Carta do GOI-Palavra Operária aos militantes do PSOL e ativistas de Taboão da Serra (15/12/2023)
Já completando três anos de mandato, o governo de Aprígio (PODEMOS/MDB), igual aos que o antecederam (Evilásio-PSB-PT e Fernandes-PSDB-MDB), é mais um governo a serviço dos ricos e das oligarquias políticas da cidade. As expectativas da classe trabalhadora e do povo pobre nas promessas do atual governo foram frustradas.
A maioria do funcionalismo público municipal continua com salários base abaixo do mínimo nacional, sem Vale Transporte nem condições dignas de trabalho. Aprígio e os vereadores aumentaram em 3% a alíquota previdenciária e acabaram com o 14º salário e com o abono de 300 reais do Quadro de Apoio da Educação. O atual governo piorou ainda mais as condições de trabalho e salários do funcionalismo, ao contrário do que prometeram lideranças importantes da categoria, que chamaram as trabalhadoras e trabalhadores a confiar neste governo.
Uma grande parcela da população paga aluguéis supercaros. Até mesmo a maioria das famílias do MTST e do MST que foram à luta pela moradia esperam há anos na fila dos planos habitacionais do governo federal e estadual. Uma parcela recebe o “Bolsa Aluguel”, recursos públicos que vão direto para os bolsos da especulação imobiliária, que não para de crescer em Taboão (liderada por Aprígio), com as grandes torres de apartamentos caríssimos ocupando os terrenos que deveriam ser destinados à moradia popular.
O transporte municipal continua nas mãos da Fervima/Pirajuçara, com uma frota insuficiente para atender a demanda de passageiros, os ônibus sempre lotados. O fim dos cobradores aumentou a carga de trabalho e o stress dos/as motoristas, comprometendo a segurança dos passageiros. A gratuidade para os idosos só é garantida após 65 anos de idade. Mesmo diante deste problemas, Aprígio e os vereadores concederam mais 10 anos para a empresa seguir monopolizando o transporte público na cidade, além de aumentar a tarifa para R$ 5,00, sem integração, uma das mais caras do Brasil.
Os serviços públicos estão cada vez mais precários e a população mais pobre sofre para conseguir remédios, consultas e exames médicos. Os vereadores e políticos manipulam o atendimento nos PS e postos de saúde, e o povo tem de pedir a eles para ser atendido mais rápido em casos de emergência e para fazer exames. Desta forma, os políticos chantageiam a população para manter seus currais eleitorais.
Os funcionários da Saúde, da Assistência Social, da Educação, da Manutenção e de outras secretarias que atendem direto ao público se “viram nos 30” para tentar garantir o melhor atendimento possível à população.
A juventude dos bairros populares sofre com as mudanças autoritárias na Educação, como o Novo Ensino Médio e o Ensino Remoto, com salas de aula superlotadas etc., que os preparam para serem mão de obra barata e sem direitos nas mãos dos patrões. E a prefeitura não investe em atividades educacionais, culturais, esporte e lazer para elevar a formação humana das/os jovens.
Isso tudo acontece não porque haja falta de recursos públicos. O IPTU e demais impostos aumentam todo ano, mas não revertem em melhoria dos serviços públicos à população. Mas, os altos salários e mordomias dos políticos não param de aumentar. A nova mamata com o dinheiro público é o projeto de construção da “nova prefeitura”, que vai custar R$ 70 milhões de reais!
A traição das expectativas populares pelo fracassado governo de Aprígio ameaça trazer de volta ao poder a direita tucana e bolsonarista nas eleições municipais de 2024. Mas Aprígio, Fernando Fernandes e Cia. são todos farinha do mesmo saco, políticos burgueses que enganam o povo trabalhador pra se eleger e depois seguem governando em benefício próprio e dos ricos que financiam suas campanhas eleitorais milionárias.
Exemplo disso foi a votação da privatização da Sabesp: o deputado Eduardo Nóbrega (MDB) aliado de Aprígio, e a deputada Analice Fernandes (PSDB), esposa e aliada do ex-prefeito, votaram a favor do projeto de privatização enviado pelo governador bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos). Votaram juntos contra a vontade da maioria da população que é contra a privatização da Sabesp. Sobretudo depois da experiência com a ENEL e o apagão do início de novembro.
As máquinas eleitorais destes partidos e políticos burgueses já estão em ação com o objetivo de enganar o povo mais uma vez nas eleições de outubro de 2024. Querem criar uma falsa polarização eleitoral: votar novamente em Aprígio ou votar no ex-prefeito Fernando Fernandes ou alguém indicado por ele. Este filme nós já vimos em muitas eleições em que o povo é chamado a escolher entre o Ruim e o Pior.
Os partidos que falam em nome dos interesses populares, como o PT e o PCdoB, deveriam estar alertando o povo trabalhador contra esta manipulação política. Porém, ao contrário disso, estão participando de “mala e cuia” no governo Aprígio, ajudando-o a enganar o povo com a colaboração entre patrões e trabalhadores, na qual os patrões ficam mais ricos e os trabalhadores ficam mais pobres.
Para onde vai o PSOL?
Nas três eleições municipais passadas de Taboão foram apresentadas alternativas classistas e socialistas que deram voz nas eleições à classe trabalhadora e ao povo pobre e oprimido contra os donos do poder na cidade. Em 2012 e 2016, através da coligação do PSOL-PSTU, com a candidatura a prefeito do camarada metalúrgico Stan e chapas de vereadores/as destes partidos. Em 2020, através do PSOL, com a candidatura da professora Najara Costa a prefeita e as candidaturas a vereadoras e vereadores de trabalhadoras, jovens, negras/os e LGBTQIA+, entre elas a da camarada Sandra Fortes, militante do GOI-Palavra Operária. Candidaturas que enfrentaram a máquina corrupta da compra de votos nos currais eleitorais e tiveram uma votação expressiva, o que mostrou o descontentamento com os partidos e políticos patronais que dominam a cidade. Esta unidade e alternativa classista e socialista precisa se manter nas eleições de 2024. Porém, isto não está garantido.
O PSOL, que sempre se manteve como um partido independente e de oposição a todos os governos patronais em Taboão, está ameaçado de ser transformado em mais uma legenda de esquerda de apoio aos partidos e políticos patronais, uma mera moeda de troca, a exemplo do PT e do PCdoB municipais. A crise do PSOL já veio a público com os enfrentamentos entre o atual presidente do partido, Afonso Silva, aliado de Guilherme Boulos, e a co-deputada Najara Costa, que se acusam mutuamente de estarem articulando alianças com Aprígio e outros políticos patronais de Taboão.
Afonso “jura de pés juntos” que o PSOL não vai apoiar a reeleição de Aprígio. Mas, o fato é que o deputado federal Guilherme Boulos já apoia Aprígio desde o início do mandato, chegando ao cúmulo de se reunir e congratular com o prefeito no mesmo dia em que o funcionalismo municipal fazia uma greve por salários e direitos. Ex-dirigentes e filiados do PSOL ocupam cargos no atual governo. E especula-se que Boulos estaria disposto a apoiar a Aprígio em troca do apoio à sua candidatura a prefeito de São Paulo.
Por outro lado, a co-deputada Najara Costa, que se postula diligentemente como candidata a prefeita, tem se reunido com “figurinhas carimbadas” da velha política patronal e corrupta do município, como o ex-prefeito Evilásio Farias, entre outros. Além da foto de gabinete com o próprio prefeito Aprígio para anunciar as verbas públicas destinadas ao município através do seu mandato parlamentar.
Estes fatos colocam em dúvida qual caminho será seguido pelo PSOL em Taboão da Serra: se vai se manter no campo da independência de classe ou vai se aliar a partidos e políticos da burguesia. A vitória da ala direita do partido na luta interna fortaleceu a política de alianças com a burguesia através da federação permanente com a Rede Sustentabilidade e a integração do partido ao governo de conciliação de classes de Lula-Alckmin. Boulos, em sua campanha para prefeito em São Paulo, articula uma Frente Ampla com setores burgueses, aos moldes da frente ampla que levou Lula-Alckmin ao poder. É neste contexto que se desenrola a crise do PSOL em Taboão.
Chamado à formação de uma Frente de Luta e Oposição da Classe Trabalhadora
Nós, que hoje nos organizamos no GOI-Palavra Operária, estivemos e seguimos na primeira linha do enfrentamento aos partidos e políticos patronais e corruptos em Taboão. Consideramos inadmissível qualquer apoio ao atual governo antipovo e à reeleição de Aprígio. Consideramos inaceitável o flerte eleitoral com velhas raposas políticas do tipo de Evilásio Farias, que hoje posam de “oposição” apenas porque não foram contemplados na distribuição de cargos e benesses com o dinheiro público.
É preciso nos mantermos firmes no terreno da independência de classe nas próximas eleições, apresentando candidaturas a prefeito e vereadores da classe trabalhadora e do povo oprimido. É preciso manter uma Oposição da Classe Trabalhadora a todos os governos e partidos patronais e da oligarquia política, como o atual de Aprígio e contra a volta da direita tucana ou bolsonarista.
Só assim podemos prosseguir na tarefa de conscientizar, organizar e unificar a classe trabalhadora, a juventude e o povo oprimido de Taboão para a luta por seus direitos e por melhores serviços públicos.
Com este objetivo, defendemos a formação de uma Frente de Luta e Oposição da Classe Trabalhadora em Taboão da Serra. Uma frente para as eleições e para as lutas. Ainda falta muito tempo até as eleições e os ataques ao povo trabalhador e oprimido vão aumentar até outubro de 2024. É preciso lutar!
Fazemos o chamado à formação desta Frente em primeiro lugar ao PSOL, a Najara Costa, Afonso, Stan e demais dirigentes e militantes. Em particular às correntes da esquerda do partido, como o MES e a Revolução Socialista/Unidos Pra Lutar. E também aos setores do PT municipal que se recusam a manter o partido como moeda de troca eleitoral e coadjuvante de Aprígio. Aos camaradas da direção e da base do MTST e a Guilherme Boulos. A todas e todos os ativistas das organizações políticas, sindicais, populares, culturais e da juventude da classe trabalhadora e do povo oprimido que se mantém na luta e independentes do governo e da burguesia.
Vamos construir juntos uma Frente Sem Patrão, que não tenha rabo preso com a oligarquia patronal e corrupta que se reveza no poder em Taboão da Serra.


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