Dona Dina

Wiliam Felippe

Há um mês nos deixou Dinair, a dona Dina, para aqueles do seu convívio, do qual eu pude desfrutar nos últimos 30 anos, desde que conheci Sandra, sua filha, minha companheira. Viúva do Sr. Juvenil, ambos me receberam junto aos filhos, netos, parentes e amigos, e nesta família de pretas e pretos eu vivi uma parte decisiva do meu aprendizado da vida proletária.

Mulher formada para o lar, a mineira dona Dina não se deixou abalar quando a crise dos anos 1970 a levou a trabalhar fora, como operária numa fábrica de vestuário, acumulando, assim, o trabalho assalariado com o cuidado dos filhos e do marido.

Durante toda a vida foi uma mulher de fé, a qual lhe servia como fonte de força e esperança. Todavia, nunca deixou a religião apagar seu instinto de classe proletário, que a manteve sempre aberta e alerta para a consciência das coisas do mundo, da economia, da política, da cultura, da vida, enfim.

Seu olhar observador e paciente, sua língua ferina, sua risada franca e aberta, suas palavras de conforto e esperança estavam sempre presentes nos bons e maus momentos da vida.

Em 20 de fevereiro pagou a última mensalidade do plano funerário. Morreu no dia seguinte, aos 83 anos, sem dívidas, consciente e serena. Com o dever cumprido de mãe proletária. Seus frutos seguem em nós.

[Imagem: Pablo Picasso, “Mãe com crianças e laranjas“, 1951]

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