GOI-Palavra Operária
As recentes alterações na política de monitoramento do Facebook e Instagram, anunciadas pelo todo poderoso chefe da Meta, Mark Zuckerberg, desataram uma polêmica entre os defensores da “liberdade responsável”, vinculados à “esquerda”, versus os defensores da “liberdade irrestrita”, irmanados à “direita”. Enquanto a “esquerda” esbraveja contra o que chama de “retrocesso” no combate às “fake news” e “discursos de ódio”, a “direita” comemora o “avanço” em direção à liberdade de imprensa. É preciso desmascarar estes farsantes de “esquerda e direita”, à luz da análise marxista.
1) O monitoramento que estava vigente na Meta antes do anúncio das novas medidas era uma censura ideológica a serviço do capitalismo-imperialismo. Seria possível fazer uma lista enorme de fatos que comprovam isso. Vamos tomar como exemplo uma denúncia feita por um “insuspeito” órgão da imprensa burguesa britânica, a BBC: o acobertamento do genocídio de Israel em Gaza. Os dados do artigo da BBC “Cómo Facebook e Instagram restringen las noticias que los periodistas palestinos publican desde Gaza” (https://www.bbc.com/mundo/articles/c791v77dlg5o) são irrefutáveis. No artigo “”The Cleaners”: los “limpiadores digitales” que deciden lo que ves (y lo que no ves) en internet” (https://www.bbc.com/mundo/noticias-47639076), que utiliza informações do documentário do mesmo nome, da Netflix, há também bastantes informações que comprovam a censura imperialista feita pelos monopólios das redes sociais. Outro exemplo é o fechamento de 2 páginas de Facebook do GOI, desde nossa fundação, em 2017. Recentemente foi fechado o canal da Nova Democracia no YouTube, rede social do Google. Sem nenhuma justificativa por parte destes oligopólios.
2) Estes fatos revelam a verdade escondida sob a política de “controle democrático e responsável” sobre os monopólios burgueses de informação e comunicação de massas, defendida pela “esquerda”. Isso não passa de um acobertamento da democracia burguesa (a ditadura “democrática” da burguesia) feito pela frente popular, pelo reformismo sindical e parlamentar, o reformismo identitarista e o “marxismo” acadêmico. Estes setores que publicaram o manifesto “Carta contra o fim do monitoramento da Meta” (https://www.estadao.com.br/link/cultura-digital/organizacoes-e-centros-de-pesquisam-publicam-carta-contra-o-fim-da-moderacao-de-conteudo-da-meta/?utm_source=estadao:app&utm_medium=noticia:compartilhamento).
3) Do outro lado, temos a farsa da defesa da liberdade de expressão feita por Zuckerberg, Musk, Trump, Milei, Bolsonaro et caterva. Como Hitler e Mussolini, a ultra direita pró fascista utiliza as liberdades burguesas democráticas para ter as mãos livres para sua pregação ideológica reacionária e para organizar seus bandos e manifestações racistas, machistas, lgbtfóbicos, xenófobos, com o objetivo de chegar ao poder e se consolidar nele, para, em seguida, esmagar as liberdades democráticas e as organizações do proletariado e do povo oprimido. Esta é a verdadeira motivação e estratégia por trás do discurso “libertário” destes canalhas.
4) O monopólio dos meios de comunicação de massas é um dos pilares de sustentação do Estado burguês, em todas as suas formas de regime político, desde os democráticos burgueses até os fascistas. O surgimento dos novos oligopólios da era da internet (Meta, X, Tik Tok, Google etc.) reforçaram ainda mais o controle que era exercido pelos meios de imprensa e de comunicação tradicionais (jornais, rádio, tv, cinema). Mais que isso, pela primeira vez na história, estes novos meios (redes sociais) adquirem um caráter mundial, sobrepondo-se aos limites dos Estados nacionais.
5) A política dos reformistas de estabelecer controles e impor limites aos meios de comunicação de massas burgueses e imperialistas é uma farsa grotesca e impotente. A propaganda racista, machista, lgbtfóbica, xenófoba e antiproletária feita pela extrema direita e pelos setores degradados moralmente da população não para de crescer. O mesmo ocorre com todos os tipos de pornografia, inclusive infantil, o tráfico de mulheres e crianças, a apologia às drogas etc.. Estes problemas derivam da degeneração terminal do sistema capitalista-imperialista e não podem ser, nem serão resolvidos através de medidas superestruturais de controle sobre os meios de comunicação de massas. A defesa da “censura democrática e responsável” feita pela esquerda frente populista tem ainda o “mérito” de deixar a bandeira da liberdade de expressão nas mãos da ultra direita para que a manipulem em função de seus objetivos contrarrevolucionários. Ao mesmo tempo em que delegam a tarefa de controle (censura) das redes sociais ao Estado burguês opressor, endeusando figuras como o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, o Xandão, como o “xerife” e “guardião” dos direitos democráticos do povo oprimido. Quadro grotesco!
6) Uma verdadeira liberdade de imprensa só poderá existir numa sociedade livre, sem exploração, nem opressão. Sociedade socialista e comunista que só poderá vir à luz quando a humanidade passar do “reino da necessidade para o reino da liberdade”, como disseram Marx e Engels. Isso pressupõe a destruição revolucionária do capitalismo-imperialismo através da ditadura revolucionária e democrática do proletariado em nível mundial e a socialização sob controle do proletariado dos meios de produção e distribuição, entre eles, os meios de comunicação de massas. Esta é a nossa estratégia fundamental e decisiva.
7) Neste sentido, durante nossa longa e dura luta contra a burguesia e o imperialismo, devemos ser defensores intransigentes da mais irrestrita liberdade de expressão e comunicação, contra todo e qualquer tipo de controle e censura sobre o que se fala e o que se escreve, seja feita pelo Estado, pelos oligopólios ou por supostas “organizações independentes”. Quando chegarmos ao poder, devemos colocar em prática um programa de verdadeira liberdade democrática, que poderá ser limitado pela decisão dos organismos da democracia operária do Estado Proletário, a partir das necessidades objetivas da luta de classes. Nossos parâmetros históricos são as liberdades democráticas estabelecidas durante os curtos períodos em que o proletariado governou a sociedade, durante a Comuna de Paris (março a maio de 1871), e os primeiros anos da Revolução Russa de 1917 (antes da degeneração estalinista).
8) Paralelamente a esta propaganda marxista, socialista e revolucionária, devemos defender o fim dos monopólios e oligopólios dos meios de comunicação de massas, apoiando as medidas que apontem, mesmo que de forma limitada, para a quebra do monopólio da Meta, X, Google, Tik Tok etc., na direção da expropriação destas empresas.
19) A disputa entre a esquerda domesticada e a ultradireita pró fascista sobre a questão do controle sobre as redes sociais emite também um alerta a todas as organizações e ativistas que se reivindicam revolucionários, socialistas e defensores do povo oprimido e que se estruturam e organizam de forma prioritária através das redes sociais. Estes setores parecem acreditar que vivemos no “reino da liberdade” da internet e das redes sociais. Nada mais falso! As relações entre o trabalho político nas redes sociais e o realizado de forma direta e presencial junto ao proletariado, e o peso relativo de cada um, é uma questão vital para as organizações que se reivindicam revolucionárias.


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