apesar de sua predisposição rastejante diante do “império”, ao ser acuado por Trump através de uma intervenção militar, pode não restar a Maduro e Cia. outra forma de salvar a própria pele que tentar alguma forma de resistência militar, o que vai depender, antes de mais nada, de seu controle sobre as forças armadas, cuja disciplina encontra-se abalada pela crise do regime. 

Independentemente de qual o caminho que venha a adotar o imperialismo, o decrépito regime de Maduro não pode opor nenhuma resistência séria à intervenção imperialista. A hipótese mais provável é a de sua capitulação, seja através de negociações para a transição de regime, seja por sua incapacidade de mobilizar o povo venezuelano para opor uma resistência política e militar a uma intervenção militar aberta dos Estados Unidos.

Malvinas e Venezuela

O proletariado argentino tive a oportunidade de vivenciar em seu país um dos maiores conflitos de uma nação oprimida latino-americana com o imperialismo: a Guerra das Malvinas. A comparação entre a situação que levou a esta guerra e a da atual crise entre a Venezuela e os Estados Unidos pode ser útil para a análise marxista e para a construção de nossa política.

Soldados desembarcam nas Ilhas Malvinas

A Guerra das Malvinas, ocorrida entre abril e junho de 1982, entre a Argentina e o Reino Unido, foi, nas últimas décadas, a mais importante agressão militar imperialista a um país da América Latina. O conflito teve início com a ocupação militar das Ilhas Malvinas, arquipélago próximo à costa argentina, que em 1833 foi roubado ao país pelo imperialismo britânico. No início de 1982, a ditadura militar, que governava a Argentina desde o golpe sangrento de 1976, decide tomar as Malvinas pela força. O imperialismo britânico, sob a direção de Margaret Thatcher, responde com o deslocamento de sua armada pera a retomada das ilhas. O conflito, que sacudiu a América Latina, terminou com a rendição da Argentina e a manutenção do domínio imperialista sobre as Malvinas. 649 soldados argentinos morreram e 1068 foram feridos na guerra, contra 258 mortos e 777 feridos do lado britânico.

A deflagração da guerra foi uma manobra política da Junta Militar para tentar salvar seu regime da crise, alentando o apoio patriótico do povo argentino. Este objetivo foi logrado nas primeiras semanas da guerra, conquistando o apoio entusiástico da pequena burguesia e da classe média, apesar de a classe operária ter se mantido na passividade, fruto de seu repúdio ao regime militar. A derrota na guerra gerou o efeito inverso ao pretendido pela decrépita Junta Militar, abrindo um período revolucionário na Argentina, com grandes mobilizações de massas que levaram à queda da ditadura poucos meses depois, em dezembro de 1983.

A aventura das Malvinas fez algo que parecia impossível: uma das ditaduras mais pró-imperialistas do mundo vai à guerra com o imperialismo britânico, por uma bandeira histórica de luta anticolonial do povo argentino, que é a retomada da soberania sobre as ilhas. Este brusco giro político da Junta Militar rompeu as cabeças de muitos revolucionários na Argentina e em todo o mundo, acerca da política a ser adotada diante da guerra. Enquanto a maioria das correntes da “esquerda revolucionária”, incluídas as do trotsquismo, se manteve numa posição centrista “contra a guerra” ou de capitulação direta ao imperialismo, a corrente morenista apoiou a guerra, chamando a unidade de ação antimperialista com os militares, sem dar nenhum apoio político ao regime. E, ao mesmo tempo, desenvolveu uma intensa campanha internacional de solidariedade à Argentina.

A crise atual entre a Venezuela e o imperialismo ianque é, de certa forma, de signo trocado, quer dizer, às avessas da crise que levou à Guerra das Malvinas. Ao contrário dos militares argentinos, que eram totalmente pró-imperialistas, o chavismo, como movimento nacionalista burguês, desenvolveu enfrentamentos objetivos com os Estados Unidos durante sua fase bonapartista sui generis tardia, como já assinalamos. E mesmo agora, em seu declínio madurista, ainda mantém a retórica anti-ianque, os símbolos do “bolivarianismo” e as fanfarronadas militarescas contra o “império”.

Os militares argentinos, apesar de seu intrínseco pró imperialismo, foram levados, pela sua própria sobrevivência política, a uma ação antimperialista, tomando a iniciativa de uma guerra contra o Reino Unido. Já o chavismo-madurismo, apesar de suas origens históricas e de sua retórica antimperialistas, para a sua sobrevivência política é obrigado a fazer o oposto: a aplicar não uma política de enfrentamento ao imperialismo, mas uma política de capitulação a Trump.  

Esta análise é necessária para que possamos compreender a verdadeira essência da política do decrépito regime madurista diante de Trump, encoberta pelas aparências de sua retórica antimperialista. Nossa política, derivada desta análise marxista, para nada pode se confundir com os bajuladores de Maduro, que tecem loas ao seu “antimperialismo”, a exemplo de Breno Altman, do PCO e dos restos do estalinismo, do reformismo, do peronismo e outros que pressionam pelo apoio político a Maduro.

Contudo, a nossa análise não pode terminar neste ponto. Há dois elementos fundamentais a serem considerados: as diferenças na situação e na política do imperialismo e as diferenças na situação do movimento operário e de massas, no caso argentino e no caso venezuelano.

As diferenças na política do imperialismo estadunidense

A bravata militar dos militares argentinos pegou de surpresa o imperialismo, não só ao governo britânico de Margareth Thatcher, mas também ao governo estadunidense de Ronald Reagan. Naquela conjuntura, Reagan centrava sua atenção na derrota da revolução na América Central, impulsionada pela vitória dos sandinistas na Nicarágua, em 1979. Já a “Dama de Ferro” amargava uma crise em seu governo, após os duros ataques desferidos ao proletariado britânico.

Ronald Reagan e Margareth Thatcher

A política prioritária do imperialismo ianque, desde sua derrota na guerra do Vietnã, passara a ser o que Moreno caracterizou como a política da reação democrática, que significava desviar os processos revolucionários para saídas democrático burguesas. Um de seus pilares era patrocinar a transição pacífica dos regimes ditatoriais na América Latina para regimes de democracia burguesa. Esta política, iniciada no governo democrata de Jimmy Carter, foi mantida em sua essência pelos governos conservadores de Reagan, durante os quais os Estados Unidos apoiaram as “transições democráticas” das ditaduras da Bolívia, Honduras, Argentina, Brasil, Uruguai e Suriname.

O imperialismo estadunidense, apesar de ter apoiado o Reino Unido na Guerra das Malvinas, durante toda a crise buscou uma solução negociada para o conflito, que só não se deu devido ao “radicalismo” que prevaleceu na cúpula militar do regime argentino, que optou por levar a guerra até o fim.

É importante lembrar que, naqueles inícios dos anos 1980, ainda estava no seu final o “boom econômico” capitalista do pós II Guerra, e apenas se iniciava a crise da hegemonia imperialista dos Estados Unidos. A existência da União Soviética era ainda um pilar fundamental para a manutenção do pacto de “convivência pacífica” assinado em Yalta e Potsdam pelas potências vencedoras da II Grande Guerra.

A situação atual do imperialismo ianque é muito diferente: estamos na etapa de sua crise histórica como potência econômica e militar dominante no mundo, e da crise crônica do regime democrático burguês nos Estados Unidos. O governo e a política de Donald Trump e da burguesia MAGA (Make America Great Again) são o resultado e a tentativa de superação desta crise. A política de Trump para a América Latina é impor governos coloniais totalmente submissos aos EUA, para retomar de forma plena seu controle econômico, militar e político sobre seu “quintal” no continente americano. Para lograr este objetivo utiliza várias políticas combinadas de pressão econômica, ameaças militares e acordos pontuais com os governos burgueses latinoamericanos.

A ofensiva de recolonização ianque está provocando conflitos e crises com vários países, desde o tarifaço contra o Brasil até as ameaças de conquista da Groenlândia. Por outro lado, governos capachos como o de Milei, da Argentina, são contemplados com a “ajuda econômica” dos Estados Unidos para se manterem no poder. A crise com a Venezuela é provocada diretamente pela ofensiva de Trump, e não por uma ação do regime de Maduro contra o imperialismo.

A análise das contradições concretas e das diferenças entre o conflito com o imperialismo no caso argentino e venezuelano para nada muda a política principista do marxismo revolucionário de apoio incondicional à nação oprimida contra o imperialismo. A defesa da Venezuela contra os Estados Unidos deve encabeçar o nosso programa em relação a este conflito. Contudo, deve ser parte de um programa de transição a ser levantado, como veremos.

A situação do movimento operário e de massas

Outra diferença importante a analisar entre o caso argentino e venezuelano é a situação do movimento operário e de massas.

Como foi previsto pela corrente morenista, a política dos militares de tentar sua salvação através da mobilização patriótica do povo argentino abriu uma brecha no muro da ditadura, por onde passou e foi retomada a mobilização do povo nas ruas, num processo revolucionário que levou à queda do regime. A derrota na Guerra das Malvinas abriu uma situação revolucionária na Argentina, com a retomada massiva das lutas do proletariado, que se mobilizava nas ruas e nas greves pelo fim da ditadura militar. O proletariado só não se colocou na cabeça da luta democrática devido à política de capitulação de sua direção reconhecida, o peronismo, que apoiou a reação democrática patrocinada pelo imperialismo ianque, que veio desaguar na “redemocratização” do país, consumada nas eleições de 30 de outubro de 1983, consolidando o novo regime democrático burguês no país. 

Na Venezuela de hoje, o movimento operário e de massas está completamente dominado e aplastado após 26 anos de regime chavista. Descrevemos esta situação em nosso texto de 2019:

“Chaves conseguiu impor seu controle sobre as organizações do movimento operário e de massas, que se cristalizou na fundação do PSUV – Partido Socialista Unido da Venezuela, em 2006, ao qual aderiu a maioria das organizações de esquerda venezuelanas; e na criação da CBST – Central Bolivariana Socialista dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Venezuela, em 2011. A vitória chavista contra a independência política e sindical da classe trabalhadora foi facilitada pela capitulação a Chaves da maioria das direções políticas proletárias independentes, inclusive trotsquistas, a exemplo dos grupos do CIT/CWI e de Marea Socialista, ligada à corrente internacional encabeçada pelo MST argentino e o MES brasileiro. Por outro lado, as correntes revolucionárias que se mantiveram independentes do chavismo, a exemplo da UST/LIT, foram incapazes de construir uma organização sólida de vanguarda e de fazer crescer sua influência sobre o proletariado e suas organizações. Como consequência, na crise atual, a classe trabalhadora carece de um partido revolucionário de vanguarda e de uma organização de massas independente e de luta que possa disputar a direção política do proletariado e dar-lhe uma saída revolucionária e socialista.”

Hugo Chaves em manifestação popular

A sustentação do regime chavista pelos sindicatos e organizações populares afasta a classe trabalhadora dos seus organismos de classe, que os identifica, corretamente, como meras correias de transmissão do odiado regime de Maduro. Ao não contar com organizações de classe para a luta por suas condições de vida e de trabalho e para o combate à ditadura de Maduro, o proletariado enfrenta enormes obstáculos para a sua ação independente, encontrando-se refém da oposição burguesa, que se coloca como a única direção da luta pelo fim do regime. A ação independente do proletariado é também obstaculizada pelos organismos paramilitares do chavismo que se apresentam como “milícias populares”, mas que, na verdade, são órgãos estatais a serviço da manutenção da ordem do regime, através da vigilância policial e da repressão nos bairros populares.

Apesar deste bloqueio imposto pelas direções que falam em nome do proletariado, ou até, por causa deste bloqueio, a ação das massas exploradas ocorre através de explosões espontâneas, como foram os protestos ocorridos nos bairros populares de Caracas e outras cidades da Venezuela após a fraude eleitoral que manteve Maduro no poder nas eleições de 28 de julho do ano passado, conforme analisamos naquele momento:

“A composição social das manifestações atuais é diferente daquelas ocorridas durante a crise política de 2019, que reuniam majoritariamente setores da pequena burguesia e da classe média, enquanto o povo trabalhador se mantinha na passividade. Na conjuntura atual, as massas proletárias da Venezuela estão nas ruas pela derrubada de Maduro e do apodrecido regime chavista, que as condena à fome e à miséria, ao desemprego e subemprego, à falta de remédios, atendimento médico e assistência social, e inúmeras outras mazelas do capitalismo em crise.”

Manifestação em bairro popular de Caracas, em 2024, contra a fraude eleitoral de Maduro

O levante do popular de julho de 2024  foi contido por uma dura repressão de Maduro. Por outro lado, alertou a oposição burguesa sobre os riscos de sua política de convocar protestos de rua contra Maduro, que podem escapar de seu controle na medida em que entra em cena o proletariado e o povo pobre dos bairros populares. Isto é o que explica que, desde então, Corina Machado e seus sequazes não apelam para a mobilização nas ruas, como fizeram em crises anteriores, mas apostam todas as suas fichas na pressão do imperialismo pela saída de Maduro. 

Como afirmamos em nosso texto de 2019: “A entrada em cena do proletariado de forma independente e revolucionária é o maior medo do imperialismo e da burguesia venezuelana, tanto a madurista, como a opositora.” Este é também o maior temor de Trump diante de uma intervenção armada na Venezuela.

Outro elemento novo a ser destacado é que a ofensiva recolonizadora dos Estados Unidos se apoia, de forma inédita, numa base de massas dos movimentos, partidos e lideranças pró fascistas em vários países latinoamericanos, a exemplo de Milei, Bolsonaro, Bukele e outros. Setores massivos da pequena burguesia e da classe média, assim como amplos setores mais atrasados do proletariado, apoiam abertamente o intervencionismo de Trump e a política de submissão colonial aos Estados Unidos, iludidos pelas ideologias “libertárias”, meritocráticas, de combate ao “narcoterrorismo” e outras disseminadas pelos movimentos pró fascistas desde seu epicentro, o movimento MAGA, nos EUA. Essa base de massas pró imperialista é um grande obstáculo à resistência popular à ofensiva de Trump em todo o continente. 

  

Bandeira gigante dos EUA em ato bolsonarista que reuniu 40 mil pessoas, em 7 de setembro de 2025, em São Paulo

Isto é consequência direta da confusão política e da desmoralização de setores do proletariado, de setores progressistas da pequena burguesia urbana e camponesa e da classe média causadas pelos governos de frente popular, como o de Lula, Petro, Boric, e bonapartistas sui generis tardios, do tipo do chavismo, do kirchnerismo e de Evo Morales, que passaram a governar vários países latinoamericanos desde a virada do século. Estes governos, que se apresentam como “governos do povo”, são, na verdade sustentáculos decisivos dos regimes democráticos burgueses na América Latina, aplicando os planos de ajuste liberais a serviço da manutenção da exploração capitalista e da submissão colonial ao imperialismo. Ao transformarem as organizações da classe trabalhadora (sindicatos, movimentos populares, etc.) em órgãos de apoio do Estado burguês e de colaboração com a burguesia e o imperialismo, impondo obstáculos e paralisando a ação do proletariado, fazem retroceder sua consciência de classe e antimperialista, aplainando o caminho para o bonapartismo e o fascismo, intimamente associados ao imperialismo MAGA.  

Por isso, apresentar uma política para a ação e a organização independente das massas proletárias é um elemento fundamental de nosso programa.

Um Programa de Transição para a Venezuela

Em nosso texto de 2019 apresentamos o esboço de um Programa de Transição para dar uma saída operária, socialista e revolucionária para a crise do regime chavista na Venezuela. Acreditamos que as bases da análise marxista da luta de classes e os elementos estratégicos deste programa ainda seguem vigentes. É preciso atualizar os elementos mais táticos do programa, para construir as pontes com a conjuntura atual, marcada pela ofensiva militar do imperialismo de Trump.

Diante da ofensiva militar dos Estados Unidos, devemos partir das tarefas e palavras de ordem de defesa da soberania nacional para construir uma ponte, quer dizer, um sistema de reivindicações transitórias e medidas socialistas de ruptura com a burguesia e o imperialismo, visando impulsionar o proletariado de forma independente em direção à revolução socialista.

Porta aviões estadunidense Gerald Ford próximo às costas da Venezuela

Medidas de Emergência em defesa do povo da Venezuela e contra a agressão militar dos EUA:

Em defesa do povo venezuelano contra a agressão militar dos Estados Unidos! Pela retirada imediata da frota de guerra ianque das costas da Venezuela e do Caribe.

Caso se concretize a agressão militar ao território venezuelano e o regime de Maduro enfrente militarmente a agressão imperialista, não temos dúvida de que as forças revolucionárias do proletariado devem se organizar militarmente junto a Maduro e às Forças Armadas Bolivarianas, sem lhes dar, entretanto, nenhum apoio político e lutando pelo armamento da classe trabalhadora e do povo pobre para que se coloquem na linha de frente da luta contra as tropas agressoras.

Durante o levante dos bairros populares que se seguiu à fraude eleitoral de 2024, levantamos a palavra de ordem de Fora Maduro. Diante da atual agressão militar dos EUA devemos suspender esta palavra de ordem, colocando em primeiro plano a unidade de ação antimperialista com o governo de Maduro. O povo trabalhador venezuelano deve, em primeiro lugar, expulsar o agressor imperialista, para depois ajustar suas contas com o regime chavista-madurista.

Campanha internacional de solidariedade ao povo da Venezuela. Formação de comitês unificados de solidariedade para a organização de manifestações e atividades de propaganda e agitação.

Que os sindicatos e movimentos populares, camponeses, da juventude e dos povos e setores oprimidos, e os partidos e grupos políticos que falam em nome da classe trabalhadora abram a discussão sobre a formação de uma Brigada Internacional a ser enviada à Venezuela para combater ao lado do povo, contra o imperialismo.

Instrução militar e armamento geral do povo venezuelano, a cargo de comitês de trabalhadores e do povo pobre.

Maduro faz propaganda do “armamento de milícias” e da preparação de táticas de guerrilha urbana para enfrentar as tropas ianques. Mas, até agora, isso não passa de bravatas para tentar assustar Trump e a oposição burguesa com o “caos” na Venezuela. O armamento do povo não é a mesma coisa que o armamento das milícias do regime, odiadas pelo povo pobre devido ao seu papel de gendarmes do madurismo. O armamento do povo deve ser feito através da formação de comitês militares independentes, controlados diretamente pelos trabalhadores nos bairros populares e locais de trabalho.

É preciso também que os trabalhadores façam um chamado aos soldados e à baixa oficialidade das Forças Armadas Bolivarianas a que assumam a defesa da nação diante da agressão militar dos Estados Unidos, sem depositar nenhuma confiança nos generais, coronéis e na alta oficialidade do regime. Que formem comitês de soldados em todos os quartéis e elejam democraticamente seus comandantes. Que se recusem a reprimir as manifestações de massas e os bairros populares.

Abaixo a diplomacia secreta! Que todas as negociações e acordos entre o governo de Maduro e Trump sejam publicadas.

É preciso desmascarar a suposta “mediação” feita por Lula e outros representantes da “esquerda domesticada”, que não passam de manobras diplomáticas de bastidores para desarmar a resistência do povo venezuelano e capitular aos interesses imperialistas.

Que Lula, Petro, Boric, Sheinbaum, Cristina Kirchner, Orsi, Ortega, Diaz-Canel e outros governantes que se apresentam como defensores da Venezuela contra a agressão dos EUA, convoquem uma reunião dos povos da América Latina para aprovar medidas concretas de solidariedade ao povo venezuelano.

Lula e Trump em reunião na Indonésia

Pela imediata suspensão do pagamento da dívida externa aos banqueiros e nacionalização, sob controle dos trabalhadores, das empresas estadunidenses. Que estes recursos sejam usados para garantir o pleno abastecimento de alimentos, remédios e produtos de primeira necessidade para a população. Revogação imediata do “Plano de Reestruturação Econômica” e de todas as medidas de flexibilização e precarização do trabalho.

Por um Governo da Classe Trabalhadora e do Povo Pobre que avance na direção de uma Venezuela Socialista:

A partir destas medidas de emergência, devemos fazer propaganda das medidas de ruptura de fato com o imperialismo, de expropriação da burguesia e de estabelecimento do controle operário sobre as principais atividades econômicas, que só poderão ser aplicadas através de um Governo Revolucionário e Socialista da Classe Trabalhadora e do Povo pobre:

  • Ruptura dos pactos militares com os Estados Unidos e a UE.
  • Estatização e controle operário sobre o comércio exterior.
  • Estatização sob controle dos/as trabalhadores/as das empresas imperialistas, dos bancos e das principais empresas industriais, mineradoras, petroleiras, comerciais, de serviço, do latifúndio e do agronegócio.
  • Monopólio nacional sobre o petróleo e todas as riquezas minerais. Controle operário sobre a PDVSA.
  • Plano de Obras Públicas garantido por investimentos estatais, com a contratação de trabalhadoras e trabalhadores para a construção de moradias, postos de saúde, hospitais, redes de água e saneamento, ruas e estradas e demais obras de infraestrutura.

Por uma Frente Única Revolucionária

Apesar da enorme crise de direção revolucionária do proletariado, é necessário e possível forjar no calor da luta de classes uma direção que avance no sentido da revolução proletária socialista. A agressão militar imperialista e a crise do regime chavista-madurista colocam esta tarefa em um patamar imediato e superior.

O proletariado mundial, sobretudo os trabalhadores e trabalhadoras da Venezuela, não devem depositar nenhuma esperança, nenhuma confiança, nenhum apoio ao governo Maduro, mesmo neste momento em que é atacado pelo imperialismo de Trump. Devem romper com estes falsos dirigentes revolucionários e construir uma verdadeira direção revolucionária, única garantia de defesa da nação venezuelana. Com este objetivo é preciso ter uma política para fazer confluir os setores políticos proletários que podem dar base à construção de uma direção e uma saída revolucionária e socialista para a Venezuela.

Entendemos que para a construção desta direção revolucionária é fundamental a articulação de uma Frente Única Revolucionária, que reúna as correntes e grupos revolucionários que atuam no país, junto aos setores da classe trabalhadora que se organizem pela base, de forma independente do madurismo, nos locais de trabalho e nos bairros populares.

A análise e o programa que aqui apresentamos buscam contribuir nesta tarefa decisiva de avançar na superação da crise de direção revolucionária do proletariado.

(Escrito em 14/11/2025)

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