A greve contra as demissões na GM

Jornal Palavra Operária nº 18

A greve unificada dos metalúrgicos das 3 fábricas da General Motors (São José dos Campos, São Caetano e Mogi das Cruzes), em outubro do ano passado, foi a mais importante luta de resistência contra as demissões dos últimos anos. A luta unificada evidenciou um novo patamar na consciência e na organização dos metalúrgicos e apontou o caminho para a luta contra as demissões e o fechamento de fábricas.

A greve obrigou a montadora a recuar do ataque brutal de impor a demissão em massa de 1244 operários/as, passando por cima inclusive da lei que obriga as empresas a negociarem previamente com os sindicatos no caso de demissões em massa. A pressão dos operários obrigou a Justiça a anular as demissões e a manter o Acordo de Lay Off que havia sido negociado meses antes com os sindicatos. Porém, logo após a decisão da Justiça e o encerramento da greve, a GM impôs um PDV – Plano de Demissão Voluntária, que levou à demissão de 1.100 trabalhadores e trabalhadoras.

Sabemos que estes planos nada têm de “voluntários”, os operários são forçados a aderir a eles diante da falta de perspectivas de se manterem nos empregos. Portanto, ao contrário da comemoração feita pelos sindicalistas de que o PDV foi uma “vitória”, o que de fato ocorreu é que a GM conseguiu seu objetivo maior: demitir centenas de trabalhadores e trabalhadoras para reduzir custos, substituir a força de trabalho por operários precarizados e aumentar a carga de trabalho dos empregados. 

Estes fatos demonstram mais uma vez que a burocracia sindical da CUT, CTB e Força Sindical é incapaz de organizar a luta da classe operária em defesa dos empregos. O caso mais emblemático é o da FORD do ABC, em que a fábrica foi fechada praticamente sem luta dos operários. A política da burocracia é enganar os Greve na GM completa uma semana sem solução à vista - Rede Brasil Atualoperários e operárias com medidas jurídicas, pressão nos parlamentos e patéticas “exigências” aos governos burgueses “de esquerda e de direita” para que defendam os empregos. O resultado desta política tem sido a demissão de milhares de trabalhadores, o fechamento de fábricas e a desindustrialização do país.

Os governos da frente popular (Lula e Dilma) tiveram como política a desoneração da folha de pagamento, a liberação do IPI e outras formas de subsídios ao setor automotivo e outros setores fabris. Mas, este repasse de recursos públicos para a burguesia industrial nacional e imperialista serviu apenas para manter seus lucros, na prática servindo para financiar seus planos de eliminação de postos de trabalho e terceirização. No atual governo Lula-Alckmin, o agravamento da crise econômica dificulta a manutenção destes artifícios fiscais, o que levou Lula a vetar a prorrogação da isenção da folha de pagamentos para vários setores da indústria e outros, no que foi obrigado a recuar, após a pressão dos empresários e do Congresso.  

Deixe um comentário