Por Latoya
O violento ataque homofóbico e machista na terça de Carnaval enfrentado por Joy, Uriel e Evandro, camaradas da luta e ativistas do Coletivo EmFrente TLGBQIAPN+ de Taboão da Serra, denunciado nas redes sociais, nos mergulha numa necessária reflexão sobre o momento em que estamos na luta contra a opressão capitalista. O ataque contrasta com o bloco puxado pela Pabllo Vittar com milhares de pessoas, neste mesmo Carnaval.
Terça de Carnaval e nas redes sociais, imprensa falada e escrita, assim como nas ruas e avenidas, a glamourização do Carnaval, dos corpos jovens, desnudos, suados pelo calorão de quase ou mais de 40º. A glamourização também do amor, da afetividade, da sexualização das relações, embaladas por estes três dias de quase pura alegria, regada a muitas drogas lícitas, sobretudo bebidas alcoólicas, cujas produtoras (Ambev e as marcas) estão entre os maiores patrocinadores desta festa (Jorge Paulo Lemann, dono da Ambev, é o homem mais rico do país); bem como as ilícitas, cujas empresas, empresários e políticos ligados ao tráfico também financiam esta festa.
Tudo é tão lindo, alegre e glamourizado, que quase faz com que uma parcela, sobretudo da classe trabalhadora, esqueça da realidade cotidiana de exploração, subemprego, desemprego, falta de moradia, transporte coletivo ruim, saúde precária, falta de segurança, fome, guerras, doenças, mortes…
A parte do “tudo tão lindo, alegre e glamourizado” é principalmente protagonizada e divulgada pela mídia burguesa, inclusive por parte da classe trabalhadora dentro das redes “oficiais”: Facebook, Instagram, Twitter e TikTok. Afinal, são plataformas controladas pelos burgueses que são donos delas, assim como as grandes redes de TV, jornais e rádios.
Celebridades, artistas, políticos, influencers em camarotes, nas escolas de samba e blocos de carnaval desfilam suas fantasias e sonhos, fazendo com que uma importante parte da classe trabalhadora se inspire e participe desta festa.
No entanto, a diferença é que estas celebridades, artistas, políticos, influencers têm a segurança do Estado, ou a segurança da grana, ou a segurança do próprio fato de serem publicamente conhecidos com cortejo de seguidores que as/os acompanha, ou tudo isso junto.
Enquanto isso, nas ruas a PM reprime e oprime a juventude proletária, que tenta fazer sua própria diversão no Carnaval com os recursos que possuem. Foi assim no Rio Grande do Sul com a PM do Eduardo Leite (PSDB), em São Paulo com a PM de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e na Bahia com a PM de Jerônimo Rodrigues (PT).
Além disso, quando um pequeno grupo de LGBTTQIAPN+ proletário, da periferia, arrisca as mesmas manifestações carnavalescas, as fantasias e sonhos, a manifestação da afetividade e sexualidade, a situação muda: não é mais carnaval e a agressão e violência burguesa, conservadora, lgbtfóbica, racista, machista, xenófoba, se manifesta com toda a brutalidade.
Este grupo atacado violentamente por homens, na Bela Vista, bairro da capital de São Paulo, são a expressão da insegurança cotidiana, que vítima dezenas de LGBTTQIAPN+, negras e negros, mulheres, imigrantes, jovens proletários, povos originários, pela intolerância alimentada tanto pela burguesia, quanto por suas igrejas, seus partidos políticos conservadores e suas organizações fundamentalistas, machistas, racistas, lgbtfóbicas, xenófobas…
Este violento ataque sofrido pelos/pelas camaradas do Coletivo EmFrenteTLGBQIAPN+ nos traz imediatamente para a dura realidade do nosso cotidiano capitalista. A mesma realidade que expulsa ambulantes e impõe a grande indústria e grande consumo, já também denunciado por pequenas e pequenos vendedores humilhados, durante a participação no Carnaval, para lhes assegurar a sobrevivência também nestes dias de folia. E outras tantas violências…
Só temos uma forma de enfrentar esta situação cotidiana de violência, que não respeita nem os momentos mais “sagrados” de festa, como o Carnaval: a unidade da nossa classe, consciente e organizada, contra este os bandos fascistas e o próprio Estado, representado pela PM e Guardas Municipais, que oprimem e reprimem a juventude, que neste momento de crise aguda do capitalismo, se manifestam exatamente como o Estado de Israel em relação aos Palestinos: desrespeita, ataca e mata.
O Carnaval é uma importante expressão da arte e da cultura do povo preto das favelas e segue sendo uma ferramenta de luta e denúncia das opressões. A folia que toma conta das ruas de todo o país não pode servir a interesses que não seja reafirmar a cultura e a luta dos explorados e oprimidos.
Precisamos reafirmar cada vez mais, diante da profunda crise do sistema capitalista e do regime burguês, o Carnaval como uma festa popular, feita por e para trabalhadores e trabalhadoras, denunciando a expropriação da cultura periférica para interesses da burguesia, que a transformaram num grande e lucrativo negócio.
Por isso, também no Carnaval, temos que ser organizadas e organizados em bloco, por diversão, contra a exploração e opressão!
Apenas a unidade consciente e revolucionária da nossa classe promoverá a nossa necessaria autodefesa, nossa organização, nossa luta e nossa libertação “deste sistema que nos causa tanto trauma” (parodiando Chico César em “Reis do Agronegócio”).
Nossa luta é de classe, pelo e rumo ao Socialismo!
O Capitalismo é incapaz de garantir a nossa liberdade de expressão. Ao mesmo tempo que faz a propaganda da diversidade para lucrar, alimenta a fonte da intolerância e do fascismo, nos quais se alimenta hoje o bolsonarismo e os fundamentalistas religiosos
Nosso total e irrestrito apoio e solidariedade para a Joy, Uriel e Evandro, atacados por este grupo de homofóbicos e machistas. Desde já, nos colocamos neste bloco para a luta e combate necessários.
[Imagem; charge de Alexandre Beck]


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